terça-feira, 14 de junho de 2011

SIT TIBI TERRA LEVIS

A confiança é muito importante na área de criação. Eu estava tão orgulhoso do último poster feito pro Base 2 (post PESADO) que acabei fazendo um que, em condições normais, não faria. Os porquês da auto-censura serão apresentados no decorrer do post. Vamos aos detalhes!

Ao mesmo tempo que estava todo cheio de mim, estava bobo com as músicas que a própria banda vinha apresentando na fase de pré-produção do disco. Portanto, queria continuar fazendo a ligação com elementos pesados. Depois do rinoceronte, a estrela dessa história (Sim, meu pequeno girino! Cartazes contam uma história. Do contrário como poderia eu encher tanta lingüiça com esses textos conceituais quilométricos que escrevo?) seria uma carismática bigorna. Pensei em pegar uma foto do objeto e transformar em estampa, como no primeiro da série, mas resolvi desenhar com o mouse mesmo. E assim o fiz!

Se tivesse ido pelo caminho mais fácil (estampa), o cartaz já estaria pronto. Seria colocar as informações do show e fim de papo. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), o som da banda não é apenas pesado. Tem bastante detalhezinhos, passagens sutis e eles não estariam representados aqui. Por isso a escolha do formato do desenho! Nunca fui um grande desenhista, tenho um traço bem sujo pra não dizer quase cômico. Achei que um ar de cartoon poderia ser o representante desse lado leve do som sem necessariamente estar aparecendo num elemento fisíco.

Desenhei bem toscamente a bigorna (na real, até caprichei, mas não consigo não ser tosco...) e comecei a lembrar dos velhos desenhos infantis que utilizam esse elemento e faziam minha alegria. O cheiro matinal de Tom & Jerry, Papa-Léguas e Pica-Pau estiveram comigo durante todo o processo, hehe! E já que todos esses meus "educadores" estavam pairando no ar... por que não fazer o mesmo com a protagonista da arte? Obviamente a bigorna não poderia pairar no ar, mas uma vez solta nas alturas, ela cairia. Tentei representar a queda copiando o desenho e colocando o efeito de transparência, sobrepondo com uma cópia menos apagada até chegar na original sólida.

A questão existencial que me atormentou após essa primeira parte completa era a seguinte: AFINAL DE CONTAS, SOBRE QUAL CABEÇA DE MELÃO ESSA BENDITA BIGORNA SE ESPATIFARIA??? Foram noites e noites sem dormir tentando eleger uma alma desafortunada merecedora de tal honraria desgracenta (na verdade, o impasse durou uma meia hora, mas vá lá!) até que começou a ecoar na minha cabeça o Belchior dizendo "QUE A TERRA LHE SEJA LEVE!" no final da canção "Pequeno perfil de um cidadão comum" que é uma tradução do "SIT TIBI TERRA LEVIS" que os antigos romanos escreviam nas lápides. Então que a bigorna sonora caísse sobre nossas cabeças mesmo!

Peguei uma foto do planeta e zoei no photoshop. Deixei mais esverdeada e com o efeito plastificado e apenas ela desrespeitaria o limite imposto pela moldura. Álias, moldura essa que eu fiz na mão também, dá pra perceber, né? Coloquei as informações de data e horário "entre o céu e a terra" e o nome da banda forjado no objeto central e senhora dos nossos olhos: a bigorna.

Deixando a profundidade de lado (salve, salve mestre Belchior!), achei meio comics demais e, se não estivesse me achando, não teria enviado pra banda. No fim das contas foi bacana! Os caras gostaram e teve um certo retorninho nos elogios. Que a Terra me seja leve!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

FUMAÇA CÓSMICA

Cartaz pro Beatles for Sale. O segundo de um pedido de três, cada um com uma característica diferente pro show. Após o iê-iê-iê (vide post IÊ-IÊ-IÊ), era a vez do psicodelismo entrar na área.

Correndo o risco de parecer mais repetitivo do que sou (e realmente sou repetitivo), pergunto novamente se já falei por aqui que gosto muito dos Bealtes? Claro que já, né? Mas acho necessário reafirmar essa máxima pra facilitar a sua compreensão, fiel leitor, hehe! Eu adoro o quarteto de Liverpool. Então é sempre uma alegria fazer um trabalho que tenha os caras como tema.

Redesenhei a clássica capa do "Abbey Road" (Apple Records -1969) com o acréscimo de um arco-íris no fundo, coloquei todas as informações numa ordem bem tranqüila. Tudo simples pra chegada do gran finale que viria na seqüência.

Até então a arte estava bem longe de ser psicodélica. Mas tudo estava friamente calculado! Peguei as cores do arco-íris e comecei a pintar o meio aleatóriamente com elas. Depois usei a minha querida ferramenta do dedinho no Photoshop para mistura-las e, por fim, sobrepus com fotos de satélite que mostravam constelações.

No cartaz branco, o desenho ficou parecendo uma fumaça alucinógena avisando os corações receptores que a boa música estava chegando. E estava mesmo! Eu já falei aqui que gosto dos Beatles?