sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

SE BEBER... CASE!


Sinceramente, nem nos meus mais malucos sonhos trancafiados nos confins do meu inconsciente anormal, eu pensaria que um dia, alguém são teria a audácia (e pq não, a irresponsabilidade) de me pedir um convite de casamento... mas aconteceu! GABRIEL FEIJÓ COMETEU O INIMAGINÁVEL!

Obviamente que o inimaginável não é o fato do amigo estar se casando. A Paula é uma mulher muito bonita, inteligente e um excelente partido. Inimaginável é correr tamanho risco de, por causa do resultado de uma arte, mandar 11 anos de relacionamento direto pro buraco!

Tentei desaconselhar o rapaz de várias formas, usando toda a minha lista infindável de argumentos auto-depreciativos, mas não rolou. A missão era minha e não seria nada fácil: o convite teria que ter a cara do casal e meu controle de qualidade exige que também tenha a tradicional assinatura tosca escamosa.

Desnecessário dizer que, até na concepção deste ogro que vos escreve, um convite de casamento é um item glamuroso. Comecei a quebrar a cabeça com o Gabriel que deixou claro não querer nada convencional (o que já me era um alívio) e, em algum momento stand up comedy, sugeri um convite no formato de rótulo de cerveja. Os olhos do noivo brilharam de forma diferente naquele segundo. Novamente argumentei que era apenas uma brincadeira, mas ele bateu o pé. Ok, ok, ok... eu ainda estava tranqüilo por achar que a Paula vetaria tamanha barbaridade, mas pra afundar de vez a minha esperança na humanidade, ela também aprovou!

Buenas... em Roma, faça como os romanos. Digeri a causa e agravei o quadro qdo falei que poderiamos comprar um monte de long necks e colar o convite no lugar do rótulo, então cada convidado teria uma garrafinha. O brilho do olhar voltou a acender...

Iniciei um processo de pesquisa com vários rótulos de cerveja do mundo inteiro. Pedi auxilio ao meu grande amigo e, nas horas vagas, gourmet e mestre cervejeiro, Paulo Mopho. Depois de muito observar, comecei a estruturar o formato, cores e estilo até que cheguei na que considerei ideal, com uma textura de papel antigo dando uma impressão dourada que combinava com o conteúdo da garrafa e o triângulo que seria mesclado com uma forma oval contendo a imagem do casal. Acima disso uma faixa anunciando o evento. Quando fui informado pra colocar "churrasório" ao invés de "casamento" entendi o porquê do clima descontraído da idéia e, finalmente, desenvolvi o trabalho de forma aliviada, hehe!

Seguindo a grande maioria dos rótulos famosos, fiz um desenho do casal pra ficar como imagem central, ficou até bonitinho, mas a Paula sugeriu de usar uma foto de verdade. Fiquei temeroso, mas depois que envelheci a imagem um pouquinho e encaixei na arte, não tive dúvidas que, a partir daquele momento, meu único trabalho seria diagramar o texto que eles estavam escrevendo, pois o visual estava finalizado.

A redação ficou excelente com vários paralelos entre a história do casal e as informações contidas num rótulo de verdade. Dei destaque pro endereço do evento e aí foi só mandar imprimir, colar nas garrafas e correr pro abraço (ou melhor, pro churrasório, que foi muito agradável)!

Taí! Mais uma vez, fui surpreendido pelo resultado de um projeto em que eu não depositava nenhuma fé na minha capacidade. Achei muito simpático o convite e o retorno dos convidados foi amplamente positivo. Tenho o meu convite comigo guardado até hoje (já faz quase um ano que rolou o casamento) e, acredito que muitos dos convidados também guardaram a divertida lembrança. Só posso agradecer aos noivos por confiarem a mim a responsabilidade de um momento tão importante das suas vidas e desejar toda a felicidade do mundo pros dois. Muito obrigado e parabéns de coração!

Um comentário:

Clara disse...

Genial! Acho melhor nem mostrar pro Emiliano, senão tô ferrada...