segunda-feira, 24 de agosto de 2009

CYMK HIERÓGLIFO

Idéias surgem de qualquer lugar. De uma palavra que escutamos ou de uma besteira que cruza o nosso campo de visão. Estava na casa de uma amiga, a camiseta que ela usava por baixo da blusa tinha a separação das cores que a gente usa na impressão (Cian, Magenta, Yellow & Black = CMYK). O Max estava do meu lado e falei "vou usar essa idéia no teu próximo cartaz!". Pra variar, o maluco abraçou a causa.

A idéia das logos se misturando já estava bem definida, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) inicialmente eu pensava num fundo totalmente branco. Fiz e achei limpinho demais. Desculpa aê, mas gosto de uma interferência, uma sujeira na coisa toda. Pintei um fundo colorido de forma aleatória e misturei com a foto de uma parede de pirâmide cheia de hieróglifos (uma antiga tara nerd minha), virando uma textura meio maluca mas não agressiva.

Na parte das informações do show, deixei tudo junto, separando apenas por cor. Gostei de fazer assim. Vou utilizar mais esse recurso.

A parte principal da arte (logos se misturando) demosntra exatamente o processo de impressão. Com as três cores se misturando e formando outras até que a união delas forme o preto. Exatamente como são os shows da banda que, misturando as influências, estilos e músicas diferentes, acabam dando novas cores pras canções. Assim como a união das cores forma o preto, a união dos fatores deixam o show com a cara do negão (Max). Se acharam q viajei demais no conceito do cartaz, eu concordo, hehe!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

TÁ LIGADO?

Quando entreguei esse cartaz do Base 2 pro Davi (vocalista), ele falou que não acreditava que eu superaria o último de show da banda (post PAREÇO MODERNO) e que mesmo assim eu tinha conseguido. Vira e mexe o Max me diz a mesma coisa.

No caso desse show, continuei com o que vinha fazendo nos anteriores: misturei uma estética clean com pitadas de poluição visual minimalistas.

Comecei com três formas quadradas que basicamente explicariam do que se tratava. Primeiro a logo do local do show, no segundo destruí uma foto de cabos com plugs e dupliquei a imagem deixando meio desfocada a sua visualização, por último a logo da banda (único elemento do cartaz numa cor quente, no caso, vermelho) e as informações de data e horário.

De fundo uma textura de papel que deixei num tom verde. . Também estraguei uma imagem de uma grande cidade e seus prédios. Utilizei ela nas duas pontas do cartaz como se fossem estalactites e estalagmites made in Matrix. Notem que deixei uma moldura branca que serve pra limitar a arte, mas pra variar, acabei violando na parte inferior do cartaz, com uns rabiscos circulares tribais e um pouco acima no nome das bandas que fariam parte do repertório do show.

Conforme o tempo passa e a gente vai fazendo uma mesma tarefa, vamos melhorando na missão de executa-la. É o tal do know-how. Mas o legal dessa stória é que venho percebendo o quanto andam se separando as caracteristicas dos cartazes dessas bandas que mais me procuram (Base 2, Max & MP3 e Pedrera). Cada um deles tem uma linguagem e características específicas. E a tendência é que fiquem cada vez mais diferentes porque, além de ir conhecendo melhor a essência de cada artista, vou acrescentando elementos novos nas ilustrações. Alguém aí já ouviu falar de identidade visual? É isso que eu faço.

Depois de passar uma vida inteira colecionando discos e devorando suas fichas técnicas (além de ter uma razoável bibliografia biográfica de diversos músicos), enfim junto esses amores nerds com a publicidade. Viu só mãe? Eu disse que aquelas pilhas de discos, livros e HQs ainda iam me servir pra alguma coisa de útil!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ESSA DEU ATÉ FOME!


A stória é a seguinte: o Max fechou os 4 sábados do mês de Julho no Estação Café Brasil. Até aí normal, eu faria uma arte pra cada show. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) o cara decidiu linkar os shows com a proposta maluca de não repetir nenhuma música nas apresentações.

Como a galera iria se empanturrar de músicas, decidi levar isso pro lado literal e fazer uma analogia dos shows com um rodízio de pizzas. Cada semana teria um sabor diferente. E a comunicação seria feita através de uma campanha dividida em 6 partes começando a ser divulgada apenas através do orkut com essa arte aí de cima. Apenas uma chamada pra criar mistério com uma bandeja vazia em p&b com os dizeres "Fome sonora? Aguarde Julho". Coloquei a logo do local do evento e nem me preocupei em falar q seria show do Max e MP3 pra dar esse ar de curiosidade mesmo (se bem q, como o próprio Max enviava a arte, era só ligar os pontos).

Poucos dias depois explicamos do que se tratava. A mesma arte da bandeja agora desvendando o tema "Max & MP3 no rodízio" com as 4 datas e deixando claro que o não se repetiriam músicas. Além da comunicação on line, foi impresso um cartaz gigante no formato A0 (84,1 x 118,9 cm). Legal! Mas e daí? E daí q se pensarmos que o A0 é o tamanho de 4 folhas de A2 coladas, a gente tem um cartaz pra cada um dos shows!

A idéia era justamente essa: a cada semana colar por cima do cartaz gigante, 1/4 dele com o "cardápio" que seria servido. Cada um desses cartazes seria colorido, com uma toalha de mesa e um sabor de pizza diferente. Ao final da série de apresentações teríamos um único quadro gigantesco e totalmente colorido. Claro q, separados, cada cartaz deveria ser como se fosse único, pois seria divulgado fora do bar.

Ao invés de tocar músicas aleatórias, o Max teve a boa idéia de fazer um tema pra cada dia, o que se encaixou perfeitamente com a proposta visual.

Colamos então o primeiro quarto da pizza com o tema Sabores do norte, onde só seriam apresentadas músicas de autores do norte e nordeste do país. Coloquei uma toalha xadrez de fundo, uma pizza de pimentão e comunicamos os "sabores" que seriam oferecidos naquele dia.

As informações de data e horário seguiram o caminho da bandeja e estava pronto o primeiro quarto da campanha.
No segundo show só rolaram canções dos anos 80 com o tema A pizza é pop. Outro sabor do alimento favorito das Tartarugas Ninjas (pra não sair das oitentices, hehe!) e uma toalha de mesa de bolinhas pra diferenciar do primeiro cardápio. Além disso as informações ficaram ao contrário da outra arte (por questões logicamente estéticas de encaixe no cartaz gigante).

Outro detalhe bacana foi que, por causa dessa arte, alteramos um pouco um pedaço marcante dos shows do Max que, sempre no final da última música, despluga seu violão e vai embora do bar cantando com aquele vozeirão de negão enquanto a banda continua mandando brasa. Dessa vez, antes de ir, ele colou o cartaz do próximo show. Isso é uma forma mais direta de conseguir aquilo q sempre falo de interação da comunicação com o público. Foi um pouco além do que simplesmente uma foto ou desenho colado numa parede. Fez parte da apresentação e esse detalhe é responsável por toda uma diferença na hora de atiçar a curiosidade do receptor da mensagem. Tanto que, assim que colou o cartaz, um dos expectadores não se conteve e foi falar com o cantor sobre a arte. Com o cara ainda tendo q se retirar do bar pra encerrar, ele só me apontou e falou pro cara conversar comigo, haha! Muito legal essa reação.

Se no segundo cardápio a pizza veio meio mofada pelo flashback, no terceiro a banda atualizou os circuitos do tempo e mandou ver com músicas mais recentes. Dessa vez uma toalha de crochê uma pizza de pepperoni deram as caras na arte pra diferencia-la das anteriores.

O tema Tudo o que ela gosta de escutar me complicou um pouquinho pq era grande demais pro espaço destinado a ele. Acabei por diminuir a palavra "gosta" e coloca-la num coração, encontrando uma solução bem simpática pro pequeno problema.

Novamente fui testemunha ocular desse show e, no momento em que estava adesivando o quarto cartaz pra finalmente fechar a série, um pessoal se aproximou curioso sobre qual seria o sabor dessa vez e comentando sobre o desfecho da campanha. Nem sabiam que eu fazia a arte e elogiaram. Fiquei todo orgulhoso, haha!

Enfim, fechando toda essa stória, o quarto e último cartaz pro show que encerraria a série e aconteceria exatamente durante a semana do Festival de Música de Londrina. Aproveitando a rotatividade de músicos que estariam na cidade, os seres dessa espécie não pagaram ingresso e receberam um "cardápio" com TODAS as músicas que a banda sabia tocar. Pois o tema da semana era Max equemencaraoquê, ou seja, o palco estaria aberto para jam sessions.

Outro sabor diferente e uma toalha de mesa violeta completam a pizza tornando, propositalmente, o big cartaz num carnaval de um conceito só.

Abaixo de tudo fica um step by step de como rolou a colagem no bar e a satisfação pessoal de ter tido essa liberdade pra transformar o que seria um anúncio de show numa campanha publicitária com estratégias e ações de marketing de guerrilha. Cada vez fico mais contente com esse trabalho e só posso agradecer quem me dá oportunidade de realiza-lo. Se antigamente eu acordava me amaldiçoando por ter que enfrentar mais um dia de trabalho, hoje posso dizer que acordo feliz todo santo dia!