sábado, 6 de junho de 2009

PAREÇO MODERNO

Quando o Base 2 me pediu um novo cartaz, fiquei relativamente surpreso. Sei lá porque (na verdade sei...) pensei que não fariam outro comigo. Buenas, a maioria do pessoal que fez cartaz comigo não ficou só no primeiro. Então ou estou no caminho certo ou todo mundo desenvolveu mau gosto...

A primeira coisa que o Pedro Mello (guitarra) falou sobre esse show foi que ele teria um repertório diferente, novas canções de novas bandas. Perguntei se era necessário divulgar isso e a resposta foi positiva. Também colocar o nome das bandas que iriam tocar. Imediatamente comecei a fazer uma arte mais retrô com uma chamada grande estilo propaganda da extinta revista Cruzeiro dizendo "Novo show! Novo repertório!" e mandei pra banda. Gostaram, mas me disseram que queriam algo mais moderno.

Hmmmm... e será que eu sabo ser muuuderno? Coloquei-me diante da tela branca e comecei a pensar o que poderia passar essa sensação. Coisas cleans costumam me passar isso. Ok... isso já estava certo que seria, pois estava limitado a usar duas cores (a banda costuma imprimir uma centena de cartazes e, por isso, pesa o preço na gráfica se eu abusar do colorido). Decidido que o fundo seria branco, rabisquei com um pincel very crazy do Photoshop uns borrões pretos e colei a logo da banda por cima. Depois mandei o mesmo pincel vermelho meio como se fosse aquele desenho feito pelo aparalho de monitoração dos batimentos cardíacos (grosseiramente toscos, claro!) e o resultado me agradou.

Ah, mas eu queria ser mudernão mermo, sabisqualé? Aí lembrei de como gosto de uma poluiçãozinha organizada. Comecei a pegar vários desenhos de projetos, plantas, raio-x e circuitos, destrui todos usando defeitos especiais do Photoshop e comecei a colar uns em cima dos outros. Como curiosidade (e pra alegria dos nerds de plantão) vale a pena dar um close e citar o que tem por ali:


- projeto da USS Enterprise;
- patente de uma guitarra de 1960;
- raio-x do cérebro do Albert Einstein;
- patente do gramophone;
- circuito de um robo;
- projeto de uma câmara pressurizada da NASA;
- 2 circuitos desenhados manualmente;
- projeto de um piano.

Deixei as informações beirando a heresia de um amontoamento, destaquei-as em vermelho e o preço dos ingressos 100% preto (o resto das ilustrações está mais em tom de cinza). Gostei muito do jeito que ficou. Já a logo do Vitrola Bar, estava discutindo isso há alguns dias, por não ser quadrada fica difícil de encaixar na arte. Por isso sempre pensei na utilização dela escondidinha no cantinho do cartaz, mas isso desvaloriza um pouco o local. Dessa vez, resolvi jogar lá em cima de tudo, centralizada e deu certo também.

Então o desenho já estava clean, poucas cores, com uma poluição bonitinha e cheio de referências nerds. Prontinho? Ainda não, Bastião! Preenchi o seu lado esquerdo comuma cascata de rabiscos e, aí sim, me dei por satisfeito! Agora sou moderninho.

Um comentário:

Fabio Wasques disse...

PQP!
Até que enfim um publicitário com conceito definido!
Cara, tu é tosco! Tosco é tu!
Se conseguir manter esse estilo até o fim da vida tu vai longe... ninguém faz isso! Todo mundo quer ser "profissa" e acabam como uns bostas...
Imagino esse seu estilo que parece estar cada vez mais definido ilustrando capas de Cds... arte bizarra e nostálgica, como víamos na época de Vinil. Esse monte de imagem amontoada do "Base 2" matou a pau. É isso aê.