segunda-feira, 29 de junho de 2009

CIRCO ARMADO

Mais uma arte pro Base 2 (não é que os caras continuaram a solicitar os meus serviços mesmo?). Mais um especial d'O Rappa.

Comecei esse cartaz pelo fundo. Esse tipo é meio manjado, lembra raios de sol com variações da mesma cor e sempre me passa uma impressão alegre. Acabei amenizando isso com o marrom. A textura de papel velho, amassado e manchado também ajudaram a deixar mais sóbrio nesse sentido.

Utilizei fotografias que estão em alguns discos d'O Rappa também. O boneco de lata do Rappa Mundi (1996) e aquele com o rosto coberto por uma camieta que está no Instinto Coletivo (2001). Claro que destruí ambos! Transformei-os em rabiscos, deixando com uma cor bem fraca. Depois sobrepus o mesmo desenho, mas não exatamente em cima, numa cor mais forte. Tem que ter muita boa vontade pra enxerga-los, mas estão ali e, sem eles, a arte perde muito da sua graça. Incrível como pequenos detalhes enriquecem na hora de somar com o todo.

Nessa hora, não sei bem porque, começou a me passar um ar de antigos cartazes de circo. O que desencadeou a idéia do modo circular de como as informações estão presentes. Usei uma fonte mais retrô e utilizei o mesmo efeito que fiz nos desenhos (sobrepondo a mesma imagem forte por cima de uma fraca), colocando uma terceira camada branca pra destacar o nome d'O Rappa. Feito!

Ah! Os apoios eu reciclei do outro cartaz que fiz pra banda (post PAREÇO MODERNO), hehe! Deixei mal recortado e até que ficou bacana.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

SÔ EUMES!

Essa maluquice que você vê aí vai estar nas páginas da publicação mariliense Theo Carvalho em Revista.

Todo mês a revista publica o portfolio de um designer. O legal é que a arte da página fica por conta do próprio escolhido.

Acredite ou não, o convocado da edição de Julho é este que escreve aqui com tanto amor e carinho. Fiquei todo vaidoso, mas ao mesmo tempo pensei "hmmm... vou fazer um negócio bem chick pra agradar o público que costumo assustar com esse meu jeitinho tosco".

Tiro no pé! Eu sempre encho a boca pra falar que "forno aberto não assa pão" (ok, ok... roubei essa citação da vó do Humberto Gessinger!), e cometi o erro de querer agradar terceiros na minha criação. Em poucas palavras: maculei a sua pureza.

Pensei, pensei, pensei, espremi e nada. Nem uma ideiazinha ruim que fosse. Depois de muito tempo nessa tortura resolvi ser eu mesmo e o resultado saiu em 15 minutos.

Basicamente fiz as mãos da Capela Sistina (depois de serem expostas pela radiação Gama) espremendo a minha cabeça que, psicodeliciosamente, se abre numa festa reunindo meus trabalhos. Os corações, estrelas e notas musicais podem parecer frescura, mas quem acompanha os posts aqui sabe que tem seus motivos pra estarem lá.

Há ainda uma legenda que me apresenta. Vou ampliar aqui pro texto ser lido de forma decente:


Alguns dos trabalhos que aparecem nessa explosão não estão descritos aqui no blog. Isso porque ainda não foram lançados oficialmente. Assim que sairem, darão o ar de sua graça. Já as logomarcas é porque eu não acho que tenha tanta coisa pra se falar mesmo.

Novamente tenho que me admitir que essa tosquice sou eu mesmo. Querer fugir dela é algo impossível. Mas é isso aí mesmo: CAMINHO ÚNICO. E, francamente, é uma delícia abraçar isso.

Fiquei um tempão sem atualizar por pura e completa preguiça, hehe! Desculpas pra quem acompanha e voltaremos a nossa programação normal.

terça-feira, 9 de junho de 2009

SOU QUADRADO

Esse não sairia sem o incentivo do cliente. O Max vem me dando bastante liberdade pra criar e está acompanhado os mergulhos no aprofundamento da teoria que sempre falo aqui da arte ter mais destaque do que a própria atração ou informações. Esse exemplo se aproxima bastante do que considero ideal. No pedido do cartaz, ele já mandou a frase que queria ouvir: "Esse show não tem tema, então pode pirar na arte!".

Parece muito legal ter liberdade total pra fazer o que estiver afins, né? Há controvérsias.

Explico: Aqui, mais do que em outros casos, o risco de viajar na maionese é enorme. A princípio, quando sentei na frente do computador podendo fazer qualquer coisa, não veio nada na cabeça, hehe! Justamente por causa dessa pira de que não ter limites pode ser mais prejudicial do que benéfico.

Mas passou logo essa sensação. Eu tenho um limite interno que se chama simplicidade. Desenhei um quadrado no Corel e, após ele, mais três em ordem crescente de tamanho. Comecei a colar um ao lado do outro de forma descontrolada e assim surgiu a base dessa espécie de planta e/ou ponto de interrogação que você vê aqui. Nesse momento veio a idéia mesmo! Subi aquilo que podemos chamar de caule e, no topo, montei a logo da banda no mesmo esquema. A arte estava pronta!

Faltava ainda as informações. Coloquei do jeitinho que sempre quis: pequeninas embaixo de tudo. Usei apenas dois tons de marrom pra respeitar o "limite" minimalista que o cartaz tinha adquirido.

Levei o desenho pro Photoshop onde inseri dois efeitos de textura. O primeiro deu as bordas pros quadrados que, originalmente no Corel, não tinham. Gostei mais com as bordas até porque melhoraram a leitora da logo.

Simples. Talvez até o mais simples de todos os do projeto. E um dos que mais gostei de fazer. Fruto maduro da plantação conceitual escamosa. Estamos quase lá!

sábado, 6 de junho de 2009

PAREÇO MODERNO

Quando o Base 2 me pediu um novo cartaz, fiquei relativamente surpreso. Sei lá porque (na verdade sei...) pensei que não fariam outro comigo. Buenas, a maioria do pessoal que fez cartaz comigo não ficou só no primeiro. Então ou estou no caminho certo ou todo mundo desenvolveu mau gosto...

A primeira coisa que o Pedro Mello (guitarra) falou sobre esse show foi que ele teria um repertório diferente, novas canções de novas bandas. Perguntei se era necessário divulgar isso e a resposta foi positiva. Também colocar o nome das bandas que iriam tocar. Imediatamente comecei a fazer uma arte mais retrô com uma chamada grande estilo propaganda da extinta revista Cruzeiro dizendo "Novo show! Novo repertório!" e mandei pra banda. Gostaram, mas me disseram que queriam algo mais moderno.

Hmmmm... e será que eu sabo ser muuuderno? Coloquei-me diante da tela branca e comecei a pensar o que poderia passar essa sensação. Coisas cleans costumam me passar isso. Ok... isso já estava certo que seria, pois estava limitado a usar duas cores (a banda costuma imprimir uma centena de cartazes e, por isso, pesa o preço na gráfica se eu abusar do colorido). Decidido que o fundo seria branco, rabisquei com um pincel very crazy do Photoshop uns borrões pretos e colei a logo da banda por cima. Depois mandei o mesmo pincel vermelho meio como se fosse aquele desenho feito pelo aparalho de monitoração dos batimentos cardíacos (grosseiramente toscos, claro!) e o resultado me agradou.

Ah, mas eu queria ser mudernão mermo, sabisqualé? Aí lembrei de como gosto de uma poluiçãozinha organizada. Comecei a pegar vários desenhos de projetos, plantas, raio-x e circuitos, destrui todos usando defeitos especiais do Photoshop e comecei a colar uns em cima dos outros. Como curiosidade (e pra alegria dos nerds de plantão) vale a pena dar um close e citar o que tem por ali:


- projeto da USS Enterprise;
- patente de uma guitarra de 1960;
- raio-x do cérebro do Albert Einstein;
- patente do gramophone;
- circuito de um robo;
- projeto de uma câmara pressurizada da NASA;
- 2 circuitos desenhados manualmente;
- projeto de um piano.

Deixei as informações beirando a heresia de um amontoamento, destaquei-as em vermelho e o preço dos ingressos 100% preto (o resto das ilustrações está mais em tom de cinza). Gostei muito do jeito que ficou. Já a logo do Vitrola Bar, estava discutindo isso há alguns dias, por não ser quadrada fica difícil de encaixar na arte. Por isso sempre pensei na utilização dela escondidinha no cantinho do cartaz, mas isso desvaloriza um pouco o local. Dessa vez, resolvi jogar lá em cima de tudo, centralizada e deu certo também.

Então o desenho já estava clean, poucas cores, com uma poluição bonitinha e cheio de referências nerds. Prontinho? Ainda não, Bastião! Preenchi o seu lado esquerdo comuma cascata de rabiscos e, aí sim, me dei por satisfeito! Agora sou moderninho.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

QUASE NO PONTO

Aqui uma série de idéias pra um projeto que não rolou de se fazer um especial pra Bjork em Londrina. Eu assisti alguns ensaios da banda e achei muito bom. A ponto de nem esperar pedirem arte e já ir me adiantando na brincadeira. Infelizmente não rolou o show, mas pelo menos mostro o que fiz.

Na época eu estava ainda desenvolvendo o objetivo de um conceito pro meu estilo de arte. Confesso que até hoje não cheguei no objetivo final, mas já ia tentar dar uma amostragem das teorias malucas publicitárias escamosas nesse cartaz.

"Mas afinal de contas? Qualé o teu objetivo, el escama???". Buenas, a idéia é fazer a arte em si chamar a atenção. Não a atração, não o local e tampouco o preço promocional de um ingresso. Chegará o dia em que farei desenhos tão malucos que deixarei essas informações (incluindo o nome da atração) bem pequeninos num cantinho do cartaz.

"Opa! Opa! Opa! Espééééra ae escamoso! Tu não está sendo arrogante demais querendo que tua arte seja maior do que a atração??? ". Hmmm... sim e não. Sim porque realmente acredito nessa teoria. Cartazes internacionais são assim (ou tu acha que não pesquiso?). Dentro da minha tosquice, me aproximo mais do que é feito lá fora do que aqui no Brasil. E não, não é arrogância porque (já falei sobre isso no blog) se a comunicação chama a atenção a ponto do receptor se aproximar dela para ler a mensagem, conseguimos a tal da interação e ela terá executado a sua missão na Terra.

A intenção pra esse cartazes era captar um pouco da maluquice chique da Bjork. Uma mescla de simplicidade, arrojo, agressividade e doçura. Peguei várias fotos da cantora e mandei ver nos efeitos by Photoshop. Todos viraram desenhos, mas acredito que está evidente de quem se trata. Afinal de contas, o objetivo é se comunicar com o público da Bjork, que já conhece bem as esquisitices de sua musa.

As informações deixei bem pequenas e escritas a mão no mouse mesmo. Fazendo contraste com as imagens (ainda pensando na sensação que a música da cantora islandesa passa). Em cada um dos cartazes escrevi o nome da atração de um jeito diferente. O que mais se aproxima com o lance que falei acima é o colorido, onde deixei "Bjork" pequeno juntamente com o restante das informações. Nos outros dois, caminhei mais pro lado que as próprias imagens me pediram. No primeiro (do olho) usei uma fonte que raramente usaria e deixei ela toda bagunçada. Nesse último, logo acima, coloquei uma mais arrojada porque o resultado final me lembrou mangá (quadrinho japonês).

As três propostas de artes ficaram limpas. Em especial as p&b (preto&branco). Imaginei como se estivesse fazendo um cartaz pra Bjork mesmo. Não o do mega show no Brasil, mas o que ela faz numa cidade da Europa no meio da turnê. Sabe que gostei de fazer um trabalho pra um artista internacional, hehe? Talvez eu comece a desenhar uma série de artes fictícias pra postar por aqui. Vou me divertir bastante!