quinta-feira, 16 de abril de 2009

BOLA FORA!

De todos os cartazes que fiz, esse é o que mais gosto. Infelizmente, ele tem uma história triste e não chegou a ser divulgado.

O pedido chegou meio que em cima da hora por e-mail. O bom e velho "É PRA ONTEM!!!". Pra piorar a situação, seriam dois shows, portanto, a arte seria dividida entre as duas atrações.

Mãos à obra! O primeiro start que me deu foi pelo fato das duas bandas terem animais nos seus nomes (Astronauta PINGÜIM + MACACO Bong). Acredito que fui procurado pela moral recém adquirida com o cartaz do Pedrera (veja post logo abaixo), ou seja, o cliente teria me escolhido pelo conceito que estava tentando passar com minhas artes até então. E qual era esse conceito? Fazer cartazes sem aquela mesmice heróica e agressiva que a gente fica tentado a usar quando se trata de rock. Resolvi então apelar para a fofura e delicadeza dos bichinhos de pelúcia!

Tenho uma teoria de que, se a arte do cartaz for bonita ou curiosa, você pode colocar a informação até em letras pequeninas porque vai cutucar a curiosidade do receptor que se aproximará para ler o que está escrito. E, no momento em que alguém se desloca do seu lugar pra ver a comunicação, ela já conseguiu INTERAGIR com o público. Esse é o pulo do gato! Por isso procuro fazer diferente.

Quando mandei a arte fofurinha, o cliente pediu pra eu tirar os bichinhos e inserir as fotos das bandas. Fiquei arrasado e ofendido! Era minha obra de arte máxima sendo rejeitada! Tentei argumentar, mas não rolou. Então fiz algo de que me arrependo: com má vontade, fiz um cartaz como outro qualquer, com uma combinação de cores feia, com as fotos das bandas e enviei. Tinha esperança de que a luz divina da comparação fizesse o cliente voltar atrás e admitir que o outro trabalho era melhor. Não aconteceu. Ele usou a arte feia (a qual não vou publicar nesse blog, hehe!) e eu queimei meu filme logo após ter feito um pouco de nome pelo trabalho anterior.

Ficou uma lição disso tudo: Se as pessoas me procuram pelas artes que apresento é porque tenho um estilo diferente. Não posso abandona-lo pra agradar o contratante ou pra não perder o trabalho. E não falo isso em tom utópico idealista! Falo porque quando tentei fazer a coisa fora do meu estilo, ficou feia, queimou meu nome porque assinei e, principalmente, não me deu prazer. Trabalhar com arte é trabalhar sorrindo. Se isso não rolar, é melhor deixar o trabalho pra quem possa se alegrar com ele...

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