quarta-feira, 29 de abril de 2009

DEFEITOS ESPECIAIS

Enfim estamos chegando nos cartazes de shows que ainda estão por vir! Tô me segurando e escrevendo um post por dia, senão acabam os trampos e eu fico sem atualizar. Como cada um tem uma histórinha, é muito viciante ficar escrevendo. Espero que esteja sendo tão legal pra quem lê quanto está sendo pra mim.

Preciso dizer qual foi a primeira coisa que o cliente falou quando pediu o cartaz? Um doce de figo para quem chutou em É PRA ONTEM! A minha resposta agora é que esse prazo está se tornando minha especialidade, hehe!

A banda Base 2 está gravando seu disco autoral e tem, como muitas das bandas de Londrina, dois shows com repertórios diferentes na manga. O seu próprio e um tributo pra uma banda famosa. Nesse caso, a banda consagrada é O Rappa.

Ao ver as comunicações anteriores da banda, achei um pouco poluídas. Nada que estragasse, mas um pouco além dos padrões escamosos. Portanto, só pude pensar numa coisa (mais um doce de batata pra quem adivinhar!): FAZER DIFERENTE!

Já estava decidido que seria uma arte clean quando recebi a logo da banda no Corel e não abriu nada aqui (o bom e velho Corel Pau!). Como tinha que resolver em pouco tempo, acabei pegando uma versão jpg mesmo e usando o rastreador do Corel (que transforma imagens em curvas) para poder manipular com mais facilidade. Claro que ficou um pouco prejudicada em relação a original, mas eu tinha segundas intenções para esse cartaz mesmo, então isso veio bem a calhar...

Na onda da logo falhada, procurei a do próprio Rappa nas mesmas condições, fiz o mesmo processo e ficou mais estourada nos pixels ainda. Já falei que gosto da imperfeição? Acho muito mais real, verdadeira e possível do que a idealização da perfeição. Isso reflete diretamente no meu trabalho, afinal de contas, ele é bem pessoal. Nada mais justo do que ser um reflexo de quem eu sou.

Pra não ficar tudo no p&B, acrescentei um pequeno detalhe vermelho: o "X" da capa do último disco do Rappa. A diferença é que esse eu mesmo desenhei no Corel, o que é bem simples, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) foi a parte que mais deu trabalho porque tive que desenhar as falhas e pixels estourados dessa imagem. Cada quadradinho que está ali foi este ser abençoado que vos escreve quem , pacientemente, colocou um por um. Pra piorar mais a qualidade, simulei falhas na impressão. Até a moldura fiz toda nesse esquema.

Pra contrastar com tudo isso, a fonte das informações (LittleLordFontleroy) tem cara de coisa chique e conseguiu dar um ar de respeito pra toda essa sujeira.

Como não utilizei todo o espaço disponível, o resultado final me passa uma sensação boa. Dia desses uma amiga falou que lê os textos aqui e parece que eu sou cliente, hehe! Na verdade sou mesmo. Se não me passar boa impressão a arte, não rola. E, se eu mesmo não gostar do que faço, como é que vou convencer outra pessoa? Não tenho tanta cara de pau assim...

terça-feira, 28 de abril de 2009

ESTILO ROOTS.


Aqui um pedido de arte só pra ser divulgada via web. Nesses casos dá pra brincar um pouco mais com os formatos. Deixei quadrado porque ocupa menos espaço e não precisa rolar a barra pra baixo pra visualizar a comunicação inteira.

Pra variar, pedido "pra ontem!", então nem me deixei levar por possibilidades muito malucas. Nesses casos, prefiro apostar na minha simplicidade mesmo até pra evitar que o cliente estranhe a arte e peça pra mudar gerando atrasos.

Infelizmente não rolou tããããoooo rápido. Inicialmente fiz uma idéia com a lua logo do MamaQuilla, cortada por uma onda que dividia o fundo em duas cores quentes (vermelho e amarelo) e com luzes brilhantes explodindo neles. O Tiago (vocalista) gostou, mas pediu alterações, inclusive uma da qual gostei muito, que era retirar o nome da banda da comunicação. Já que a própria banda ia divulgar via e-mail e orkut pros seus próprios fãs cadastrados, eles já saberiam do que se tratava. Achei ousado, mas com as alterações, nem ele nem eu gostamos. Então decidi recomeçar do zero.

Dessa vez quis deixar bem mais simples mesmo. Utilizei uma cor fria (verde) e pintei os cantos com um dos pincéis artísticos do Corel. Depois levei pro Photoshop e mandei ver num filtro de textura. Ficou parecendo uma parede pintada. Adorei o resultado final dos detalhes brancos nos cantos! Parece que alguém passou o dedo sujo de tinta ali. Cara de pintura rupestre total!

Estava fazendo essa arte seguindo a linha de pensamento sem o nome da banda, mas acabei sentindo falta. Encaixei ele encabeçando tudo e gostei. O cliente até pediu pra ver sem também, mas acabou preferindo com o nome. Ainda bem! Porque ficou melhor mesmo.

Arte rápida, simples e direta. A textura combinou com os elementos tribais da logo que, por sua vez, tem a cara do MamaQuilla mesmo: uma ótima banda que nos surpreende com o peso de sua poesia e arranjos. Deu samba, ou melhor, deu reggae!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN.


Então tu vê a data do cartaz do último post e depois a desse aqui e pensa: "Mas esse el escama parou do postar em ordem cronológica ou então não sabe mais contar!". A verdade é que depois da primeira arte criada e impressa, o Max foi colar o poster no local do show e o dono o convidou pra tocar alguns dias antes, na véspera do feriado de Tiradentes. Logo, esse foi mais um da série de pedidos " é pra ontem!!!"...

Primeiro trabalho que fiz na horizontal. A idéia era dar a mão pro tema do feriado e mandar ver na bandeira mineira. Seguindo os passos do primeiro cartaz, formei o triângulo vermelho a partir da junção de vários quadrados da logo da banda, além de uma bem grandona branca centralizada no meio.

No lugar da frase "LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN" coloquei as informações do show, acrescentando o fato de ser véspera de feriado. O toque final foram as esfinges do Tiradentes q coloquei nos dois lados da pirâmide. Peguei de uma photo e resesenhei utilizando o Corel Trace e depois acertando detalhes manualmente. Adoro fazer esse tipo de coisa!

Uma conversa que rolou durante a rápida finalização desse trabalho, foi sobre a banda pedir pra colocar o nome dos integrantes no cartaz. A não ser que seja uma banda formada por nomes como Paul McCartney no baixo, João Barone na bateria e Lulu Santos na guitarra (porque esses atrairiam mais público pro show), acho desnecessário além de poluição visual pra um meio de comunicação onde a pessoa bate o olho e tem que ler só o que interessa.

Rolou até um certo desconforto com um dos integrantes que quis se justificar argumentando "coloca meu nome pequeno mesmo que ninguém precisa ver", hehe! Então se ninguém precisa ver, não precisa estar lá, né? Só alimentação de ego mesmo. Até numa segunda versão impressa coloquei bem pequenininho o nome dos músicos abaixo do "Matéria Power Trio" meio que zoando "tá feliz agora?", mas não faço isso mais, não! Eu não coloco o bedelho no jeito que a banda toca, então que confiem no profissional da comunicação enquanto ele desenvolve a sua parte, né?

sábado, 25 de abril de 2009

AS VOLTAS DO MUNDO...

Uma honra trampar com o Max! Anos atrás eu visitava Londrina e via ele tocando no finado Vila Pirata Bar com um repertório muito diferente do que rolava na mesmice da época. O baque na minha cabeça de adolescente foi assim: "Ahhh então quer dizer que pode tocar essas que ninguém conhece também...". Influenciou diretamente na escolha do set list da banda que formei em Marília na mesma época.

Deixando as lembranças de lado, o cara voltou a fazer um som com o novo projeto, o Matéria Power Trio, ou simplesmente, MAX & MP3. Chegou pedindo um cartaz e saiu com uma logo, ou seja, dois trampos pelo preço de um, hehe! Bagatela total!

MAX = 3 letras.
MP3 = 3 letras.

Nem precisei pensar muito pra criar a logo. Escrevi e aproximei um pouco as letras. Virou um quadradão! Só dei uma cortada no desenho com o "&" entre as palavras. Simples e direto do jeito que gosto!

Apesar do Max ser muito conhecido aqui na cidade, essa é uma banda nova. Então o lance era fixar o nome mesmo. Me aproveitei do formato quadrado da logo e apenas preenchi o fundo com várias delas em miniatura e num degradê. Gostei de utilizar os tons de azul fora de uma arte relacionada com Roberto Carlos (hehe!) e acho q tem tudo a ver com o músico e sua atual fase.

Rolou a sugestão da gente manter essa arte e ir só trocando as cores pros próximos shows. É uma possibilidade, mas tenho muito o pé atrás com isso porque corre o risco de passar aquela impressão de banda de baile que só usa a mesma arte. Sabe aquele lance de, tentando economizar com gráfica e ilustrador, imprimir milhares de cópias do mesmo cartaz deixando espaço em branco pra preencher depois conforme for fechando datas e locais? Parece uma idéia boa, né? Mas devemos nos lembrar que estamos lidando com uma peça de comunicação que passa a informação de forma muito rápida, portanto, se o receptor já a avistou uma vez, não vai parar pra ver de novo. Usar a mesma arte pra anunciar outro show é pedir pra que a pessoa que veja de relance pense "Esse eu já vi!" e não lhe dê a devida atenção. Um verdadeiro tiro no pé!

O negócio é arte nova pra cada apresentação. Além de mostrar sempre uma renovação na imagem do músico, se os cartazes forem legais, o público comenta e fica esperando pelo próximo imaginando o que virá a seguir. E estar no pensamento da galera mesmo fora do ambiente de show é sempre bom.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

SAUDOSA PIRATARIA!


O MamaQuilla é uma banda muito bacana! Conseguiu, com som autoral, criar um circuito de reggae em Londrina, gravou um disco (Efeito Sintonia, 2005) no Playrecpause Audio Works de forma 100% independente e vendeu todas as unidades da bolacha (acho que foram duas ou três prensagens de mil cópias). Até que, um belo dia, rolou um convite pra tocar num festival bacana ao ar livre com entrada franca no principal parque da cidade e não tinham mais discos pra vender. A solução mais rápida e prática foi se autopiratear com direito a caixinha produzida por este humilde servo do minimalismo que vos escreve!

Decidido que a embalagem seria algo bem simples (até pra baratear o custo final do produto), comecei a pensar na ilustração da capa. Redesenhei a lua estilizada que é a logo da banda e coloquei duas espadas cruzadas logo abaixo como se fosse uma bandeira pirata. Pra contracapa, num toque pessoal escamoso, desenhei um Pula-Pirata, antigo brinquedo dos anos 80 onde o boneco de um piratinha ficava dentro de um barril. O objetivo do jogo era ficar colocando espadas no barril até que uma acionasse o mecanismo que fazia o pequeno tubarão dos mares saltar. Boa lembrança! O desenho ficou como um carimbinho logo acima do nome das faixas.

Para o CD, compramos uma midia branca printável e mandamos fazer um carimbo com a logo da lua. Queimamos as cópias no próprio studio, no computador que continha a master do disco, ou seja, por sair direto da origem, a versão pirata perigava ter uma melhor qualidade do que o original, hehe!

Após impresso, me lembro de ter passado um dia inteiro recortando e montando as caixinhas. Adoro fazer esse tipo de serviço! Me lembra os tempos do estágio que fiz na época da faculdade numa agência interna de uma rede de varejo. Eu fiz de tudo por lá! Pesquisa, atendimento, planejamento, mídia, criação, arte-final... e também coloquei a mão na massa cortando adesivos e montando vitrines pras lojas. Chegava antes das lojas abrirem pra colar cartazes e adesivar vitrines. Foi uma época de que me recordo com carinho, então sempre que rola a oportunidade de fazer esse tipo de serviço manual (recorte, dobra, colagem, etc...) que o pessoal costuma achar chato, prefiro até fazer sozinho. Nem vejo o tempo passar!

A capinha ficou muito simpática e deve ter vendido todas as cópias porque não sobrou nenhuma pra mim. Tudo bem que eu tenho o disco original, mas esse é item de colecionador, né? Buenas, talvez esse trabalho tenha me dado alguns créditos necessários para, tempos depois, ser contratado pra fazer o projeto gráfico do próximo disco da banda que já está pra sair, mas isso é história pra um futuro post...

O link pro myspace do MamaQuilla está aí do lado na sessão EU OVO, TU OVES!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

AI SE SESSÊ!

Mais uma parceria com o Grind Control. No pedido já mandaram "aquele lance: estrelona vermelha que a galera já reconhece na hora!". Eu não sou lá muito fã de repetição,mas depois pensei bem e vi que só tinha usado esse recurso no primeiro cartaz (post DOIS EM UM). No segundo eu deixei ela bem discreta (post ORDEM NO CAOS), então sem problemas! Igual, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), naquela singela filosofia Monty Phyton de ser: uma coisa completamente diferente, hehehe!

Ainda na fissura por texturas e filtros (esse é o último da pequena série), peguei a foto de um tronco de árvore e colei uma estrela nele. Passei por um filtro que deixou ela como se fosse aquela árvore petrificada que quebrou o bico do Pica-Pau! Aproximei a imagem e o fundo ficou parecendo uns rabiscos de pedra com uma grande estrela preta no meio.

Mas queriam estrela vermelha, certo? Despertei o pequeno comunista que deve hibernar em algum canto do meu inconsciente, peguei o pincel do próprio Photoshot e, como se fosse el serelepe pré-adolescente escamoso brincando no Paint, pintei por cima da estrela preta uma grossa camada de rabiscos avermelhados. Estava aí: igual mas diferente!

A fonte utilizada para escrever o nome do Rage Against The Machine é uma utilizada pela própria banda. Deixei a parte das letras vazada para ela se confundir com o fundo. Achei o resultado interessante. Curioso que, dessa vez, nem precisei divulgar o nome do Grind Control. O pessoal aqui já sabe que são eles que fazem esse especial, então só colei o endereço do myspace da banda.

Ah, ia rolar uma abertura com a banda Dig Dig Dig Hempa fazendo, é óbvio, um especial pro Planet Hemp! Até a idéia inicial do cartaz, inspirado nos "defeitos" especiais que aparecem nas entrevistas que o Marcelo D2 dá pro CQC (sempre colocam uma fumaça verde saindo da boca dele, hehehe!) era deixar a fumacinha por trás do nome e invadindo o resto do cartaz. Até tentei, mas o verde não combinou então deixei uma sombra vermelha mesmo pra referência (que, em nome de Inri! Só eu e Andy Kaufman entendemos essa piada...).

Agora a parte triste da história: a banda quis economizar no custo dos cartazes e imprimiu em p&b. A estrela vermelha (lembra da única exigência?) virou um massaroco cinza e simplesmente desapareceu! O que era destaque se confundiu com o fundo e matou o cartaz. Confesso ter um pouco de culpa nessa jogada, pois mesmo sem ter me avisado que existia a possibilidade de soltarem a arte nos tons de cinza, eu deveria ter mandado uma versão alternativa em p&b. Era só deixar a estrela 100% branca que ela voltaria a ter destaque. Fica a lição pros ilustradores novatos (dos quais eu faço parte...) sempre mandarem duas versões de seus desenhos: a colorida e a p&b. Para que assim sua obra não seja maculada com o desgosto pessoal de ver seu cartaz numa parede e, ao mesmo tempo, não ver nada. Uma pena! Ai se sessê colorido ia ficar tããããooo lindo...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

FONTES NOBRES

Ainda na série dos que utilizo filtros e texturas, temos o cartaz d'Os Generais fazendo um show só com repertório do Pearl Jam.

Teria que colocar obrigatoriamente na arte a logo da banda (Os Generais), o bonequinho do Pearl Jam e a informação de que os primeiros que comprassem o ingresso ganhariam um disco. Isso sem falar da logo da produtora, local, data, preço, horário...

Num fundo verde claro, já matei 3 das obrigações: a logo da produtora apresentando o show bem pequenina encabeçando tudo, a boa logo d'Os Generais e o boneco do homenageado. Metade do espaço já estava ocupado, faltava ocupar a outra!

Tentei escrever "Pearl Jam" com várias fontes, inclusive algumas que a própria banda utiliza nos seus discos, mas achei que não combinava com o clima que queria pra arte. Então usei uma fonte a qual nunca pensei que iria recorrer: Lettres ombrees ornees, um daqueles tipos de letras que a gente utiliza só como primeira de uma primeira palavra numa história pra dar aquele ar de nobreza, sabe? Bem tipo "Era uma vez...". Escrevi o nome todo da banda nessas letras garrafais, mas ainda assim não estava lá muito contente com o resultado, pois ela era muito vazada.

Distribui o restante das informações com a You are loved, uma fonte bagunçada pero bonitinha que muito me agrada com uma disposição irregular tanto no tamanho de cada uma das informações como na centralização delas e novamente joguei o "ar de nobreza" pra destacar local do evento.

Primeira fase completa! Mas, como disse lá em cima, ainda faltava alguma coisa. Tomado pela empolgação com os recentes experimentos com filtros, levei a arte toda pro Photoshop. Adicionei ao fundo verde uma textura de papel velho que, vira e mexe, utilizo e ainda joguei um filtro que escurecia o desenho. Bingo! O fundo ficou com uma cara bem suja e as letras se destacaram. Em especial a do Pearl Jam que não estava me agradando tanto. Os detalhes dela escureceram e valorizaram a fonte, somando ao ar de nobreza um toque bem classudo.

O pessoal falou bem desse cartaz também. Eu sempre gosto, mas nunca sei o que esperar da galera. Acho que o estilo escamoso,aos pouquinhos, vai agradando. Que bom!

terça-feira, 21 de abril de 2009

BRUTAL EXPRESS

A partir do último cartaz do Pedrera, começo a mexer muito com filtros e texturas do photoshop. Esse é o segundo de uma pequena série...

Eu tinha passado um mês fora da cidade e, quando retornei, tinha uma galera desesperada me procurando pra fazer uns trabalhos (pô... é só me mandar e-mail que eu faço de onde estiver!) e esse, em especial, estava na situação "Peloamordedeus faz logo a arte que preciso pra daqui a pouco!!". Apesar do desespero, confiança no ilustrador e carta branca pra arte.

Plaid Shirt: Banda com repertório indie rock, não precisava soar heróica a imagem. O que combina com a tal da simplicidade visual que tanto defendo. Desenhei no Corel várias bolas de tamanhos e desenhos ligeiramente diferentes (meio baseados no escudo do Capitão América, hehe!), distribui a bagunça numa tonalidade vermelha, levei pro Photoshop onde apliquei um filtro de mosaíco e voilà! Um fundo bem relax! De longe, ficou parecendo um tipo de tapete. Gostei!

De volta ao Corel, o nome da banda fica com um vermelho vivo e deixei o contorno pra destacar do fundo de mesmo tom. A fonte (Titania) me passa uma impressão feliz, pop! Somando isso com a disposição inclinada e o fundo, a arte ficou com cara de anúncio de, digamos, refrigerante ou chiclete, ehehe! Achei bacana colocar parte das informações na diagonal. É um recurso que eu deveria utilizar mais, pois visualmente fica interessante e otimiza o espaço da peça sem agredir a ilustração. Devo estar fazendo mais dessas coisas daqui pra frente...

Buenas, mais um cartaz que saiu do forno rapidamente! Vou falar algo que talvez me arrependa mais adiante, mas gosto de trabalhar com esses prazos apertados. Tudo bem que é sempre bom ter tranquilidade pra ficar voltando e olhar pra arte novamente, ver onde pode melhorar e tals. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), às vezes, é legal não ter esse tempo de ficar inventando muita coisa, o que acaba resultando num desenho mais bruto e instintivo, menos lapidado. Lances assim me atraem! Gosto de ser mais emocional nesse ponto. O coração sempre agradece!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

RABISCOS DE BORRACHA

Terceiro show do Pedrera, terceiro cartaz escamoso! Dessa vez o show não tinha um tema ainda definido e, de novo, carta branca pra criação. Pensei então em dar uma fixada na logo da banda que fez sucesso no último cartaz (veja post BOLA DENTRO!) com uma arte inspirada nele, porém diferente.

Curiosamente não utilizei o Corel para nada nessa arte. Só Photoshop mesmo (meu auge será um cartaz feito no Paint, hehe!). Lembro de ter um amigo na sala quando comecei a rabiscar uma tela vazia. O cara deve ter pensado que eu sou maluco! Na verdade, era o fundo que você vê aí. Depois, com o auxilio do velho e bom dedinho do photoshop, distorci a logo da banda.

As informações eu mesmo escrevi com o mouse. Usei a letra de mão que fazia lá pela terceira série. Acho bacana fazer assim. Quando falei de fazer uma futura arte no Paint, não estava brincando. Ainda vou fazer um cartaz com um desenho qualquer e as informações (incluindo o nome da banda) bem pequeninas pra não atrapalhar a arte. Isso segue aquela linha de pensamento comentada em um outro post, de fazer o receptor se aproximar pra ler do que se trata.

Dois filtros foram utilizados depois: um que deu as cores laranja e roxa e, finalizando, o de plastificação que deixou essa textura emborrachada com iluminação central.

Gostei desse porque ficou simples (complicado é ser simples!), no fim das contas, a banda montou o palco com uns fios parecidos com os rabiscos do fundo. Nem perguntei se foi inspirado na arte, mas ficou legal! Mais uma vez link direto entre arte e show. Ótimo!

domingo, 19 de abril de 2009

TRAÇO FINO


Taí a capa do EP que o Grind Control lançou ano passado. Os caras me deram carta branca pra criar e eu, em troca, pedi as músicas pra ouvir. É o mínimo, né? O ilustrador tem que descobrir a essência do artista. Por me considerar mais um pesquisador musical do que qualquer outra coisa, acredito que sou razoavelmente bom nesse setor.

Fiz vários desenhos no photoshop. Todos daquele jeitinho que gosto: manualmente com o mouse! A banda mistura hardcore e rap, então fiz um traço tremido que deixava as ilustrações mais "nervosas". Utilizei a ferramente pincel com o traço grosso mesmo, mas fiz os desenhos bem grandes. Depois diminuia bastante o tamanho deles e o traço afinava, dando impressão que desenhei com uma caneta mesmo.

Seguindo a idéia do traço tremido, criei uma moldura no mesmo estilo. O desenho da capa é bem simples. Apenas uma cabeça de perfil (se reparar dá pra ver um rosto de cada lado) com um rabiscão representando o cérebro. Para o nome da banda, continuei com a fonte que já vinha usando nos cartazes dos shows, Barbies Jalous Sisters, levemente modificada (sobrepus algumas vez um nome sobre o outro).

Segue a contracapa:


Aqui usei a mesma moltura, mas com uma espécie de teia separando as informações (nome das músicas, ficha técnica e contatos). Os personagens representando a banda, no ínicio, era apenas um desenho de um carinha andando com um casaco, de boné virado e seu fine de ouvido (é o último da fila), mas quando o Rosa (vocal) viu, gostou e pediu pra eu fazer mais três que caracterizassem o pessoal do grupo. Modifiquei os elementos da cabeça, cada um com seu estilo de chapéu e, o Rosa, com seu caracteristico dread. Além disso desenhei os instrumentos deles.

Ah, uma curiosidade! O desenho era de fundo preto com os traços brancos. A pedido do Sidão (baixo), inverti as cores e o resultado nos agradou bem mais. Mas mantive o fundo preto na bolachinha, como você pode ver a seguir.



No miolo, informações básicas como nome, e-mail e myspace da banda. Os caras fizeram questão de colocar a origem deles (Londrina-PR) e inseri três lâmpadas seguindo o traço de todo o projeto gráfico. Na impressão do CD mesmo os desenhos não ficaram brancos, e sim, vazados. Portanto ficou prateado (como é o disco antes de silka-lo).

Pra conferir o som pesado e cheio de atitude do Grind Control, é só clicar aqui e acessar o myspace dos caras.

sábado, 18 de abril de 2009

ORDEM NO CAOS.

Esse era pra ter sido utilizado antes, pro show anterior da banda. Mas era aquele das duas noites com dois repertórios (veja post DOIS EM UM). Achei que estragaria a arte aquela overdose de informação e resolvi guarda-la para quando o Grind Control fosse fazer apenas um show.

Até então a banda vinha fazendo seus cartazes por conta própria e, em todos, utilizaram capas dos discos do Rage Against the Machine. Quase sempre com fundo preto dando aquela impressão de rock band from hell. Certo! De uma coisa eu tinha certeza: a minha arte seria branca!

Seguindo a linha da utilização das capas do Rage Against, redesenhei no Corel o homem pichado no disco The battle of Los Angeles (1999). Novamente teria que me virar com um tanto razoável de informes (nomes da banda, do homenageado e do show, myspace, data, horário, preço, local e endereço), o que me deixou um pouco grilado.

Comecei encaixando o desenho na borda irregular que criei. Uma borda serve pra limitar até onde seu desenho poder ir, certo? Errado! Como a arte era basicamente p&b, qualquer detalhe de outra cor se destacaria. Utilizei então o vermelho e, tudo o que estivesse dessa cor, teria a "liberdade" de ir além das fronteiras impostas. É preciso tomar cuidado pra não exagerar na quantidade de "privilegiados" senão eles deixam de ser detalhes. Destaquei então apenas o nome da banda, a palavra "TRIBUTO" e a onipresente estrela vermelha (desta vez desenhada manualmente no mouse por este que vos escreve... adoro fazer essas coisas!).

Como a capa do disco é bem conhecida pelo público, apostei que ela falaria por si só e o nome da banda homenageada não precisaria aparecer em grande destaque para que ligassem uma coisa a outra (até porque, vamos concordar, Rage Against the Machine é um nome bem comprido!). Então destaquei só a palavra "RAGE" e o resto coloquei pequenininho, como se fosse uma tira de papel colada po cima da palavra. A fonte utilizada foi a Got heroin?.

Ainda inspirado na sujeira da fonte, construi uma espécie de divisória torta pras informações da festa e sujei o cartaz inteiro, simulando falhas na impressão. Me agradou bastante a utilização desse recurso!

Uma coisa que fiz nesse desenho e que não costumo nem recomendo que façam foi a utilização de QUATRO fontes diferentes. Geralmente isso deixa tudo bagunçado, mas como o conceito dessa arte tinha esse lance de caos, sujeira, pichação, acredito que não agrediu a comunicação.

Me lembro de ter recebido alguns elogios por esse trabalho. Gostei de ter conseguido dar uma cara rock sem precisar de trevas e escuridão. Adoro a combinação de preto, vermelho e branco. O difícil é saber se gosto porque realmente combinam ou porque são as cores do meu time de coração, São Paulo Futebol Clube, hehe!

VAMOS COLORIR?

Mais um da série "esse foi um dos que mais gostei de fazer", porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) se livrou da maldição de não ver a luz do dia, hehe! Foi impresso pra valer!

É importante começar dizendo que estou fazendo o projeto gráfico do disco do Gabriel Feijó & Colher de Chá, portanto, o cartaz tem elementos que estarão presentes no encarte da bolacha. No caso é o desenho da colher com asas e a fonte escrita à mão no mouse.

Além de cantar e escrever canções muito legais, o Gabriel também é professor de educação física na APAE. Quando me pediu o cartaz, comentou que seria legal poder imprimir várias cópias do mesmo em folha A4 e dar para os alunos da escola pintarem. Deixando um espacinho pro nome do mesmo e da professora.

Achei a idéia sensacional! Decidi que o elemento a ser pintado seria a própria colher de chá e inclui um pequeno lápis preenchidocom a frase "PARA COLORIR". No fundo, colei uma página inteira do mestre Will Eisneir e fiz uma grande bagunça com vários quadrinhos antigos: Flash Gordon, Capitão América, Mandrake, Dick Trace, Peanuts, Asterix, Pererê, Tintim e Corto Maltese dão as caras por ali. Meu carimbo também se infiltra entre os personagens.

Como grande fã de HQs, não posso negar que foi emocionante trabalhar nessa arte. Além disso, o resultado me deixou muito satisfeito mesmo! O Gabriel me repassou elogios das professoras que me deixaram extremamente feliz também! Infelizmente não cheguei a ver nenhum dos cartazes coloridos pelas crianças. Seria muito legal...

Quanto ao disco, postarei o projeto gráfico por aqui assim que for lançado!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

COMO DOIS E DOIS SÃO CINCO.

Antes que o leitor do blog pergunte: "Mas será que esse el escama tem fixação pelo Roberto Carlos?!?", quero lembrar que na história narrada no último post, eu falo que rolou uma proposta para utilizar aquela arte do RC666 num outro especial com bandas tocando clássicos do Rei. Então esse é o cartaz que fiz pra essa parada, hehe!

O culpado pelo evento era o finado programa da Rádio Univerdade do qual tive a honra de participar da produção por alguns meses, o Trem das Onze. De tempos em tempos, organizavam uma festa temática sobre algum músico ou grupo e convidava as bandas para mostrarem suas interpretações sobre a obra do homenageado.

Por se tratar do Roberto Carlos, não dá pra fugir muito do azul e branco. Desenhei a esfinge dele me baseando na capa do disco de 1972 e inseri o nome das bandas participantes debaixo dos caracóis do seu cabelo (pãtz! Eu sei que essa foi péssima,mas não resisti. Sorry!).

Utilizei uma fonte que me remete muito a anos 7o pra chamada do "ESPECIAL ROBERTO CARLOS" e foi só isso mesmo! Simples de tudo. Se as capas dos discos do Rei, entra ano e sai ano, são todas iguais, quem sou eu pra cometer a heresia de acabar com a tradição?

OBS: Acabei não gostando do local onde ficou o meu carimbo. Deveria ter pensado numa solução melhor.

RC666

Esse é outro dos que mais gosto de ter feito e, pra variar, também acabou não rolando...

O projeto RC666 era uma banda de releituras das canções do Roberto Carlos que eu armei com alguns amigos. Chegamos a ensaiar algumas vezes, mas um motivo de força maior nos fez abandona-lo. Cheguei a divulgar essa ilustração na época que os ensaios começaram mesmo, mas só no meu orkut, sem muito auê.

A idéia pra um cartaz impresso seria exatamente a mesma, mas no lugar do "AGORA VAI!" teria a data do show e o "AGUARDEM." seria substituido pelo local.

E a intenção era mostrar só isso mesmo! Nenhuma outra informação sobre do que se tratava seria adicionada. Se a pessoa não batesse o olho e linkasse o desenho imediatamente com o Rei Roberto, ela automaticamente não mereceria assistir a apresentação.

Afinal de contas, fundo azul clarinho, cabelo comprido com franjinha, pedestal inclinado, camisa azul e blazer branco... DO QUE MAIS PODERIA SE TRATAR??? Ainda coloquei um coração coroado com as iniciais "RC" lá embaixo. Essa tava bico de descobrir!

Na época até rolou um contra-argumento dos amigos de que poderiam pensar se tratar de um show do verdadeiro Roberto Carlos, mas como a apresentação seria num bar de médio porte da cidade onde tradicionalmente são executados shows-tributos, esse risco anulou-se.

Espero um dia poder utilizar essa arte. Até rolou uma proposta de eu ceder ela pra um especial com várias bandas tocando Roberto, mas preferi guardar pro caso de uma possível volta aos ensaios da RC666.

DOIS EM UM.


O Grind Control é uma banda com duas facetas: toca suas próprias composições e também tem na manga um show só com covers do Rage Against The Machine. O pepino que me deram foi o seguinte: iriam tocar dois dias seguidos no mesmo local, mas utilizando um dos repertórios a cada noite. Eu precisava divulgar ambos no mesmo anúncio.

Fui pesquisar máscaras de teatro grego. Aquelas divididas simétricamente onde uma metade sorri e outra chora. Queria vender "as duas faces do Grind Control". Desenhei uma e a coloquei num fundo preto. Como a máscara era P&B (preto e branco) também, ela se mesclava ao fundo resultando numa arte interesante.

Mostrei pro Rosa (vocal) e ele gostou, mas levantou a questão de deixar mais evidente a separação das duas noites, principalmente pelo fato de que, na primeira, o 220skabar estaria abrindo o show. E mais: o tributo ao Rage Against deveria ter mais destaque que o autoral, o que me criou um problema já que o espaço de anúncio para DUAS atrações (e que teria mais a informação do título da festa) seria menor do que o destinado para apenas uma. O pepino se transformava em abacaxi...

Decidi começar uma nova arte do zero mesmo. Separei a página em "metades" branca e preta para diferenciar as noites. A separação foi em formato diagonal e ainda zoei a divisão como se fosse tinta esparramada ou ainda o simbionte-parasita-alien negro que foi uniforme do Homem-Aranha por um tempo e depois virou o Venon (adoro usar aquele efeito do dedinho do photoshop, hehe!).

Feito o fundo, comecei o desenho na "parte fácil" que era a mais espaçosa. O Rage Against tem como símbolo a estrela vermelha. Então coloquei uma bem grandona pra se destacar num fundo p&b e escrevi o nome da banda em letras garrafais. Pronto! Estava dado o maior destaque pra uma das noites!

No espaço menor, destaquei a "noite do ska e hardcore" com o mesmo vermelho da estrela e acrescentei um All Star surradão meio que surgindo da tinta preta. Pra fazer o All Star utilizei outro recurso que adoro: peguei a photo do tênis e fiz o rastreamento por bitmap (q transforma imagens em desenhos com curvas pro CorelDraw). Coloquei a informação toda na diagonal pra diferenciar do "outro cartaz" que era a noite seguinte, e assim, terminei de montar o quebra-cabeça.

Gostei do resultado porque eu tinha medo de cair naquele lance do cartaz rock'n'roll que tanto fujo. Acabei fazendo um com minha cara simples: uma espécie de poluição limpa ou agressão educadinha, hehe! A utilização de apenas 3 cores ajudou nesse sentido. Afinal, rock não é carnaval, né?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

VINTAGE CIBERNÉTICO

Esse foi só pra anunciar no orkut mesmo. A nova banda do Paulo Mopho estava estreando e fui requisitado pra missão. De cara, pensei em fazer apenas uma moita em homenagem à Verafisher. Mas depois resolvi que uma estréia merecia um entregador de jornal gritando "extra!" e fui procurar imagens de um paperboy na net. Então encontrei algo que acendeu aquela memória lááá do fundo do baú neural escamoso: imagens do Paperboy, um game em que el pequeno e serelepe escama era viciado e passava os dias jogando no seu 286, tela amarela e preta do tempo em que fazer curso de MS-DOS era moda!

O enredo do jogo era de um entregador com sua bicicleta pelas ruas da cidade atirando jornais, e assim, saciando a fome das pessoas por informações matutinas. Era necessário possuir boa mira e jogar na porta da casa ou na caixa do correio. Acertar e quebrar as janelas da vizinhança valia também, mas tirava pontos...

Como sei que o Paulo também é nostálgico (mesmo que não tenha conhecido o jogo), imaginei que ele acharia bacana a imagem toda explodida em pixels enormes e arrisquei. Deu certo!

Tentei várias cores diferentes para a palavra "estréia" e a letra "&". Nenhuma me agradou (nem ao Kreo Fidélis, amigo pra quem eu estava mostrando as opções na hora) até q me resolvi num amarelo quase branco de tão apagado.

No fim das contas, combinou o clima nostalgia mesmo. Até porque eu compareci no evento e as duas bandas exumaram muitos clássicos de épocas remotas da história do rock'n'roll. Oh, yeah!

IS WE IN THE TAPE!

A frase "O escama é rápido e resolve!" começou a se espalhar pela cidade. Com esse slogan ficaram comuns pedidos do tipo "estou indo pra gráfica daqui meia hora!". Esse foi um caso assim. O cliente chegou com a idéia meio formada e até com o modelo da fita K7 num CD. Já queria levar a arte dali cinco minutos.

Buenas, fiz o cara esperar pelo menos meia hora. Tem que valorizar o trampo, né? Senão vão pensar que é fácil demais e não vão pagar o valor pedido, hehe! Não utilizei o desenho que ele me trouxe. Eu mesmo desenhei a fitinha vermelha e preta que se destacava no fundo de tons amarelo simétricos. Fiz esse chapadão simples me baseando em anos 80 (por causa dos K7s).

Na parte informativa usei os símbolos do masculino e feminino pra destacar a diferença do valor dos ingressos e otimizar o espaço que era pequeno. Pena que não rolaram mais festas com essa diferença de valores. Gostei de separar assim!

Como fiz o serviço rápido (pra variar!), o slogan se fez valer e o cliente voltou pra fazer cartazes de suas outras festas.

Sobre esse lance de agilidade com os prazos, eu trabalhei por anos como ilustrador numa editora onde todos os prazos eram "pra ontem" e adquiri uma certa velocidade pra desenhar. Soma-se o fato de que meus cartazes são todos muito simples, sem grandes técnicas revolucionárias de ilustração e blábláblá. Então acabo sendo tão rápido quanto um atendente de McDonalds mesmo, hehe! Quando me perguntam em quanto tempo entrego o desenho, já respondo que se o cara aceitar a primeira proposta que eu mandar é no mesmo dia. Conforme ele for pedindo alterações (sempre rola um pitaquinho ou outro do cliente) vai demorando mais.

JAI GURU DEVA. OM.


Passei o fim de semana em Marília-SP e, no momento em que voltei pra Londrina, recebo um scrap do Paulo Mopho, meu amigão e parceiro musical da vida, falando que gostaria que eu fosse testemunhar o show solo dele lá por aquelas bandas na mesma semana. Eu não poderia comparecer, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) resolvi mandar um cartaz de presente pro rapaz fazer sua divulgação via orkut.

Por ser uma comunicação virtual, optei por um formato quadrado. Como o repertório do show era formado basicamente de músicas dos Beatles, apenas desenhei a silhueta dos quatro mestres atravessando a rua na clássica capa do Abbey Road (1969) e acrescentei um quinto elemento entre eles. Como o Paulo não anda fazendo muito cooper e treina mais a arte do levantamento de copo, acabou desenvolvendo uma charmosa forma arredondada (mas o cara faz sucesso com a mulherada, hehe!) e me aproveitei disso para caracteriza-lo na arte.

Detalhe de referência: a inspiração da mão levantada com o clássico sinal do hang loose veio do filme Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000) na cena onde um roqueirão cabeludo vai na loja de discos e convida o personagem interpretado por Jack Black pra ensaiar com sua banda. Ao final da conversa, o cara saí da loja e apenas levanta o braço com o sinal. Hilário!

Arte simples, rápida e limpa. O Paulo deve ter curtido porque me pediu uma versão pra impressão e depois me disse que rolaram uns elogios. Também gostei!

Ah, tem o myspace do Paulo na sessão "Eu ovo,tu oves!" aí no lado. Confira porque vale a pena!

BOLA FORA!

De todos os cartazes que fiz, esse é o que mais gosto. Infelizmente, ele tem uma história triste e não chegou a ser divulgado.

O pedido chegou meio que em cima da hora por e-mail. O bom e velho "É PRA ONTEM!!!". Pra piorar a situação, seriam dois shows, portanto, a arte seria dividida entre as duas atrações.

Mãos à obra! O primeiro start que me deu foi pelo fato das duas bandas terem animais nos seus nomes (Astronauta PINGÜIM + MACACO Bong). Acredito que fui procurado pela moral recém adquirida com o cartaz do Pedrera (veja post logo abaixo), ou seja, o cliente teria me escolhido pelo conceito que estava tentando passar com minhas artes até então. E qual era esse conceito? Fazer cartazes sem aquela mesmice heróica e agressiva que a gente fica tentado a usar quando se trata de rock. Resolvi então apelar para a fofura e delicadeza dos bichinhos de pelúcia!

Tenho uma teoria de que, se a arte do cartaz for bonita ou curiosa, você pode colocar a informação até em letras pequeninas porque vai cutucar a curiosidade do receptor que se aproximará para ler o que está escrito. E, no momento em que alguém se desloca do seu lugar pra ver a comunicação, ela já conseguiu INTERAGIR com o público. Esse é o pulo do gato! Por isso procuro fazer diferente.

Quando mandei a arte fofurinha, o cliente pediu pra eu tirar os bichinhos e inserir as fotos das bandas. Fiquei arrasado e ofendido! Era minha obra de arte máxima sendo rejeitada! Tentei argumentar, mas não rolou. Então fiz algo de que me arrependo: com má vontade, fiz um cartaz como outro qualquer, com uma combinação de cores feia, com as fotos das bandas e enviei. Tinha esperança de que a luz divina da comparação fizesse o cliente voltar atrás e admitir que o outro trabalho era melhor. Não aconteceu. Ele usou a arte feia (a qual não vou publicar nesse blog, hehe!) e eu queimei meu filme logo após ter feito um pouco de nome pelo trabalho anterior.

Ficou uma lição disso tudo: Se as pessoas me procuram pelas artes que apresento é porque tenho um estilo diferente. Não posso abandona-lo pra agradar o contratante ou pra não perder o trabalho. E não falo isso em tom utópico idealista! Falo porque quando tentei fazer a coisa fora do meu estilo, ficou feia, queimou meu nome porque assinei e, principalmente, não me deu prazer. Trabalhar com arte é trabalhar sorrindo. Se isso não rolar, é melhor deixar o trabalho pra quem possa se alegrar com ele...

BOLA DENTRO!

Segundo show do Pedrera. Apesar dos bons comentários em relação ao primeiro cartaz, achei que eles fossem fazer o do próximo show com outro camarada. Por isso me surpreendi quando o Júlio (vocal) me deu carta branca para fazer a nova arte.

Com o pedido encomendado, o pensamento inicial que me veio na cabeça foi fazer exatamente o contrário do primeiro cartaz-jornal que continha muita informação. Dessa vez seria o nome da banda, local e data. Minimalismo total! Ares da pop art me inspiraram no modo como o nome da banda se encaixaria meio que não cabendo no espaço. Apertei o Pedrera que já tinha escrito no bumbo da bateria do outro cartaz. E, mais uma vez, por acidente, acabei criando a logo que a banda adotou e utiliza até hoje.

Ah, dei sorte de estar presente numa reunião onde os integrantes estavam decidindo quais seriam o figurino e cenário da apresentação e acabei ouvindo que se vestiriam de branco com bolinhas pretas. Eureka!

Ainda com o toque angelical de Mr. Andy, o papa pop, comecei o desenho com a idéia do fundo branco com as bolas pretas e a logo formada por bolas brancas. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) o meio do caminho (quando a logo ainda estava pretona) se mostrou muito mais funcional e interessante. O Julião veio espiar o andamento do trampo no exato momento em que eu estava admirando e analisando se realmente ficaria mais bacana e soltou o profético "Pode parar! Já está pronto o cartaz!". Era o que eu precisava ouvir.

Acabei acrescentando alguns detalhes charmosos:
1) a bolinha vermelha separando a data do show;
2) a minha logo se infiltando entre as bolas pretas.

Também é muito legal o efeito visual de que, quanto mais a pessoa se afastar do cartaz, os pontos pretos se unem com o branco formando um fundo cinza e destacando ainda mais o nome da banda. Ou seja, quanto mais longe, melhor o receptor da mensagem recebe a informação.

O resultado final ficou bem bacana, a banda gostou e ouvimos vários comentários elogiosos! Acredito que, a partir desse trabalho, pontuei de vez meu nome entre os ilustradores musicais da cidade.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

CLIP ART RUPESTRE

Quando o Leandro Joílson (idealizador do projeto) entrou em contato comigo, era pra fazer só a logo da sua banda de soul-samba rock.
Segundo o dicionário, Criologia é o "conjunto de disciplinas científicas e técnicas relacionadas com as baixas temperaturas". Saca criogenia? Então segue a viagem por aí mesmo!

Decidi usar uma fonte bonitona e classuda pelo lance científico da coisa. Ao mesmo tempo tem esse lado da soul e black music e o link com a palavra crioulo. Utilizei a fonte Coventry Garden e alterei com pequenos "detalhes tribais" na letra "i" e na letra "o" tentando deixa-la parecida com os olhos de um tigre. Lá em cima de tudo, acrescentei uns músicos em forma de pinturas-rupestres-made-in-clip-art (mas deixo claro que fui eu mesmo que os desenhei, viu?)

A logo foi aprovada e, em seguida, veio o pedido pro cartaz do show de estréia. Como o local do show também estava iniciando atividades, me exigiram destaque pro fato do local de ter 3 ambientes e pro seu endereço. Achei justo, mas com tanta informação, decidi não poluir no visual. Acabei montando uma espécie de palco com os músicos de clip art rupestre da própria logo e usei como marca d'água no fundo. Bem simples mesmo!

EXTRA! EXTRA!

Grande show de retorno da banda Madera (agora com a alcunha de PEDRERA). Como a banda tinha feito história na região de Londrina-PR nada mais justo do que a manchete de um tablóide.

Esperei a banda me enviar photos por mais de um mês. Até que chegou o dia de apresentar o cartaz e ainda estava sem as imagens. Em cinco minutos fiz um desenho dos integrantes só pra ter o que ilustrar na apresentação da idéia e não é que os caras gostaram? Ficou o desenho mesmo!

Escrevi o texto das duas "reportagens" comentando o retorno da banda, falando sobre sua importância histórica pra cidade e ainda instigando a curiosidade sobre o novo show. Rola ainda uma participação especial do Padre Quevedo nessa arte, hehehe! Abaixo seguem os textos das matérias completos:


Idade da pedra
Banda apresenta novo show no Valentino dia 08/06

Era uma vez uma banda que fez história na cidade...
Com três quartos da sociedade de longa data e reforçados por um toque feminino, o palco do Valentino (onde se apresentaram tantas vezes no passado) receberá novamente, porém pela primeira vez, toda a energia do Pedrera. Julio Anizelli (voz), Angelo Galbiati (guitarra), Sara Delallo (baixo) e Luciano Galbiati (bateria) prometem incendiar o público que, porventura, resolver prestigiá-los no domingo e garantem que agora voltaram pra ficar mesmo. “Nossa casinha de palha foi levada pelo vento. A de madeira caiu. Nós construímos essa de pedra que é mais forte e resistente.”, diz o vocalista que nos revelou também um inusitado plano B: “Se ainda assim não der certo, nos restará uma chance de fazer uma de ferro e virar a banda Ferrera ...”
E as novidades, com certeza, não ficam por aí.
Quando indagados se o tempo parado não os enferrujou, respondem que só os fez melhorar. Inclusive como amigos. Certo! Antigos companheiros, do trio masculino podemos esperar por isso mesmo. Mas como fica a nova integrante do sexo oposto que assumiu (com todo trocadilho do mundo) a verdadeira pedreira do contra-baixo? Certamente a tranqüilidade de uma excelente instrumentista com experiência de sobra no palco. Sendo assim, sobra a expectativa do público em relação ao cenário e figurino, uma vez que o visual costumava ser um atrativo à parte e diferencial do quarteto. “Pode ter certeza que vamos inventar algo, mas será surpresa.” Só nos resta esperar pra conferir. Pra quem nunca viu a banda, finalmente a chance de testemunhar algo que, provavelmente, já cansaram de ouvir falar. Pra quem já conhece, chegou o momento de matar a saudade. O dia 8 de junho promete muito. Até lá!


Músicos confirmam repertório e participações virtuais

Quem pensa que vai assistir um repeteco do show que a antiga formação costumava fazer, terá uma grata surpresa no Valentino. Conhecidos pelos repertórios sempre criativos e ecléticos que misturavam Classic Rock com MPB, peso de guitarras com suavidade, além de interpretações agressivas com uma doce pitada psicodélica, os músicos do Pedrera atualizaram o set list e apresentarão para o público londrinense novidades como releituras para canções de Itamar Assumpção, Karnak, Frank Zappa, Zeca Baleiro e Pato Fu. Mas e quanto aos antigos admiradores? Não vão ouvir absolutamente nada para relembrar os velhos tempos? “Claro que não deixaremos esse pessoal na mão! Vamos tocar alguns clássicos dos Mutantes, Beatles, Secos & Molhados, Jethro Tull, Alceu Valença e até Patife Band que nós sempre gostamos”, explica Luciano. “Só não queremos fazer exatamente o mesmo show de anos atrás pra não cair na mesmice. A gente evoluiu de lá pra cá.” Além das novas músicas, existe um mistério sobre as possíveis participações especiais que o show “Idade da Pedra” pode trazer para dividir o palco com a banda. Tudo indica que as serão manifestações ectoplasmáticas, ou seja, os convidados estarão e, ao mesmo tempo, não estarão ali. Complicado de imaginar? Pois é! Quem viver, verá. Ou não.

+ SIMPLES DO QUE FAZER MIOJO.

Bem-vindo(a) ao meu mundo de teorias absurdas!

Meu nome é Victor Emmanuel, publicitário, moro em Londrina-PR e este é meu novo blog.

Assino os trabalhos como el escama, o primeiro nickname que utilizei numa era pré MSN, quando a internet não era tão popular e os blogs nem sonhavam em existir.

Aqui vou comentar sobre meus trabalhos. Engraçado que quando me mudei pra Londrina (pouco mais de um ano atrás) estava correndo da publicidade, ilustrações e todos os seus eteceteras. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) acabei encontrando um nicho que juntou a minha paixão por música com meus trampos e me redescobri como aquilo que sempre fui. Como diria o meu astrólogo de plantão:

"eu tentei correr de mim
mas pra onde eu ia
eu tava
quanto mais eu corria
mais pra perto eu chegava"


Num mundo onde todo mundo tenta fazer uma arte heróica e agressiva (falando principalmente em relação a capas de discos e cartazes de shows) eu resolvi bater na tecla da simplicidade. Não sou um ilustrador nato, mas procuro me destacar pela diferença. Beiro a tosquice e até gosto dela. Menos é mais e a complexidade está na simplicidade mesmo!

Estou postando os trabalhos em ordem cronológica, então talvez demore um pouquinho até chegar nos atuais. Vamô que vamô!