sexta-feira, 24 de agosto de 2012

GOOD VIBES!

Já tinha um tempo que eu não fazia uma arte pro MamaQuilla. Na real, acho que desde o disco (vide post FORTES ELEMENTOS) os caras não me chamaram pra mais nada. Até aí normal. Já falei que acho até saudável variar no responsável pela identidade visual, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) a gente sente saudades de trampar com os elementos da banda, hehe! Buenas, eis que surge uma oportunidade naquele esquema do "pra ontem"(e talvez até tenha sido convocado justamente por esse fator...) e acabei me vendo novamente ouvindo um reggaezinho pra inspirar.

Não é raro as artes que mando pra banda voltarem com pedidos de modificação. Eles são detalhistas e se preocupam com a imagem que passam. Longe do esquema clichê de "aumenta o logo" que todo cliente pede, hehe! Na maioria dos casos é pra limar algum elemento que incluí no poster por achar que tem a ver com o conceito que entendo pra banda. Portanto é absolutamente normal acharem que algo não combina ou até mesmo que a vibe da imagem é negativa...

Então eu tinha duas exclamações me apitando na cabeça: 1) O tempo é curto, portanto, devo viajar pouco na maionese pra que, depois de pronta, ela não volte com pedido de modificação. 2) Mesmo assim, vou tentar agradar pra que não fique tanto tempo sem receber um pedido de arte.

A visão que tenho pro conceito de imagem do MamaQuilla é basicamente de arte rupestre. Isso é bem  aceito pela banda porque foi a inspiração pro projeto gráfico do disco. Claro, que já tive que limar, por exemplo, um totem indígena que usei numa arte passada, portanto, decidi que iria pegar bem leve nos elementos dessa vez. Analisando quase um ano depois, vejo que peguei leve até demais, mas tive essas razões que expliquei acima.

Ah, olha que legal: estive no bar onde seria realizado o evento dias antes e, como sempre, parei pra olhar os cartazes dos próximos eventos. Percebi que estavam quase 100% num clima dark, então já tinha pensado que, na próxima vez que eu fizesse algo pra colocar naquele mural, seria bem colorido. Fundo verde claro neles! Apliquei uma textura pra dar uma impressão áspera (elemento de caverna) e o nome da banda viria com a mesma fonte utilizada no disco, mas colorida. Escolhi amarelo e também apliquei textura pra dar uma impressão de dourado (outro elemento...) e, pra destacar um pouco mais, uma sombra preta por trás.

Comecei a achar que poderia ficar muito carnaval a parada, então decidi que a Lua seria preta, mas não gostei dela aplicada diretamente no fundo verde. Uma bola vermelha, quase Sol-nascente-bandeira-do-Japão (Sol-Lua-Ouro, saca?) de fundo resolveu o caso. Só faltava as informações! Coloquei simplesmente um papel velho e escrevi tudo o que tinha que escrever (incluindo logo do bar). Depois passei uma borracha pra ficar tudo meio falhado e dar impressão de antigo. Achei que faltava alguma coisa ainda e pensei que, como tinha usado amarelo verde e vermelho (cores da Jamaíca) não custava nada colocar nos cantos um "rei leão" que tem a ver com o tema reggae, né? Ah, já tá lá!

Enviei essa arte em tempo recorde e foi aprovada sem alteração nenhuma. Legal, mas achei que era por causa do prazo muito curto, então voltou a sombra do pessimismo escamoso achando que ia ficar um tempão sem ouvir falar dos caras novamente. Mas contra a vibe positiva, o pessimismo não dura muito e, na sequência, o Tiago (vocalista da banda) comentou que gostou bastante e que até tava pensando em fazer uma camiseta com essa arte. Não sei se virou peça do guarda-roupa dele, mas sei que não fiquei muito tempo sem fazer uma arte pros caras, hehe! Em breve vou colocando as outras que vieram na seqüência e onde, em doses homeopáticas, comecei a somar outros elementos no conceito visual deles. Eram os deuses astronautas? FikDik!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

UM QUARTO - CAP. 1

Beeeemmmm amigos do Projeto Simples! Depois de ter batido todos os recordes mundiais na modalidade "demora em atualizar o blog", eis que, quando ninguém esperava absolutamente nada, cá estamos novamente em mais uma transmissão!

E nada melhor pra re-re-recomeçar do que um dos trabalhos que mais me orgulharam nessa trajetória! Lembro que, na época, o pessoal que faz esse especial do Barão Vermelho, fechou vários shows e me pediram quatro cartazes de uma só vez. Um pra cada casa onde tocariam. É muito legal ter bastante trabalho pra fazer, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) existe o risco das idéias não brotarem na mesma escala industrial da encomenda. Esse seria o desafio dessa vez. Vamos lá!

Seguindo o conceito da identidade visual definida nas artes anteriores, a estrela continua sendo o meu querido Barão Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, que desde a Primeira Grande Guerra, baila no imaginário popular distribuindo carisma e morte pelos ares. Uma figuraça, sem dúvida! Como já tinha citado nosso amigo em diversas situações, algumas até de extremo contrasenso em relação ao personagem (vide post BOAS FESTAS!), resolvi que seriam visões bem diferentes a cada poster.

Nesse primeiro que apresento, reinou o minimalismo. Desenhei as formas básicas de um triplano Fokker DR1 atacando de frente no vetor. O fundo é uma textura de papel velho que sempre dá uma aparencia legal de céu com vibração meio carregada dos tempos de guerra. Apliquei um tom de vermelho atrás e o resto foi diagramar a informação tentando não agredir a ilustração. Anunciei o nome da banda numa fonte alterada que, dali pra frente, seria a padrão nos cartazes seguintes e as informações discretas logo abaixo (letras sem espaço entre elas, palavras separadas por cor). Para dar uma destacada de leve, inclui duas linhas brancas atrás do nome e só! De resto, a logo do local onde seria realizado o show centralizada no alto e o onipresente carimbo d'el escama vermelhinho (com o detalhe das infos em branco) no canto inferior. Estava pronto!

Ah, e fiz uso de liberdade poética ao multiplicar os triplanos escarlates! O Barão Richthofen era um piloto único e, se não me engano, só ele pintava seu avião de vermelho (pra firmar a lenda e o terror na cabeça dos inimigos), mas a impressão que me deu ao vê-lo sozinho ali, era de que seria minimalismo demais até para os meus padrões, hehe! Então inclui lá no fundo mais dois companheiros para a formação de um pequeno esquadrão. Hoje penso que poderia deixa-los em outra cor pelo quesito histórico... mas tudo bem! Ainda é um dos trabalhos que, depois de todo o tempo que foi entregue, mais me agrada rever. E isso é excelente sinal!

Buenas, aos poucos vou postando os outros cartazes dessa série por aqui, ok? Não pretendo ficar tanto tempo sem postar novamente. Para o alto e avalanche, gurizada!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

COMO UMA ONDA

Aloha, aloha, aloha! Depois de quase um mês sem atualização, ói nóis aki travêiz! Um blog que se preze não pode ficar tanto tempo sem novidades, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) estou no meio de 3 (três) projetos gráficos, sem contar as barbaridades que me caem no colo de última hora, portanto acabo deixando esse canto um tantinho mais de lado. Se bem que, evidentemente, todos esses trabalhos que estou envolvido gerarão material pra cá... então vamô que vamô!

Essa arte é extremamente simples até porque não tive muito tempo pra fazer. Mais um especial só tocando músicas d'O Rappa que o Base 2 tradicionalmente faz. Nos últimos dois cartazes, mudei as regras do jogo como vinha fazendo até então, cortando os acenos aos discos da banda homenageada e focando mais em citações ao Rio de Janeiro, sua cidade natal. Aqui mirei no mais óbvio possível: o mar. Desenhei com um pincel grosso do Photoshop uma onda e pirei nas cores. Em vez de mar e céu azuis, aMARelo e CÉUtchup vermelhinho, hehe!

Apliquei texturas ao fundo pra não ficar simplesmente chapadão e inclui detalhes como o preto pro reflexo do mar e um azul esverdeado (ou verde azulado) as falhas do desenho. Também apliquei falhas no nome da atração que ficou bem grande acima da ilustração. O nome do Base 2 ficou pequenininho ali embaixo e, se não me engano, já nas próximas divulgações desvinculamos ele desse especial. Duas tarjas pretas completam a brincadeira, com a inferior contento as informações do show sem espaço entre as letras, diferenciadas por tamnho e cores das fontes. Fim!

Confesso que seria caminho mais tranqüilo continuar me inspirando nas capas dos discos d'O Rappa. Até comercialmente seria mais fácil o reconhecimento para o receptor. Mas baseei a decisão de iniciar uma identidade própria pro especial londrinense por dois motivos: primeiro porque era possível arriscar, uma vez que a média de público das apresentações já estava bacana. E, pra estar bacana, é porque a performance tem qualidade, certo? Só que, além de qualidade, sempre vi os caras tocando e colorindo com novos tons as músicas já conhecidas. Aí não tem como resistir: Tenho um pouco mais de trampo, mas a médio prazo, cria-se a própria cara pro show! Mesmo se tratando de um cover, por que não? Eu sei que conceitos andam meio fora de moda, mas sem eles, a moda não existiria porque as coisas não mudariam. É isso ae!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

CORTANDO VIAS

Auika molecada! Cá está mais uma atualização depois de muito tempo de marasmo no blog. Estou envolvido em bastante projetos simultaneamente, então sobra pouquinho tempo e inspiração pra atualizar o projectum simples, mas a gente fazemos o que podemos, né?

Faz tanto tempo que o cartaz de hoje foi desenvolvido a partir do local onde o DetSet tocaria e atualmente o bar já encerrou atividades, hehe! Mas vamos lá... como tocariam no palco do Santa Esquina, resolvi fazer uma arte bem simples, mas insinuando o carismático canto onde duas vias públicas se cortam.

Basicamente fui pro Corel e desenhei metade de um cubo visto de uma das suas diagonais pra dar um visual tridimensional. O que acabou dando um pouco mais de trabalho foi deixar as informações do show seguindo o caminho das superfícies como se estivessem pintadas nelas. Depois levei pro Photoshop, misturei com uma textura e tava pronto!

Mantive a logo normal porque esse era apenas a segunda vez que a utilizavam (por ser nova), assim não é o momento pra zoar com ela, mas de fixação. Demorei um pouquinho na escolha das cores pq queria algo forte e que ao mesmo tempo me fizesse achar que era possível ser a pintura quase brega de um daqueles botecões de esquina que toda a cidade tem. Acabei optando por um rosa choque pra colorir o objeto central e amarelei a vida em torno dele. No começo pintei "chão" e "céu" de cores diferentes, mas achei excesso de cores e desisti.

Esse tipo de arte me anima muito depois de pronto pq é certo que, meses depois, qdo vir postar aqui, ainda vou sorrir olhando pra ele. Idéia simples de tudo resultando num dos cartazes que mais gostei de fazer.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O CAMINHO QUE TE DEIXA FELIZ

Opa! Faz tempo que não atualizo a bagunça aqui, heim? Buenas, vamo que vamo! No episódio de hoje, o Maracutaia do Samba precisava divulgar seu famigerado show especial com repertório exclusivo do Marcelo D2 e, para isso, pediram algo que eu não aprecio muito: o uso de uma foto do artista homenageado, argh!

Nada contra o D2, muito pelo contrário! Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) quem perambula regularmente pelo blog sabe que não curto usar foto pq acho um facilitador criativo: só postar a imagem lá e fim. Pode ser até bacana pro cliente, mas não é pra mim! E, desculpa ae, nesse lance de arte, o criador tem que ser o primeiro a ser agradado. Se eu não me divertir, não tem porque fazer as coisas.

Comecei a imaginar modos de driblar o caminho mais curto e acabei optando por um simples filtro do Photoshop onde a imagem de uma camada absorveria a de outra. Coloquei uma foto do compositor carioca numa e em outra rabisquei a vontade. Quando apliquei o efeito, virou essa imagem rabicada onde ninguém tem dúvida de quem se trata.

Solucionado meu dilema, o resto seria moleza! Com mais uma rabiscada (dessa vez, de um jeito mais grosseirão) nas laterais que, somando com dois tipos de textura, pareceram folhas secando de algum tipo de planta. Sem apologias, mas isso também tem a ver com o D2, né? Então tá valendo, hehe!

De resto foi só encaixar as informações e zéfini! Curti os rabiscos, pois dão um ar de interferência, assim como os samplers que pintam na mistura de hip hop e samba do som que iria tomar conta da noite. O lance das cores tbm me agradou pelo clima de gastura do verde e cinza destacando o azul da arte central. Acho que acabou chamando mais a atenção do que se eu tivesse simplesmente colado uma foto ali...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?

Rage cover na parada novamente! Já devo ter postado uns quatro outros cartazes que fiz sobre o mesmo tema e, a pedido do próprio pessoal da banda, em todos tinha uma estrelona vermelha estampada pra facilitar o reconhecimento da galera. Mas, querendo evitar que a mesmice se abatesse no trabalho, resolvi traçar outro caminho que não fosse o mais fácil.

Pesquisei outras imagens que a banda homenageada costuma utilizar como símbolo e descobri um punho cerrado que provavelmente faz referência ao disco The battle of Los Angeles (1999). Refiz o desenho à minha imagem e semelhança pra deixar bem no meio da arte, mas não estava plenamente satisfeito com o resultado.

Sendo o Rage uma banda descaradamente canhota, resolvi fazer uma citação ao nosso querido amigo Владимир Ильич Ленин, que traduzido fica Vladimir Ilitch Lenin, ou simplesmente Lenin pros mais intímos. Líder do Partido Comunista e responsável pela Revolução Russa de 1917 que originou o primeiro país socilista do mundo: a União Soviética.

Obviamente minha forma de pagar um tributo é zoar a imagem do homenageado, portanto amalgamei o punho com o busto do nosso carismático revolucionário calvo, ampliando (??) os horizontes conceituais de ambas as imagens. Avermelhei o retrato e o desgastei bastante. Fiz o mesmo com o fundo e acredito ter dado uma impressão de fotografia antiga.

Não quis macular a imagem do novo ser que se formou colocando as informações por cima dele, então acabei encaixando tudo em volta. Sem a frescuragem do texto acompanhar o objeto central, bem quadradão mesmo! Logo do bar, nome da banda com uma fonte "Sex Pistols way of life" e demais informes. Gostei do nome ter sido quebrado ao meio! Achei que deu um tcham bem bacana.

Mesmo não citando a estrela de sempre, a banda curtiu e aprovou. Na época algum socialista que viu ficou um pouco ofendido por eu ter mexido com a imagem de seu ídolo, mas a pop-art taí pra isso mesmo: ao mesmo tempo que eleva-se o kitsh ao nível de algo sagrado, transforma-se ícones outrora intocáveis em bibelôs decorativos. Oh, yeah!

terça-feira, 14 de junho de 2011

SIT TIBI TERRA LEVIS

A confiança é muito importante na área de criação. Eu estava tão orgulhoso do último poster feito pro Base 2 (post PESADO) que acabei fazendo um que, em condições normais, não faria. Os porquês da auto-censura serão apresentados no decorrer do post. Vamos aos detalhes!

Ao mesmo tempo que estava todo cheio de mim, estava bobo com as músicas que a própria banda vinha apresentando na fase de pré-produção do disco. Portanto, queria continuar fazendo a ligação com elementos pesados. Depois do rinoceronte, a estrela dessa história (Sim, meu pequeno girino! Cartazes contam uma história. Do contrário como poderia eu encher tanta lingüiça com esses textos conceituais quilométricos que escrevo?) seria uma carismática bigorna. Pensei em pegar uma foto do objeto e transformar em estampa, como no primeiro da série, mas resolvi desenhar com o mouse mesmo. E assim o fiz!

Se tivesse ido pelo caminho mais fácil (estampa), o cartaz já estaria pronto. Seria colocar as informações do show e fim de papo. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), o som da banda não é apenas pesado. Tem bastante detalhezinhos, passagens sutis e eles não estariam representados aqui. Por isso a escolha do formato do desenho! Nunca fui um grande desenhista, tenho um traço bem sujo pra não dizer quase cômico. Achei que um ar de cartoon poderia ser o representante desse lado leve do som sem necessariamente estar aparecendo num elemento fisíco.

Desenhei bem toscamente a bigorna (na real, até caprichei, mas não consigo não ser tosco...) e comecei a lembrar dos velhos desenhos infantis que utilizam esse elemento e faziam minha alegria. O cheiro matinal de Tom & Jerry, Papa-Léguas e Pica-Pau estiveram comigo durante todo o processo, hehe! E já que todos esses meus "educadores" estavam pairando no ar... por que não fazer o mesmo com a protagonista da arte? Obviamente a bigorna não poderia pairar no ar, mas uma vez solta nas alturas, ela cairia. Tentei representar a queda copiando o desenho e colocando o efeito de transparência, sobrepondo com uma cópia menos apagada até chegar na original sólida.

A questão existencial que me atormentou após essa primeira parte completa era a seguinte: AFINAL DE CONTAS, SOBRE QUAL CABEÇA DE MELÃO ESSA BENDITA BIGORNA SE ESPATIFARIA??? Foram noites e noites sem dormir tentando eleger uma alma desafortunada merecedora de tal honraria desgracenta (na verdade, o impasse durou uma meia hora, mas vá lá!) até que começou a ecoar na minha cabeça o Belchior dizendo "QUE A TERRA LHE SEJA LEVE!" no final da canção "Pequeno perfil de um cidadão comum" que é uma tradução do "SIT TIBI TERRA LEVIS" que os antigos romanos escreviam nas lápides. Então que a bigorna sonora caísse sobre nossas cabeças mesmo!

Peguei uma foto do planeta e zoei no photoshop. Deixei mais esverdeada e com o efeito plastificado e apenas ela desrespeitaria o limite imposto pela moldura. Álias, moldura essa que eu fiz na mão também, dá pra perceber, né? Coloquei as informações de data e horário "entre o céu e a terra" e o nome da banda forjado no objeto central e senhora dos nossos olhos: a bigorna.

Deixando a profundidade de lado (salve, salve mestre Belchior!), achei meio comics demais e, se não estivesse me achando, não teria enviado pra banda. No fim das contas foi bacana! Os caras gostaram e teve um certo retorninho nos elogios. Que a Terra me seja leve!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

FUMAÇA CÓSMICA

Cartaz pro Beatles for Sale. O segundo de um pedido de três, cada um com uma característica diferente pro show. Após o iê-iê-iê (vide post IÊ-IÊ-IÊ), era a vez do psicodelismo entrar na área.

Correndo o risco de parecer mais repetitivo do que sou (e realmente sou repetitivo), pergunto novamente se já falei por aqui que gosto muito dos Bealtes? Claro que já, né? Mas acho necessário reafirmar essa máxima pra facilitar a sua compreensão, fiel leitor, hehe! Eu adoro o quarteto de Liverpool. Então é sempre uma alegria fazer um trabalho que tenha os caras como tema.

Redesenhei a clássica capa do "Abbey Road" (Apple Records -1969) com o acréscimo de um arco-íris no fundo, coloquei todas as informações numa ordem bem tranqüila. Tudo simples pra chegada do gran finale que viria na seqüência.

Até então a arte estava bem longe de ser psicodélica. Mas tudo estava friamente calculado! Peguei as cores do arco-íris e comecei a pintar o meio aleatóriamente com elas. Depois usei a minha querida ferramenta do dedinho no Photoshop para mistura-las e, por fim, sobrepus com fotos de satélite que mostravam constelações.

No cartaz branco, o desenho ficou parecendo uma fumaça alucinógena avisando os corações receptores que a boa música estava chegando. E estava mesmo! Eu já falei aqui que gosto dos Beatles?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

STEP BY STEP

Primeiro cartaz pro Foo Fighters Londrina, projeto cover baseado na banda do carismático Dave Grohl. Sempre achei uma banda muito "classuda", por isso tentei passar esse ar pra arte.

Textuta chapa de metal pro fundo. Pra combinar redesenhei a estrutura que aparece na capa do segundo disco da banda "The colour and the shape" (Roswell/Capitol Records - 1997). A diferença foi que, ao invés de manter as esferas brancas como na arte original, fiz e coloquei no lugar o logotipo redondo da banda que aparece em outro disco, a coletânea "Greatest hits" (RCA - 2009). Esse amalgama acabou criando uma nova figura.

Deixei a estrutura no canto esquerdo do poster e escrevi o nome da banda de maneira simples, assim como não inventei muito no informação do show. Pra mim, já estava passando o ar de classe e fim. Já ia mandar pra banda aprovar.

Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), antes mostrei a arte pra um amigo que me visitou e ele perguntou de que site eu havia copiado o logotipo esférico da banda. Ahhhhh, meu pequeno girino, eu redesenhei essa imagem! O cara teve a pachorra de me olhar torto, incrédulo. Então desmontei o desenho pedaço por pedaço no Corel pra provar que era de minha autoria. Só que quando desmontei, achei muito bacana as bolas separadas cada uma na sua cor, e... EUREKA!!! O passo-a-passo do logotipo também faria parte do cartaz! Coloquei logo acima do nome da banda e, agora sim, a arte estava finalizada. Dias depois até pensei q facilitaria minha vida mostrar a minha logo dentro de uma esfera ali no cantinho como prova pro camarada, mas ainda bem que não tive essa idéia, senão não teria rolado essa iluminação acidental... há males que vem pro bem!

terça-feira, 3 de maio de 2011

BOAS FESTAS!

Sim, eu sei que as festas de natal e ano novo já passaram faz tempo (álias, tudo de bom pra você, fiel leitor, hehe!), mas eu vou colocando os cartazes aqui conforme foram saindo e espaçando entre as bandas pra não ficar tããããooo repetitivo assim. Hoje post duplo pro DetSet e seu show especial com o repertório do Barão Vermelho justamente no natal e ano novo.

Quando pediram os cartazes pensei bastante se faria "normal" (normal entre aspas, né?) como os demais ou temáticos. Resolvi escancarar e me inspirei em cartões de boas festas mesmo. O motivo do martelo ter batido assim foi por eu achar que seria um diálogo interessante colocar o triplano Foker Dr. I do nosso carismático Barão Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, um verdadeiro às da aviação da Primeira Grande Guerra, em situações contraditórias com o cenário violento que nos surge em mente quando pensamos nesse personagem. Troquei tiros, morte e destruição por um ambiente onde a vibração positiva da esperança e o desejo de paz, amor e saúde predominam.

Pensando assim, não fiz nada muito ousado graficamente. O cartão (ou cartaz, tanto faz!) de natal é uma textura com efeito degradê verde cheio de flocos de neve estilizados. No meio uma tarja vermelha com o desenho do avião sendo puxado pelas renas do Papai Noel. Além dos personagens desse crossover serem antagônicos por si só, gosto de pensar num conto onde, numa noite natalina, o tanque de combustível do triplano é atingido e, quando a queda parecia inevitável, surgem Rudolph e sua turma (Rudolph, que álias, tem tudo a ver com o Barão já que é a rena do nariz VERMELHO!) salvando nosso herói. Quem sabe naquela noite, em agradecimento, o tio Manfred não ajudou o bom velhinho na entrega dos presentes?

Já no ano novo, predominou o branco e letras bonitinhas como se fossem um convite pra festa mesmo. Uma espécie de portal mágico mostra nosso protagonista voando durante a queima de fogos. Fiquei pensando em como existem semelhanças na diferença: o céu com clarões iluminados gerados pelos fogos de artifício lembram bastante os céus dos combates aéreos noturnos com explosões geradas por mísseis e rajadas de metralhadora. Visualmente são igualmente bonitos, mas o sentimento gerado por uma e por outra situação tem total contradição.

Essa contradição de situação talvez seja o que suplementa a falta de ousadia gráfica. Estamos falando de conceito. Mesmo que o receptor da mensagem não faça essas viagens que fiz ao olhar pros cartazes, não existe a possibilidade de, lá no fundo, a cabecinha dele não saber do absurdo que personagem e cenário representam. Dia desses, um cliente viu um trabalho meu e ficou na dúvida se aprovava por ser "clean demais", sugerindo poluir um pouco mais. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), era um caso bem semelhante a esse: a informação conceitual era tanta que, somar com visual também, seria passar da medida, ou seja, poluir o conceito! A gente tem que saber dosar informação pra não dar Ctrl+Alt+Del na cabeça da rapaziada. Uma coisa é ver o poster comigo mastigando as maluquices, outra completamente diferente, é colocar os olhos virgens na arte sem saber o que eu quero passar. É complicado, mas tenho que me colocar no lugar de quem está andando na rua e simplesmente vê essa folha colada num muro qualquer da cidade. No fim das contas, a gente tem que divulgar um show, né?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CUBIXXXMO CUMPADI!

Cartaz diferente pro especial com repertório d'O Rappa
executado pelo Base 2. Como tinha dito no último desses postado no blog (veja post FAVELA CHICK), começaria uma série com referências ao Rio de Janeiro (cidade de origem da banda matriz). Pra escancarar de vez, resolvi ainda tirar qualquer aceno aos discos dos cariocas, que até então vinham ditando a regra.

Peguei uma foto do Morro Dois Irmãos, um dos cartões postais mais belos da nossa primeira (opa! primeira não, burraldo!) antiga capital e redesenhei só o seu contorno. Até aí tranqüilo! O que deu trabalho mesmo foi o detalhe dos prédios: Cada quadradinho colorido ali representa um edifício real, na mesma proporção e profundidade dos originais.

Inspirado em cartazes antigos, fiz um jogo de bordas de quatro cores (existe uma borda branca antes da azul e perceba o morro fazendo o amarelo assumir essa função além de ser o fundo do desenho), e usei fontes mais divertidas numa diagramação espalhafatosa e apertada. Voilá!

Simples de tudo e 100% produzido no semi obsoleto (mas que ainda é meu favorito!) Corel Draw. Gostei muito do resultado final e ainda recebi alguns elogios por esse, yeah!

quinta-feira, 31 de março de 2011

GLACÊ PSICODÉLICO

Aqui um caso de mudança de identidade visual. O cliente pediu logo, cartaz, cartão, etc. O detalhe é que ele já tinha tudo isso. Meu trabalho seria dar um upgrade a parada toda. O Detset faz rock dos anos 80, 90 e 2000, ou seja, banda de dial (aquele simpático mostrador de rádio) que toca sucessos atuais e mega hits do passado. Sem trabalho autoral. Portanto, na teoria, trata-se de uma autêntica banda pop como tantas que a gente conhece.

Numa rápida pesquisada no tipo de comunicação que é desenvolvido pra bandas semelhantes, encontra-se dois pontos comuns: muitas cores e alegria/festa (e nisso incluo cartazes antigos da própria banda). Só que se os caras contrataram o meu trabalho por livre e espontânea vontade, estando cientes do meu estilo, quer dizer que estava claro que desejavam justamente o toque escamoso nesse novo visual.

Mãos à obra! Primeiro a logo. Já falei aqui que não gosto de criar logo? Pois é! Não gosto. Fiquei alguns dias quebrando a cabeça porque queria chegar num ponto médio entre o pop e o cool. Acho que o detalhe da guitarrinha deixou açucarada para a galera blasé e o modo como encaixei as letras tenha tornado "muderna" pra galera pop. Buenas, o target da banda (público e contratantes) não é alternativo, muito pelo contrário. Então é isso. Simpático sem ser sorridente-extreme e confuso sem ser agressivo.

Já na linguagem do cartaz eu queria um pouco mais de agressão, sim senhor! O mundo dos cartazes pop geralmente é muito "felizinho": um emaranhado de cores e informações que só poluem a arte. Fujo disso! Aqui a intenção era (além de priorizar o novo look) mostrar que uma banda estava chegando, e não uma coisa descartável. Afinal de contas, uma banda é algo importante. São os mestres de cerimônia que vão embalar a sua estadia num determinado recinto! O clima da sua noite está intimamente ligado à performance dos musicos.

Logomarca centralizada dando um grande "olá!" e informações bem organizadas, dentro de quadrados pretos e ocupando pontos extremos da arte (local do show no topo e demais infos quase no rodapé) pra evitar poluição. Valorizei a data e gostei do jeito que deixei horário e preço do show pequenos.

A criação do fundo estava resolvida na minha cabeça: amarelo chapado com uns elementos vermelhos nas laterais. Até pra valorizar a logo nova, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) como eu tinha tempo pra entregar a arte, resolvi brincar com algumas texturas e transformei a foto de uma piscina (com água azul e limpa) nesse glacê áureo maluco que me fez mudar radicalmente de idéia. Fiz uns riscos com um pincel mais grosso e falho do photoshop num vermelho que ia escurecendo gradativamente. Acabei mexendo na logo por isso: coloquei um efeito plástico e sombra pra dar uma impressão 3D.

Então é isso. Acho que comecei a vestir uma camisa de flanela na imagem do Detset. Os próximos capítulos dessa saga em busca da identidade visual ideal você, meu querido e fiel leitor, acompanha em breve aqui no blog. Hasta!

sexta-feira, 25 de março de 2011

SAUDAÇÕES NERDS!

Maracutaia do Samba no ar com outro dos que mais gostei de fazer! É pedido da banda colocar os instrumentos nos cartazes que faço pra eles. Seria fácil ficar na zona de conforto de sempre agradar o cliente, mas às vezes não. Repetição gera estafa. Visual pro receptor da mensagem e mental pra quem faz a criação (eu mesmo). A solução que gosto pra evitar esse problema é ir, aos poucos, acrescentando elementos no conceito. Vai chegar uma hora que, sem grandes mudanças, o resultado já será bem diferente.

Nesse caso, me inspirei nos clássicos filmes de alienígenas dos anos 50, como por exemplo "A invasão dos discos voadores" (Earth vc. the flying saucers, EUA, 1956), e coloquei uma textura metalizada num pandeiro. Não é que ficou a cara de um OVNI?

Tendo a idéia definida, o resto foi só rabiscar manualmente um cenário (no caso penhasco e mar) e acrescentar pequenos detalhes como uma dupla avistando as naves (o bom e velho contato imediato de primeiro grau) e o veleiro sendo abduzido (contato imediato de quinto grau!!!). Pra dar o clima antigo joguei uma das minhas amadas texturas de papel velho que, nas cores puxadas pra tons pastéis, deram um ar de aurora boreal pra parada.

As informações ficaram bem comportadinhas em branco no penhasco e fim. Fim? Que nada! O cartaz foi VETADO, hehe! Tive que fazer um igualzinho os outros que fiz (nem vou postar aqui porque não tem o que falar sobre algo igual a outra arte já dissecada no blog) e, confesso, fiquei magoado. Estava mega empolgado com a solução encontrada pro problema da repetição. Sem falar que estamos falando de um dos cartazes que considerei ponto alto da minha criação! Ah, mas isso não ficaria assim... esperei um dia pedirem um cartaz com o adendo "URGENTE: PRA ONTEM!" e, quando esse dia radiante chegou, sugeri utilizar a arte que estava engavetada! Só mudei as informações e lá estava a minha ode a ficção científica em forma de poster musical pendurada nas ruas da cidade, hohoho! E digo mais: foi extremamente elogiada! O nerd apressado come miojo cru e quente, rapá...

sábado, 19 de março de 2011

CRAQUELÊ ESCARLATE

Há tempos não fazia um cartaz com o tema do Rage Against the Machine (obviamente trata-se de uma banda cover). Se não me engano, os últimos tinham sido pedidos no comecinho de 2009. Buenas, eis que surge uma nova missão e, cá estamos para cumpri-la da forma mais arriscada nesse mundo da propaganda (embora eu ache a que mais emociona): PESSOAL EXTREME.

O Rosa (vocalista da banda) sempre pede pra colocar "uma estrelona vermelha pra todo mundo se ligar" que já havia utilizado nas outras vezes. Mas é aquilo que já tinha dito no último cartaz da banda (vide post AI SE SESSÊ!): tudo bem reutilizar idéias, mas faça um igual de forma diferente.

Sabendo q a estrela estaria ali de qualquer forma, voltei minha preocupação pro fundo. Peguei uma textura de papel velho, amarelado pelo tempo, e utilizei um efeito negativo, transformando num azul escuro meio assombrado. Imaginando como ficaria esse fundo com o símbolo central não gostei. Mas não desisti de mantê-lo ali! Criei um novo fundo bege bem clarinho chapado e comecei a fazer uns rabiscos em azul. Até aí nada demais... porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) qdo amalgamei com o efeito negativo da outra textura, o fundo ficou ainda mais tenebroso e (muito alquimista morreria de inveja...) os riscos ficaram dourados! Quase dando uma impresão tridimensional. Como estavam muito finos, copiei o desenho e só dei uma espaçada em outra direção pra criar mais volume. Repeti esse processo mais uma vez e pronto: uma nutritiva macarronada ectoplasmática estava no ponto para ser consumida pelos olhares receptores da mensagem!

Fundo legal, mas poluído. E pra colocar as informações do show naquele massaroco? Ninguém enxergaria necas de pitibiribas! A solução veio de uma forma que muito me agrada: MOLDURA. Mas não uma moldurinha qualquer, nada disso! Tinha q ser uma senhora moldura que ocupasse boa parte do cartaz, deixando de ser item coadjuvante e sendo promovida a "elemento que dá um toque de classe". Simplesmente a fiz branca com as bordas borradas pra dar manter o clima soturno e curti bastante! Usei uma fonte só em minúsculas pra dar um ar gracinha, mas toda rabiscada pra entrar na onda do geral, colorindo em vermelho e preto.

Agora só faltava a estrela principal da arte q, por sinal, é uma estrela, hehe! Desenhei manualmente de uma forma bem tosca e, de quebra, usei um efeito pra craquelar minha protagonista escarlate. Só o efeito bruto não bastou e acabei dando uma forcinha pro Photoshop, quebrando alguns pedacinhos manualmente. Ah, atente-se pro fato dela vazar um pouco da moldura!

Arte finalizada, certeza de ser a que mais gostei de ter feito sobre o tema até então e, por que não dizer, a percepção de que, às vezes, ficar um tempo afastado de certo projeto é benéfico pra dar uma refrescada nas suas idéias. Fidelidade de um cliente é ótimo, mas é saudável pro próprio produto respirar outros ares também. A mesmice é o primeiro passo pro anonimato.

segunda-feira, 14 de março de 2011

PESADO

Base 2 na área! Eles fazem o especial d'O Rappa, é bacana fazer as artes, mas gosto mesmo quando rola o show rock'n'roll dos caras com as músicas deles.

Como tive o privilégio de acompanhar toda a pré-produção do disco dos caras, sei bem o que vem por aí: PORRADA SONORA! A primeira coisa que pensei foi fazer uma referência ao peso que a banda vem aplicando no seu som. Como sou um assíduo telespectador de documentários (quase um biólogo frustrado), resolvi que a imagem que representaria isso seria a de um rinoceronte. Sim! Aqueles simpáticos mamíferos perissodátilos que são a versão da Mãe Natureza para um tanque de guerra.

Pois bem, achei o retrato de um ser muito fotogênico da espécie e transformei em estampa. Na sequência, fiz um processo muito parecido com o do último post (tinha recém feito a propaganda) e rabisquei uma espécie de sombreados aleatórios no animal. Preferi utilizar tons pastéis entre amarelo e marrom, pois já tinha me decidido que o fundo seria totalmente branco.

Mas o Base 2 não é só paulada. Tem muito detalhezinho nos arranjos das canções, timbres variados, frases instrumentais delicadas, etc... e isso PRECISAVA estar, de alguma forma, representada na ilustração. Rabisquei então linhas azuis e vermelhas saindo das costas do rinoceronte que deram um ar psicodélico pra arte.

A logo da banda serviu como base de apoio pro nosso protagonista chifrudo. Adorei descentralizar ela desse jeito e torna-la parte do desenho. Deu aquele ar classudo que tanto gosto de não utilizar todos os espaços possíveis do cartaz. Também deixei as informações fora do eixo, separando-as com um ponto e por cores (as mesmas utilizadas no rinoceronte). Abaixo da logo e nas cores dos rabiscos psicodélicos, especifiquei (a pedido da banda) que se tratava do show de repertório rock e autoral.

Enviei a arte pra aprovação dos caras com certo receio. Geralmente quando gosto muito do resultado final, penso que posso ter viajado demais na maionese, mas eles também gostaram. Sinceramente, até hoje é um dos cartazes que mais me orgulho. Tanto que vai servir de referência pra todo o projeto gráfico do disco da banda que vou fazer. Quando sair do forno eu posto aqui o resultado, falou?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

XEROX MANUAL

Ainda na onda etílica iniciada no último post, e fora da minha quase "zona de conforto" dos cartazes, eis aqui uma propaganda da Usina Londres, uma das melhores choperias de Londrina-PR. O objetivo era anunciar que, além do choop, o cliente agora teria a opção de saborear sua cervejinha na tradicional garrafa 600ml.

À primeira vista essa é uma arte que parece simples (e é!), mas tive um certo trabalhinho porque minha idéia original era colocar as fotos das garrafas comercializadas no local. Não encontrei nenhuma em qualidade boa nem no site da empresa que as produz (e não teria verba nem tempo pra um fotografo resolver a questã0), portanto tive que me virar e apelar praquelas idéias que surgem quase que por acidente, mas que láááá no fundo você sabe que não é...

Peguei a foto de uma garrafa e tentei transforma-la em estampa no photoshop, mas não ficou legal. Tentei outros efeitos destrutivos que também não deram em nada. Até que me veio o lance de natureza morta na cabeça. Bacana, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), nunca segurei um pincel em minha vida! Seria eu, capaz de olhar pra um objeto e reproduzi-lo? A resposta é um sonoro NÃO, claro! A minha saída foi XEROCAR MANUALMENTE a garrafa. Explico: ao invés de olhar e reproduzir, desenhei POR CIMA da foto, só acompanhando as alterações de cores e sombras. Depois apaguei a imagem e o que sobrou foi o desenho. Fiz um processo parecido com a logo que virou rótulo.

Diagramei o texto separando as palavras por cores, tamanhos e linhas. No fundo, uma boa e velha textura envelhecida numa cor meio dourada cuidando pra deixar um degradê que fosse clareando da esquerda pra direita o lado inferior.

Acabou que uma propaganda que ia ficar com uma foto sem graça e comum acabou se tornando uma pintura me deixando muito mais satisfeito com o resultado. Gosto desses conceitos de pop art que colocam o descartável (produto de consumo) num nível de sagrado (arte). Voltei a utilizar essa técnica nos cartazes seguintes com a mesma alegria. Logo, logo pintam por aqui. Até lá!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

SE BEBER... CASE!


Sinceramente, nem nos meus mais malucos sonhos trancafiados nos confins do meu inconsciente anormal, eu pensaria que um dia, alguém são teria a audácia (e pq não, a irresponsabilidade) de me pedir um convite de casamento... mas aconteceu! GABRIEL FEIJÓ COMETEU O INIMAGINÁVEL!

Obviamente que o inimaginável não é o fato do amigo estar se casando. A Paula é uma mulher muito bonita, inteligente e um excelente partido. Inimaginável é correr tamanho risco de, por causa do resultado de uma arte, mandar 11 anos de relacionamento direto pro buraco!

Tentei desaconselhar o rapaz de várias formas, usando toda a minha lista infindável de argumentos auto-depreciativos, mas não rolou. A missão era minha e não seria nada fácil: o convite teria que ter a cara do casal e meu controle de qualidade exige que também tenha a tradicional assinatura tosca escamosa.

Desnecessário dizer que, até na concepção deste ogro que vos escreve, um convite de casamento é um item glamuroso. Comecei a quebrar a cabeça com o Gabriel que deixou claro não querer nada convencional (o que já me era um alívio) e, em algum momento stand up comedy, sugeri um convite no formato de rótulo de cerveja. Os olhos do noivo brilharam de forma diferente naquele segundo. Novamente argumentei que era apenas uma brincadeira, mas ele bateu o pé. Ok, ok, ok... eu ainda estava tranqüilo por achar que a Paula vetaria tamanha barbaridade, mas pra afundar de vez a minha esperança na humanidade, ela também aprovou!

Buenas... em Roma, faça como os romanos. Digeri a causa e agravei o quadro qdo falei que poderiamos comprar um monte de long necks e colar o convite no lugar do rótulo, então cada convidado teria uma garrafinha. O brilho do olhar voltou a acender...

Iniciei um processo de pesquisa com vários rótulos de cerveja do mundo inteiro. Pedi auxilio ao meu grande amigo e, nas horas vagas, gourmet e mestre cervejeiro, Paulo Mopho. Depois de muito observar, comecei a estruturar o formato, cores e estilo até que cheguei na que considerei ideal, com uma textura de papel antigo dando uma impressão dourada que combinava com o conteúdo da garrafa e o triângulo que seria mesclado com uma forma oval contendo a imagem do casal. Acima disso uma faixa anunciando o evento. Quando fui informado pra colocar "churrasório" ao invés de "casamento" entendi o porquê do clima descontraído da idéia e, finalmente, desenvolvi o trabalho de forma aliviada, hehe!

Seguindo a grande maioria dos rótulos famosos, fiz um desenho do casal pra ficar como imagem central, ficou até bonitinho, mas a Paula sugeriu de usar uma foto de verdade. Fiquei temeroso, mas depois que envelheci a imagem um pouquinho e encaixei na arte, não tive dúvidas que, a partir daquele momento, meu único trabalho seria diagramar o texto que eles estavam escrevendo, pois o visual estava finalizado.

A redação ficou excelente com vários paralelos entre a história do casal e as informações contidas num rótulo de verdade. Dei destaque pro endereço do evento e aí foi só mandar imprimir, colar nas garrafas e correr pro abraço (ou melhor, pro churrasório, que foi muito agradável)!

Taí! Mais uma vez, fui surpreendido pelo resultado de um projeto em que eu não depositava nenhuma fé na minha capacidade. Achei muito simpático o convite e o retorno dos convidados foi amplamente positivo. Tenho o meu convite comigo guardado até hoje (já faz quase um ano que rolou o casamento) e, acredito que muitos dos convidados também guardaram a divertida lembrança. Só posso agradecer aos noivos por confiarem a mim a responsabilidade de um momento tão importante das suas vidas e desejar toda a felicidade do mundo pros dois. Muito obrigado e parabéns de coração!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

IÊ-IÊ-IÊ

Mais um cartaz pro Beatles For Sale, ueba! O pedido veio com o aviso de que o show focaria mais a fase ie-ie-ie, tocando as canções do ínicio da carreira de John, Paul, George & Ringo.

Não sou nada entusiasmado em usar fotos nas minhas artes, mas lembrei na hora da histórica apresentação dos Beatles no Ed Sullivan Show. Estima-se que n aquele dia 9 de fevereiro de 1969 uns 70 milhões de americanos estavam assistindo o programa batendo todos os recordes de audiência na época e ponteando o auge da beatlemania. Sempre gostei muito do palco montado para a ocasião (com setas cercando a banda) e resolvi brincar com essa imagem.

Destruí completamente uma foto de making of que além dos Beatles e do cenário, mostrava ainda a equipe filmando e os holofotes do estúdio. A idéia era tornar as extremidades escuras pra dar a impressão de que a luz viria diretamente do centro. Entre os filtros que usei no Photoshop, destaca-se o de plastificação que reforça o lance da iluminação e descaracteriza os músicos sem que o receptor da comunicação deixe de saber quem é quem.

A borda das setas foram levemente rabiscadas de forma manual e bem tosca, o que deu certo brilho pra elas. Esse é um daqueles detalhezinhos que fazem diferença pra mim.

De resto, nome da banda em destaque, repetindo as estrelinhas usadas no primeiro cartaz que fiz pro projeto (veja post ALL YOU NEED IS) e a informação em letras grandes separadas por cores (na verdade, utilizei a mesma textura da foto pra manter a unidade e não destacar tanto como se tivesse simplesmente jogado uma cor chapada ali).

Esse foi o primeiro cartaz de uma série de três que a banda pediu de uma vez só. Cada um com uma característica diferente. Futuramente os seguintes darão as caras por aqui. Até lá!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

BUTTERFLIES FLY

Alô, alô! Salve, salve rapaziada passageira de 2011! Cá estamos em mais um ano tentando explicar o inexplicável da identidade visual instintiva. Seja bem vindo!

Vamos abrir a terceira temporada do projeto simples com o cartaz do Colher de Chá tocando no Estação Café Brasil. Banda do amigo Gabriel Feijó que já está com disco quentinho no forno e projeto gráfico escamoso, o que certamente facilita na hora da composição de uma arte pra divulgar show já que conheço bem o projeto.

Os caras descem a sola da botina no bom e velho rock'n'roll com alusões psicodélicas, letras e solos quilométricos... enfim banda de rock. Clássico "um, dois, três e foi" sem muito nhem-nhem-nhem. Mas eu falei psicodelismo, né? Então o leitor habitual dessa casa da mãe Joana do cyber espaço já sabe o caminho q vou seguir na composição do poster... se me deixarem a opção, eu SEMPRE vou derreter, hehe!

Utilizei quilos das colheres-borboletas que farão parte do disco e já deram as caras no outro cartaz que fiz da banda (veja post VAMOS COLORIR?), como se estivessem presas numa gaiola formada pelas informações do show contendo uma pequena abertura por onde elas escapam e se espalham pelo grnade mundo do formato A3.

No fundo, misturei uma textura de papiro em decomposição com uma chapa de metal (!) e ainda dei uma boa estragadinha no photoshop. Acabou se transformando numa espécie de papel de carta azul calcinha lavada na cândida. Gostei muito disso!

O nome da banda eu mesmo desenhei no Corel (álias, uns 80% do cartaz foram feitos ali!) e usei o efeito de plastificação no photoshop que quase dá uma sensação 3D. O amarelão acabou destacando bem bacana do resto.

Pra finalizar, vamos ao já tradicional "último-parágrafo-auto-ajuda": enquanto as borboletinhas voam pra encontrar sua liberdade, eu posso dizer que fiz um cartaz "estilo papel de carta" pra uma autêntica banda de rock, e assim, faço uso da minha. Que o resto do ano continue assim!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SEGUNDO & PRIMEIRO

Salve, salve amigos do projectum simples! Mais de mês que não posto por aqui, então vamos colocar mãos à obra, yeah!

Conforme prometido há muito tempo atrás (post QUEM ESPERA...), aqui está o primeiro cartaz divulgado pro show da banda Detset só composto de músicas do Barão Vermelho. Eu tinha outra arte já feita pra essa situação, mas conforme explicado no link, meu pc explodiu naquela época e precisei fazer essa que você visualiza agora.

Comecei procurando uma foto de terreno rochoso, juntei nele um filtro vermelho e o fundo estava pronto. Depois coloquei bem grandona a logo da banda utilizada na capa da coletânea "Pedra, flor e espinho", lançada em 2002. Acima dela, entrou um pequenino "Detset especial" e logo abaixo o tema do show num tamanho maior (que é o importante nesse caso). Como eram 2 palavras pra cada frase, deixei uma em branco e outra num vermelho mais escuro.

Ah, mas certamente iria fazer referência ao carismático Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen (1892-1918). Sim, ele mesmo! O às dos ases da aviação que tirava o sono de muito pilotinho da Tríplice Entente (turminha formada na Primeira Guerra Mundial composta pelos impérios Russo e Britânico, além da França e, mais tarde, os EUA) e do qual a banda carioca tirou seu nome. Buenas, acabei estragando a foto antiga de um piloto, transformando-a nessa esfinge triplicada logo acima das informações do show. Coisa pouca, mas saciou minha tara por citações nerds, hehe!

E assim termina a saga do segundo cartaz que na verdade é o primeiro (omg!). Na época, como foi a sapatada de estréia da banda com arte minha, acabaram rolando alguns elogios... eu, é claro, sempre curto quando rolam!