terça-feira, 6 de dezembro de 2011

COMO UMA ONDA

Aloha, aloha, aloha! Depois de quase um mês sem atualização, ói nóis aki travêiz! Um blog que se preze não pode ficar tanto tempo sem novidades, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) estou no meio de 3 (três) projetos gráficos, sem contar as barbaridades que me caem no colo de última hora, portanto acabo deixando esse canto um tantinho mais de lado. Se bem que, evidentemente, todos esses trabalhos que estou envolvido gerarão material pra cá... então vamô que vamô!

Essa arte é extremamente simples até porque não tive muito tempo pra fazer. Mais um especial só tocando músicas d'O Rappa que o Base 2 tradicionalmente faz. Nos últimos dois cartazes, mudei as regras do jogo como vinha fazendo até então, cortando os acenos aos discos da banda homenageada e focando mais em citações ao Rio de Janeiro, sua cidade natal. Aqui mirei no mais óbvio possível: o mar. Desenhei com um pincel grosso do Photoshop uma onda e pirei nas cores. Em vez de mar e céu azuis, aMARelo e CÉUtchup vermelhinho, hehe!

Apliquei texturas ao fundo pra não ficar simplesmente chapadão e inclui detalhes como o preto pro reflexo do mar e um azul esverdeado (ou verde azulado) as falhas do desenho. Também apliquei falhas no nome da atração que ficou bem grande acima da ilustração. O nome do Base 2 ficou pequenininho ali embaixo e, se não me engano, já nas próximas divulgações desvinculamos ele desse especial. Duas tarjas pretas completam a brincadeira, com a inferior contento as informações do show sem espaço entre as letras, diferenciadas por tamnho e cores das fontes. Fim!

Confesso que seria caminho mais tranqüilo continuar me inspirando nas capas dos discos d'O Rappa. Até comercialmente seria mais fácil o reconhecimento para o receptor. Mas baseei a decisão de iniciar uma identidade própria pro especial londrinense por dois motivos: primeiro porque era possível arriscar, uma vez que a média de público das apresentações já estava bacana. E, pra estar bacana, é porque a performance tem qualidade, certo? Só que, além de qualidade, sempre vi os caras tocando e colorindo com novos tons as músicas já conhecidas. Aí não tem como resistir: Tenho um pouco mais de trampo, mas a médio prazo, cria-se a própria cara pro show! Mesmo se tratando de um cover, por que não? Eu sei que conceitos andam meio fora de moda, mas sem eles, a moda não existiria porque as coisas não mudariam. É isso ae!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

CORTANDO VIAS

Auika molecada! Cá está mais uma atualização depois de muito tempo de marasmo no blog. Estou envolvido em bastante projetos simultaneamente, então sobra pouquinho tempo e inspiração pra atualizar o projectum simples, mas a gente fazemos o que podemos, né?

Faz tanto tempo que o cartaz de hoje foi desenvolvido a partir do local onde o DetSet tocaria e atualmente o bar já encerrou atividades, hehe! Mas vamos lá... como tocariam no palco do Santa Esquina, resolvi fazer uma arte bem simples, mas insinuando o carismático canto onde duas vias públicas se cortam.

Basicamente fui pro Corel e desenhei metade de um cubo visto de uma das suas diagonais pra dar um visual tridimensional. O que acabou dando um pouco mais de trabalho foi deixar as informações do show seguindo o caminho das superfícies como se estivessem pintadas nelas. Depois levei pro Photoshop, misturei com uma textura e tava pronto!

Mantive a logo normal porque esse era apenas a segunda vez que a utilizavam (por ser nova), assim não é o momento pra zoar com ela, mas de fixação. Demorei um pouquinho na escolha das cores pq queria algo forte e que ao mesmo tempo me fizesse achar que era possível ser a pintura quase brega de um daqueles botecões de esquina que toda a cidade tem. Acabei optando por um rosa choque pra colorir o objeto central e amarelei a vida em torno dele. No começo pintei "chão" e "céu" de cores diferentes, mas achei excesso de cores e desisti.

Esse tipo de arte me anima muito depois de pronto pq é certo que, meses depois, qdo vir postar aqui, ainda vou sorrir olhando pra ele. Idéia simples de tudo resultando num dos cartazes que mais gostei de fazer.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O CAMINHO QUE TE DEIXA FELIZ

Opa! Faz tempo que não atualizo a bagunça aqui, heim? Buenas, vamo que vamo! No episódio de hoje, o Maracutaia do Samba precisava divulgar seu famigerado show especial com repertório exclusivo do Marcelo D2 e, para isso, pediram algo que eu não aprecio muito: o uso de uma foto do artista homenageado, argh!

Nada contra o D2, muito pelo contrário! Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) quem perambula regularmente pelo blog sabe que não curto usar foto pq acho um facilitador criativo: só postar a imagem lá e fim. Pode ser até bacana pro cliente, mas não é pra mim! E, desculpa ae, nesse lance de arte, o criador tem que ser o primeiro a ser agradado. Se eu não me divertir, não tem porque fazer as coisas.

Comecei a imaginar modos de driblar o caminho mais curto e acabei optando por um simples filtro do Photoshop onde a imagem de uma camada absorveria a de outra. Coloquei uma foto do compositor carioca numa e em outra rabisquei a vontade. Quando apliquei o efeito, virou essa imagem rabicada onde ninguém tem dúvida de quem se trata.

Solucionado meu dilema, o resto seria moleza! Com mais uma rabiscada (dessa vez, de um jeito mais grosseirão) nas laterais que, somando com dois tipos de textura, pareceram folhas secando de algum tipo de planta. Sem apologias, mas isso também tem a ver com o D2, né? Então tá valendo, hehe!

De resto foi só encaixar as informações e zéfini! Curti os rabiscos, pois dão um ar de interferência, assim como os samplers que pintam na mistura de hip hop e samba do som que iria tomar conta da noite. O lance das cores tbm me agradou pelo clima de gastura do verde e cinza destacando o azul da arte central. Acho que acabou chamando mais a atenção do que se eu tivesse simplesmente colado uma foto ali...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?

Rage cover na parada novamente! Já devo ter postado uns quatro outros cartazes que fiz sobre o mesmo tema e, a pedido do próprio pessoal da banda, em todos tinha uma estrelona vermelha estampada pra facilitar o reconhecimento da galera. Mas, querendo evitar que a mesmice se abatesse no trabalho, resolvi traçar outro caminho que não fosse o mais fácil.

Pesquisei outras imagens que a banda homenageada costuma utilizar como símbolo e descobri um punho cerrado que provavelmente faz referência ao disco The battle of Los Angeles (1999). Refiz o desenho à minha imagem e semelhança pra deixar bem no meio da arte, mas não estava plenamente satisfeito com o resultado.

Sendo o Rage uma banda descaradamente canhota, resolvi fazer uma citação ao nosso querido amigo Владимир Ильич Ленин, que traduzido fica Vladimir Ilitch Lenin, ou simplesmente Lenin pros mais intímos. Líder do Partido Comunista e responsável pela Revolução Russa de 1917 que originou o primeiro país socilista do mundo: a União Soviética.

Obviamente minha forma de pagar um tributo é zoar a imagem do homenageado, portanto amalgamei o punho com o busto do nosso carismático revolucionário calvo, ampliando (??) os horizontes conceituais de ambas as imagens. Avermelhei o retrato e o desgastei bastante. Fiz o mesmo com o fundo e acredito ter dado uma impressão de fotografia antiga.

Não quis macular a imagem do novo ser que se formou colocando as informações por cima dele, então acabei encaixando tudo em volta. Sem a frescuragem do texto acompanhar o objeto central, bem quadradão mesmo! Logo do bar, nome da banda com uma fonte "Sex Pistols way of life" e demais informes. Gostei do nome ter sido quebrado ao meio! Achei que deu um tcham bem bacana.

Mesmo não citando a estrela de sempre, a banda curtiu e aprovou. Na época algum socialista que viu ficou um pouco ofendido por eu ter mexido com a imagem de seu ídolo, mas a pop-art taí pra isso mesmo: ao mesmo tempo que eleva-se o kitsh ao nível de algo sagrado, transforma-se ícones outrora intocáveis em bibelôs decorativos. Oh, yeah!

terça-feira, 14 de junho de 2011

SIT TIBI TERRA LEVIS

A confiança é muito importante na área de criação. Eu estava tão orgulhoso do último poster feito pro Base 2 (post PESADO) que acabei fazendo um que, em condições normais, não faria. Os porquês da auto-censura serão apresentados no decorrer do post. Vamos aos detalhes!

Ao mesmo tempo que estava todo cheio de mim, estava bobo com as músicas que a própria banda vinha apresentando na fase de pré-produção do disco. Portanto, queria continuar fazendo a ligação com elementos pesados. Depois do rinoceronte, a estrela dessa história (Sim, meu pequeno girino! Cartazes contam uma história. Do contrário como poderia eu encher tanta lingüiça com esses textos conceituais quilométricos que escrevo?) seria uma carismática bigorna. Pensei em pegar uma foto do objeto e transformar em estampa, como no primeiro da série, mas resolvi desenhar com o mouse mesmo. E assim o fiz!

Se tivesse ido pelo caminho mais fácil (estampa), o cartaz já estaria pronto. Seria colocar as informações do show e fim de papo. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), o som da banda não é apenas pesado. Tem bastante detalhezinhos, passagens sutis e eles não estariam representados aqui. Por isso a escolha do formato do desenho! Nunca fui um grande desenhista, tenho um traço bem sujo pra não dizer quase cômico. Achei que um ar de cartoon poderia ser o representante desse lado leve do som sem necessariamente estar aparecendo num elemento fisíco.

Desenhei bem toscamente a bigorna (na real, até caprichei, mas não consigo não ser tosco...) e comecei a lembrar dos velhos desenhos infantis que utilizam esse elemento e faziam minha alegria. O cheiro matinal de Tom & Jerry, Papa-Léguas e Pica-Pau estiveram comigo durante todo o processo, hehe! E já que todos esses meus "educadores" estavam pairando no ar... por que não fazer o mesmo com a protagonista da arte? Obviamente a bigorna não poderia pairar no ar, mas uma vez solta nas alturas, ela cairia. Tentei representar a queda copiando o desenho e colocando o efeito de transparência, sobrepondo com uma cópia menos apagada até chegar na original sólida.

A questão existencial que me atormentou após essa primeira parte completa era a seguinte: AFINAL DE CONTAS, SOBRE QUAL CABEÇA DE MELÃO ESSA BENDITA BIGORNA SE ESPATIFARIA??? Foram noites e noites sem dormir tentando eleger uma alma desafortunada merecedora de tal honraria desgracenta (na verdade, o impasse durou uma meia hora, mas vá lá!) até que começou a ecoar na minha cabeça o Belchior dizendo "QUE A TERRA LHE SEJA LEVE!" no final da canção "Pequeno perfil de um cidadão comum" que é uma tradução do "SIT TIBI TERRA LEVIS" que os antigos romanos escreviam nas lápides. Então que a bigorna sonora caísse sobre nossas cabeças mesmo!

Peguei uma foto do planeta e zoei no photoshop. Deixei mais esverdeada e com o efeito plastificado e apenas ela desrespeitaria o limite imposto pela moldura. Álias, moldura essa que eu fiz na mão também, dá pra perceber, né? Coloquei as informações de data e horário "entre o céu e a terra" e o nome da banda forjado no objeto central e senhora dos nossos olhos: a bigorna.

Deixando a profundidade de lado (salve, salve mestre Belchior!), achei meio comics demais e, se não estivesse me achando, não teria enviado pra banda. No fim das contas foi bacana! Os caras gostaram e teve um certo retorninho nos elogios. Que a Terra me seja leve!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

FUMAÇA CÓSMICA

Cartaz pro Beatles for Sale. O segundo de um pedido de três, cada um com uma característica diferente pro show. Após o iê-iê-iê (vide post IÊ-IÊ-IÊ), era a vez do psicodelismo entrar na área.

Correndo o risco de parecer mais repetitivo do que sou (e realmente sou repetitivo), pergunto novamente se já falei por aqui que gosto muito dos Bealtes? Claro que já, né? Mas acho necessário reafirmar essa máxima pra facilitar a sua compreensão, fiel leitor, hehe! Eu adoro o quarteto de Liverpool. Então é sempre uma alegria fazer um trabalho que tenha os caras como tema.

Redesenhei a clássica capa do "Abbey Road" (Apple Records -1969) com o acréscimo de um arco-íris no fundo, coloquei todas as informações numa ordem bem tranqüila. Tudo simples pra chegada do gran finale que viria na seqüência.

Até então a arte estava bem longe de ser psicodélica. Mas tudo estava friamente calculado! Peguei as cores do arco-íris e comecei a pintar o meio aleatóriamente com elas. Depois usei a minha querida ferramenta do dedinho no Photoshop para mistura-las e, por fim, sobrepus com fotos de satélite que mostravam constelações.

No cartaz branco, o desenho ficou parecendo uma fumaça alucinógena avisando os corações receptores que a boa música estava chegando. E estava mesmo! Eu já falei aqui que gosto dos Beatles?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

STEP BY STEP

Primeiro cartaz pro Foo Fighters Londrina, projeto cover baseado na banda do carismático Dave Grohl. Sempre achei uma banda muito "classuda", por isso tentei passar esse ar pra arte.

Textuta chapa de metal pro fundo. Pra combinar redesenhei a estrutura que aparece na capa do segundo disco da banda "The colour and the shape" (Roswell/Capitol Records - 1997). A diferença foi que, ao invés de manter as esferas brancas como na arte original, fiz e coloquei no lugar o logotipo redondo da banda que aparece em outro disco, a coletânea "Greatest hits" (RCA - 2009). Esse amalgama acabou criando uma nova figura.

Deixei a estrutura no canto esquerdo do poster e escrevi o nome da banda de maneira simples, assim como não inventei muito no informação do show. Pra mim, já estava passando o ar de classe e fim. Já ia mandar pra banda aprovar.

Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), antes mostrei a arte pra um amigo que me visitou e ele perguntou de que site eu havia copiado o logotipo esférico da banda. Ahhhhh, meu pequeno girino, eu redesenhei essa imagem! O cara teve a pachorra de me olhar torto, incrédulo. Então desmontei o desenho pedaço por pedaço no Corel pra provar que era de minha autoria. Só que quando desmontei, achei muito bacana as bolas separadas cada uma na sua cor, e... EUREKA!!! O passo-a-passo do logotipo também faria parte do cartaz! Coloquei logo acima do nome da banda e, agora sim, a arte estava finalizada. Dias depois até pensei q facilitaria minha vida mostrar a minha logo dentro de uma esfera ali no cantinho como prova pro camarada, mas ainda bem que não tive essa idéia, senão não teria rolado essa iluminação acidental... há males que vem pro bem!

terça-feira, 3 de maio de 2011

BOAS FESTAS!

Sim, eu sei que as festas de natal e ano novo já passaram faz tempo (álias, tudo de bom pra você, fiel leitor, hehe!), mas eu vou colocando os cartazes aqui conforme foram saindo e espaçando entre as bandas pra não ficar tããããooo repetitivo assim. Hoje post duplo pro DetSet e seu show especial com o repertório do Barão Vermelho justamente no natal e ano novo.

Quando pediram os cartazes pensei bastante se faria "normal" (normal entre aspas, né?) como os demais ou temáticos. Resolvi escancarar e me inspirei em cartões de boas festas mesmo. O motivo do martelo ter batido assim foi por eu achar que seria um diálogo interessante colocar o triplano Foker Dr. I do nosso carismático Barão Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, um verdadeiro às da aviação da Primeira Grande Guerra, em situações contraditórias com o cenário violento que nos surge em mente quando pensamos nesse personagem. Troquei tiros, morte e destruição por um ambiente onde a vibração positiva da esperança e o desejo de paz, amor e saúde predominam.

Pensando assim, não fiz nada muito ousado graficamente. O cartão (ou cartaz, tanto faz!) de natal é uma textura com efeito degradê verde cheio de flocos de neve estilizados. No meio uma tarja vermelha com o desenho do avião sendo puxado pelas renas do Papai Noel. Além dos personagens desse crossover serem antagônicos por si só, gosto de pensar num conto onde, numa noite natalina, o tanque de combustível do triplano é atingido e, quando a queda parecia inevitável, surgem Rudolph e sua turma (Rudolph, que álias, tem tudo a ver com o Barão já que é a rena do nariz VERMELHO!) salvando nosso herói. Quem sabe naquela noite, em agradecimento, o tio Manfred não ajudou o bom velhinho na entrega dos presentes?

Já no ano novo, predominou o branco e letras bonitinhas como se fossem um convite pra festa mesmo. Uma espécie de portal mágico mostra nosso protagonista voando durante a queima de fogos. Fiquei pensando em como existem semelhanças na diferença: o céu com clarões iluminados gerados pelos fogos de artifício lembram bastante os céus dos combates aéreos noturnos com explosões geradas por mísseis e rajadas de metralhadora. Visualmente são igualmente bonitos, mas o sentimento gerado por uma e por outra situação tem total contradição.

Essa contradição de situação talvez seja o que suplementa a falta de ousadia gráfica. Estamos falando de conceito. Mesmo que o receptor da mensagem não faça essas viagens que fiz ao olhar pros cartazes, não existe a possibilidade de, lá no fundo, a cabecinha dele não saber do absurdo que personagem e cenário representam. Dia desses, um cliente viu um trabalho meu e ficou na dúvida se aprovava por ser "clean demais", sugerindo poluir um pouco mais. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), era um caso bem semelhante a esse: a informação conceitual era tanta que, somar com visual também, seria passar da medida, ou seja, poluir o conceito! A gente tem que saber dosar informação pra não dar Ctrl+Alt+Del na cabeça da rapaziada. Uma coisa é ver o poster comigo mastigando as maluquices, outra completamente diferente, é colocar os olhos virgens na arte sem saber o que eu quero passar. É complicado, mas tenho que me colocar no lugar de quem está andando na rua e simplesmente vê essa folha colada num muro qualquer da cidade. No fim das contas, a gente tem que divulgar um show, né?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CUBIXXXMO CUMPADI!

Cartaz diferente pro especial com repertório d'O Rappa
executado pelo Base 2. Como tinha dito no último desses postado no blog (veja post FAVELA CHICK), começaria uma série com referências ao Rio de Janeiro (cidade de origem da banda matriz). Pra escancarar de vez, resolvi ainda tirar qualquer aceno aos discos dos cariocas, que até então vinham ditando a regra.

Peguei uma foto do Morro Dois Irmãos, um dos cartões postais mais belos da nossa primeira (opa! primeira não, burraldo!) antiga capital e redesenhei só o seu contorno. Até aí tranqüilo! O que deu trabalho mesmo foi o detalhe dos prédios: Cada quadradinho colorido ali representa um edifício real, na mesma proporção e profundidade dos originais.

Inspirado em cartazes antigos, fiz um jogo de bordas de quatro cores (existe uma borda branca antes da azul e perceba o morro fazendo o amarelo assumir essa função além de ser o fundo do desenho), e usei fontes mais divertidas numa diagramação espalhafatosa e apertada. Voilá!

Simples de tudo e 100% produzido no semi obsoleto (mas que ainda é meu favorito!) Corel Draw. Gostei muito do resultado final e ainda recebi alguns elogios por esse, yeah!

quinta-feira, 31 de março de 2011

GLACÊ PSICODÉLICO

Aqui um caso de mudança de identidade visual. O cliente pediu logo, cartaz, cartão, etc. O detalhe é que ele já tinha tudo isso. Meu trabalho seria dar um upgrade a parada toda. O Detset faz rock dos anos 80, 90 e 2000, ou seja, banda de dial (aquele simpático mostrador de rádio) que toca sucessos atuais e mega hits do passado. Sem trabalho autoral. Portanto, na teoria, trata-se de uma autêntica banda pop como tantas que a gente conhece.

Numa rápida pesquisada no tipo de comunicação que é desenvolvido pra bandas semelhantes, encontra-se dois pontos comuns: muitas cores e alegria/festa (e nisso incluo cartazes antigos da própria banda). Só que se os caras contrataram o meu trabalho por livre e espontânea vontade, estando cientes do meu estilo, quer dizer que estava claro que desejavam justamente o toque escamoso nesse novo visual.

Mãos à obra! Primeiro a logo. Já falei aqui que não gosto de criar logo? Pois é! Não gosto. Fiquei alguns dias quebrando a cabeça porque queria chegar num ponto médio entre o pop e o cool. Acho que o detalhe da guitarrinha deixou açucarada para a galera blasé e o modo como encaixei as letras tenha tornado "muderna" pra galera pop. Buenas, o target da banda (público e contratantes) não é alternativo, muito pelo contrário. Então é isso. Simpático sem ser sorridente-extreme e confuso sem ser agressivo.

Já na linguagem do cartaz eu queria um pouco mais de agressão, sim senhor! O mundo dos cartazes pop geralmente é muito "felizinho": um emaranhado de cores e informações que só poluem a arte. Fujo disso! Aqui a intenção era (além de priorizar o novo look) mostrar que uma banda estava chegando, e não uma coisa descartável. Afinal de contas, uma banda é algo importante. São os mestres de cerimônia que vão embalar a sua estadia num determinado recinto! O clima da sua noite está intimamente ligado à performance dos musicos.

Logomarca centralizada dando um grande "olá!" e informações bem organizadas, dentro de quadrados pretos e ocupando pontos extremos da arte (local do show no topo e demais infos quase no rodapé) pra evitar poluição. Valorizei a data e gostei do jeito que deixei horário e preço do show pequenos.

A criação do fundo estava resolvida na minha cabeça: amarelo chapado com uns elementos vermelhos nas laterais. Até pra valorizar a logo nova, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) como eu tinha tempo pra entregar a arte, resolvi brincar com algumas texturas e transformei a foto de uma piscina (com água azul e limpa) nesse glacê áureo maluco que me fez mudar radicalmente de idéia. Fiz uns riscos com um pincel mais grosso e falho do photoshop num vermelho que ia escurecendo gradativamente. Acabei mexendo na logo por isso: coloquei um efeito plástico e sombra pra dar uma impressão 3D.

Então é isso. Acho que comecei a vestir uma camisa de flanela na imagem do Detset. Os próximos capítulos dessa saga em busca da identidade visual ideal você, meu querido e fiel leitor, acompanha em breve aqui no blog. Hasta!

sexta-feira, 25 de março de 2011

SAUDAÇÕES NERDS!

Maracutaia do Samba no ar com outro dos que mais gostei de fazer! É pedido da banda colocar os instrumentos nos cartazes que faço pra eles. Seria fácil ficar na zona de conforto de sempre agradar o cliente, mas às vezes não. Repetição gera estafa. Visual pro receptor da mensagem e mental pra quem faz a criação (eu mesmo). A solução que gosto pra evitar esse problema é ir, aos poucos, acrescentando elementos no conceito. Vai chegar uma hora que, sem grandes mudanças, o resultado já será bem diferente.

Nesse caso, me inspirei nos clássicos filmes de alienígenas dos anos 50, como por exemplo "A invasão dos discos voadores" (Earth vc. the flying saucers, EUA, 1956), e coloquei uma textura metalizada num pandeiro. Não é que ficou a cara de um OVNI?

Tendo a idéia definida, o resto foi só rabiscar manualmente um cenário (no caso penhasco e mar) e acrescentar pequenos detalhes como uma dupla avistando as naves (o bom e velho contato imediato de primeiro grau) e o veleiro sendo abduzido (contato imediato de quinto grau!!!). Pra dar o clima antigo joguei uma das minhas amadas texturas de papel velho que, nas cores puxadas pra tons pastéis, deram um ar de aurora boreal pra parada.

As informações ficaram bem comportadinhas em branco no penhasco e fim. Fim? Que nada! O cartaz foi VETADO, hehe! Tive que fazer um igualzinho os outros que fiz (nem vou postar aqui porque não tem o que falar sobre algo igual a outra arte já dissecada no blog) e, confesso, fiquei magoado. Estava mega empolgado com a solução encontrada pro problema da repetição. Sem falar que estamos falando de um dos cartazes que considerei ponto alto da minha criação! Ah, mas isso não ficaria assim... esperei um dia pedirem um cartaz com o adendo "URGENTE: PRA ONTEM!" e, quando esse dia radiante chegou, sugeri utilizar a arte que estava engavetada! Só mudei as informações e lá estava a minha ode a ficção científica em forma de poster musical pendurada nas ruas da cidade, hohoho! E digo mais: foi extremamente elogiada! O nerd apressado come miojo cru e quente, rapá...

sábado, 19 de março de 2011

CRAQUELÊ ESCARLATE

Há tempos não fazia um cartaz com o tema do Rage Against the Machine (obviamente trata-se de uma banda cover). Se não me engano, os últimos tinham sido pedidos no comecinho de 2009. Buenas, eis que surge uma nova missão e, cá estamos para cumpri-la da forma mais arriscada nesse mundo da propaganda (embora eu ache a que mais emociona): PESSOAL EXTREME.

O Rosa (vocalista da banda) sempre pede pra colocar "uma estrelona vermelha pra todo mundo se ligar" que já havia utilizado nas outras vezes. Mas é aquilo que já tinha dito no último cartaz da banda (vide post AI SE SESSÊ!): tudo bem reutilizar idéias, mas faça um igual de forma diferente.

Sabendo q a estrela estaria ali de qualquer forma, voltei minha preocupação pro fundo. Peguei uma textura de papel velho, amarelado pelo tempo, e utilizei um efeito negativo, transformando num azul escuro meio assombrado. Imaginando como ficaria esse fundo com o símbolo central não gostei. Mas não desisti de mantê-lo ali! Criei um novo fundo bege bem clarinho chapado e comecei a fazer uns rabiscos em azul. Até aí nada demais... porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) qdo amalgamei com o efeito negativo da outra textura, o fundo ficou ainda mais tenebroso e (muito alquimista morreria de inveja...) os riscos ficaram dourados! Quase dando uma impresão tridimensional. Como estavam muito finos, copiei o desenho e só dei uma espaçada em outra direção pra criar mais volume. Repeti esse processo mais uma vez e pronto: uma nutritiva macarronada ectoplasmática estava no ponto para ser consumida pelos olhares receptores da mensagem!

Fundo legal, mas poluído. E pra colocar as informações do show naquele massaroco? Ninguém enxergaria necas de pitibiribas! A solução veio de uma forma que muito me agrada: MOLDURA. Mas não uma moldurinha qualquer, nada disso! Tinha q ser uma senhora moldura que ocupasse boa parte do cartaz, deixando de ser item coadjuvante e sendo promovida a "elemento que dá um toque de classe". Simplesmente a fiz branca com as bordas borradas pra dar manter o clima soturno e curti bastante! Usei uma fonte só em minúsculas pra dar um ar gracinha, mas toda rabiscada pra entrar na onda do geral, colorindo em vermelho e preto.

Agora só faltava a estrela principal da arte q, por sinal, é uma estrela, hehe! Desenhei manualmente de uma forma bem tosca e, de quebra, usei um efeito pra craquelar minha protagonista escarlate. Só o efeito bruto não bastou e acabei dando uma forcinha pro Photoshop, quebrando alguns pedacinhos manualmente. Ah, atente-se pro fato dela vazar um pouco da moldura!

Arte finalizada, certeza de ser a que mais gostei de ter feito sobre o tema até então e, por que não dizer, a percepção de que, às vezes, ficar um tempo afastado de certo projeto é benéfico pra dar uma refrescada nas suas idéias. Fidelidade de um cliente é ótimo, mas é saudável pro próprio produto respirar outros ares também. A mesmice é o primeiro passo pro anonimato.

segunda-feira, 14 de março de 2011

PESADO

Base 2 na área! Eles fazem o especial d'O Rappa, é bacana fazer as artes, mas gosto mesmo quando rola o show rock'n'roll dos caras com as músicas deles.

Como tive o privilégio de acompanhar toda a pré-produção do disco dos caras, sei bem o que vem por aí: PORRADA SONORA! A primeira coisa que pensei foi fazer uma referência ao peso que a banda vem aplicando no seu som. Como sou um assíduo telespectador de documentários (quase um biólogo frustrado), resolvi que a imagem que representaria isso seria a de um rinoceronte. Sim! Aqueles simpáticos mamíferos perissodátilos que são a versão da Mãe Natureza para um tanque de guerra.

Pois bem, achei o retrato de um ser muito fotogênico da espécie e transformei em estampa. Na sequência, fiz um processo muito parecido com o do último post (tinha recém feito a propaganda) e rabisquei uma espécie de sombreados aleatórios no animal. Preferi utilizar tons pastéis entre amarelo e marrom, pois já tinha me decidido que o fundo seria totalmente branco.

Mas o Base 2 não é só paulada. Tem muito detalhezinho nos arranjos das canções, timbres variados, frases instrumentais delicadas, etc... e isso PRECISAVA estar, de alguma forma, representada na ilustração. Rabisquei então linhas azuis e vermelhas saindo das costas do rinoceronte que deram um ar psicodélico pra arte.

A logo da banda serviu como base de apoio pro nosso protagonista chifrudo. Adorei descentralizar ela desse jeito e torna-la parte do desenho. Deu aquele ar classudo que tanto gosto de não utilizar todos os espaços possíveis do cartaz. Também deixei as informações fora do eixo, separando-as com um ponto e por cores (as mesmas utilizadas no rinoceronte). Abaixo da logo e nas cores dos rabiscos psicodélicos, especifiquei (a pedido da banda) que se tratava do show de repertório rock e autoral.

Enviei a arte pra aprovação dos caras com certo receio. Geralmente quando gosto muito do resultado final, penso que posso ter viajado demais na maionese, mas eles também gostaram. Sinceramente, até hoje é um dos cartazes que mais me orgulho. Tanto que vai servir de referência pra todo o projeto gráfico do disco da banda que vou fazer. Quando sair do forno eu posto aqui o resultado, falou?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

XEROX MANUAL

Ainda na onda etílica iniciada no último post, e fora da minha quase "zona de conforto" dos cartazes, eis aqui uma propaganda da Usina Londres, uma das melhores choperias de Londrina-PR. O objetivo era anunciar que, além do choop, o cliente agora teria a opção de saborear sua cervejinha na tradicional garrafa 600ml.

À primeira vista essa é uma arte que parece simples (e é!), mas tive um certo trabalhinho porque minha idéia original era colocar as fotos das garrafas comercializadas no local. Não encontrei nenhuma em qualidade boa nem no site da empresa que as produz (e não teria verba nem tempo pra um fotografo resolver a questã0), portanto tive que me virar e apelar praquelas idéias que surgem quase que por acidente, mas que láááá no fundo você sabe que não é...

Peguei a foto de uma garrafa e tentei transforma-la em estampa no photoshop, mas não ficou legal. Tentei outros efeitos destrutivos que também não deram em nada. Até que me veio o lance de natureza morta na cabeça. Bacana, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), nunca segurei um pincel em minha vida! Seria eu, capaz de olhar pra um objeto e reproduzi-lo? A resposta é um sonoro NÃO, claro! A minha saída foi XEROCAR MANUALMENTE a garrafa. Explico: ao invés de olhar e reproduzir, desenhei POR CIMA da foto, só acompanhando as alterações de cores e sombras. Depois apaguei a imagem e o que sobrou foi o desenho. Fiz um processo parecido com a logo que virou rótulo.

Diagramei o texto separando as palavras por cores, tamanhos e linhas. No fundo, uma boa e velha textura envelhecida numa cor meio dourada cuidando pra deixar um degradê que fosse clareando da esquerda pra direita o lado inferior.

Acabou que uma propaganda que ia ficar com uma foto sem graça e comum acabou se tornando uma pintura me deixando muito mais satisfeito com o resultado. Gosto desses conceitos de pop art que colocam o descartável (produto de consumo) num nível de sagrado (arte). Voltei a utilizar essa técnica nos cartazes seguintes com a mesma alegria. Logo, logo pintam por aqui. Até lá!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

SE BEBER... CASE!


Sinceramente, nem nos meus mais malucos sonhos trancafiados nos confins do meu inconsciente anormal, eu pensaria que um dia, alguém são teria a audácia (e pq não, a irresponsabilidade) de me pedir um convite de casamento... mas aconteceu! GABRIEL FEIJÓ COMETEU O INIMAGINÁVEL!

Obviamente que o inimaginável não é o fato do amigo estar se casando. A Paula é uma mulher muito bonita, inteligente e um excelente partido. Inimaginável é correr tamanho risco de, por causa do resultado de uma arte, mandar 11 anos de relacionamento direto pro buraco!

Tentei desaconselhar o rapaz de várias formas, usando toda a minha lista infindável de argumentos auto-depreciativos, mas não rolou. A missão era minha e não seria nada fácil: o convite teria que ter a cara do casal e meu controle de qualidade exige que também tenha a tradicional assinatura tosca escamosa.

Desnecessário dizer que, até na concepção deste ogro que vos escreve, um convite de casamento é um item glamuroso. Comecei a quebrar a cabeça com o Gabriel que deixou claro não querer nada convencional (o que já me era um alívio) e, em algum momento stand up comedy, sugeri um convite no formato de rótulo de cerveja. Os olhos do noivo brilharam de forma diferente naquele segundo. Novamente argumentei que era apenas uma brincadeira, mas ele bateu o pé. Ok, ok, ok... eu ainda estava tranqüilo por achar que a Paula vetaria tamanha barbaridade, mas pra afundar de vez a minha esperança na humanidade, ela também aprovou!

Buenas... em Roma, faça como os romanos. Digeri a causa e agravei o quadro qdo falei que poderiamos comprar um monte de long necks e colar o convite no lugar do rótulo, então cada convidado teria uma garrafinha. O brilho do olhar voltou a acender...

Iniciei um processo de pesquisa com vários rótulos de cerveja do mundo inteiro. Pedi auxilio ao meu grande amigo e, nas horas vagas, gourmet e mestre cervejeiro, Paulo Mopho. Depois de muito observar, comecei a estruturar o formato, cores e estilo até que cheguei na que considerei ideal, com uma textura de papel antigo dando uma impressão dourada que combinava com o conteúdo da garrafa e o triângulo que seria mesclado com uma forma oval contendo a imagem do casal. Acima disso uma faixa anunciando o evento. Quando fui informado pra colocar "churrasório" ao invés de "casamento" entendi o porquê do clima descontraído da idéia e, finalmente, desenvolvi o trabalho de forma aliviada, hehe!

Seguindo a grande maioria dos rótulos famosos, fiz um desenho do casal pra ficar como imagem central, ficou até bonitinho, mas a Paula sugeriu de usar uma foto de verdade. Fiquei temeroso, mas depois que envelheci a imagem um pouquinho e encaixei na arte, não tive dúvidas que, a partir daquele momento, meu único trabalho seria diagramar o texto que eles estavam escrevendo, pois o visual estava finalizado.

A redação ficou excelente com vários paralelos entre a história do casal e as informações contidas num rótulo de verdade. Dei destaque pro endereço do evento e aí foi só mandar imprimir, colar nas garrafas e correr pro abraço (ou melhor, pro churrasório, que foi muito agradável)!

Taí! Mais uma vez, fui surpreendido pelo resultado de um projeto em que eu não depositava nenhuma fé na minha capacidade. Achei muito simpático o convite e o retorno dos convidados foi amplamente positivo. Tenho o meu convite comigo guardado até hoje (já faz quase um ano que rolou o casamento) e, acredito que muitos dos convidados também guardaram a divertida lembrança. Só posso agradecer aos noivos por confiarem a mim a responsabilidade de um momento tão importante das suas vidas e desejar toda a felicidade do mundo pros dois. Muito obrigado e parabéns de coração!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

IÊ-IÊ-IÊ

Mais um cartaz pro Beatles For Sale, ueba! O pedido veio com o aviso de que o show focaria mais a fase ie-ie-ie, tocando as canções do ínicio da carreira de John, Paul, George & Ringo.

Não sou nada entusiasmado em usar fotos nas minhas artes, mas lembrei na hora da histórica apresentação dos Beatles no Ed Sullivan Show. Estima-se que n aquele dia 9 de fevereiro de 1969 uns 70 milhões de americanos estavam assistindo o programa batendo todos os recordes de audiência na época e ponteando o auge da beatlemania. Sempre gostei muito do palco montado para a ocasião (com setas cercando a banda) e resolvi brincar com essa imagem.

Destruí completamente uma foto de making of que além dos Beatles e do cenário, mostrava ainda a equipe filmando e os holofotes do estúdio. A idéia era tornar as extremidades escuras pra dar a impressão de que a luz viria diretamente do centro. Entre os filtros que usei no Photoshop, destaca-se o de plastificação que reforça o lance da iluminação e descaracteriza os músicos sem que o receptor da comunicação deixe de saber quem é quem.

A borda das setas foram levemente rabiscadas de forma manual e bem tosca, o que deu certo brilho pra elas. Esse é um daqueles detalhezinhos que fazem diferença pra mim.

De resto, nome da banda em destaque, repetindo as estrelinhas usadas no primeiro cartaz que fiz pro projeto (veja post ALL YOU NEED IS) e a informação em letras grandes separadas por cores (na verdade, utilizei a mesma textura da foto pra manter a unidade e não destacar tanto como se tivesse simplesmente jogado uma cor chapada ali).

Esse foi o primeiro cartaz de uma série de três que a banda pediu de uma vez só. Cada um com uma característica diferente. Futuramente os seguintes darão as caras por aqui. Até lá!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

BUTTERFLIES FLY

Alô, alô! Salve, salve rapaziada passageira de 2011! Cá estamos em mais um ano tentando explicar o inexplicável da identidade visual instintiva. Seja bem vindo!

Vamos abrir a terceira temporada do projeto simples com o cartaz do Colher de Chá tocando no Estação Café Brasil. Banda do amigo Gabriel Feijó que já está com disco quentinho no forno e projeto gráfico escamoso, o que certamente facilita na hora da composição de uma arte pra divulgar show já que conheço bem o projeto.

Os caras descem a sola da botina no bom e velho rock'n'roll com alusões psicodélicas, letras e solos quilométricos... enfim banda de rock. Clássico "um, dois, três e foi" sem muito nhem-nhem-nhem. Mas eu falei psicodelismo, né? Então o leitor habitual dessa casa da mãe Joana do cyber espaço já sabe o caminho q vou seguir na composição do poster... se me deixarem a opção, eu SEMPRE vou derreter, hehe!

Utilizei quilos das colheres-borboletas que farão parte do disco e já deram as caras no outro cartaz que fiz da banda (veja post VAMOS COLORIR?), como se estivessem presas numa gaiola formada pelas informações do show contendo uma pequena abertura por onde elas escapam e se espalham pelo grnade mundo do formato A3.

No fundo, misturei uma textura de papiro em decomposição com uma chapa de metal (!) e ainda dei uma boa estragadinha no photoshop. Acabou se transformando numa espécie de papel de carta azul calcinha lavada na cândida. Gostei muito disso!

O nome da banda eu mesmo desenhei no Corel (álias, uns 80% do cartaz foram feitos ali!) e usei o efeito de plastificação no photoshop que quase dá uma sensação 3D. O amarelão acabou destacando bem bacana do resto.

Pra finalizar, vamos ao já tradicional "último-parágrafo-auto-ajuda": enquanto as borboletinhas voam pra encontrar sua liberdade, eu posso dizer que fiz um cartaz "estilo papel de carta" pra uma autêntica banda de rock, e assim, faço uso da minha. Que o resto do ano continue assim!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SEGUNDO & PRIMEIRO

Salve, salve amigos do projectum simples! Mais de mês que não posto por aqui, então vamos colocar mãos à obra, yeah!

Conforme prometido há muito tempo atrás (post QUEM ESPERA...), aqui está o primeiro cartaz divulgado pro show da banda Detset só composto de músicas do Barão Vermelho. Eu tinha outra arte já feita pra essa situação, mas conforme explicado no link, meu pc explodiu naquela época e precisei fazer essa que você visualiza agora.

Comecei procurando uma foto de terreno rochoso, juntei nele um filtro vermelho e o fundo estava pronto. Depois coloquei bem grandona a logo da banda utilizada na capa da coletânea "Pedra, flor e espinho", lançada em 2002. Acima dela, entrou um pequenino "Detset especial" e logo abaixo o tema do show num tamanho maior (que é o importante nesse caso). Como eram 2 palavras pra cada frase, deixei uma em branco e outra num vermelho mais escuro.

Ah, mas certamente iria fazer referência ao carismático Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen (1892-1918). Sim, ele mesmo! O às dos ases da aviação que tirava o sono de muito pilotinho da Tríplice Entente (turminha formada na Primeira Guerra Mundial composta pelos impérios Russo e Britânico, além da França e, mais tarde, os EUA) e do qual a banda carioca tirou seu nome. Buenas, acabei estragando a foto antiga de um piloto, transformando-a nessa esfinge triplicada logo acima das informações do show. Coisa pouca, mas saciou minha tara por citações nerds, hehe!

E assim termina a saga do segundo cartaz que na verdade é o primeiro (omg!). Na época, como foi a sapatada de estréia da banda com arte minha, acabaram rolando alguns elogios... eu, é claro, sempre curto quando rolam!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

LUCY IN THE SAMBA DOCE

Tenho ótimas lembranças do dia em que saiu esse cartaz: era uma manhã ensolarada meu sorriso estava amarrado na orelha. É raridade eu acordar de bom humor! Estava ouvindo discos psicodeliciosos dos Beatles, Beach Boys e Pink Floyd quando apareceu o pedido da arte. A lisergia transpareceu no resultado final.

Comecei e terminei durante o período matutino mesmo. A primeira idéia que veio a cabeça já era simples e prometia me agradar. Simplesmente peguei uma foto de circuito num layer e em outro um chapadão branco. Transformei a photo de um pandeiro num desenho, selecionei a figura e apaguei (de uma forma meio falha no meio) no layer branco. O circuito surgiu no formato do instrumento. Repeti processo com todos os elementos do cartaz (logo da banda, informações e até meu carimbo).

Gosto de fundos brancos. Esse ar clean me passa uma sensação muito tranquila, positiva e classuda. A informação pequena também sempre me agrada. Essa arte recebeu alguns elogios depois que começou a circular, o que colabora pra manutenção do bom humor escamoso, hehe!

E dei sorte de ter feito durante a manhã, pois choveu de tarde. Acredito que o tempo fechado não teria me proporcionado esse ar inspirativo levinho, levinho. Trampo rápido e tranquilo. Gostei de fazer!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

FAVELA CHICK

Mais um especial O Rappa que o Base 2 apronta na cidade. Aqui mantenho o lance de dar menos destaque pro nome da banda pra separar esse repertório do de show normal e inicio uma série de pequenas referências ao Rio de Janeiro que seguirão nos próximos cartazes com esse tema.

Nesse caso, a referência está no fundo. Misturei três texturas, duas de madeira e uma de papel pra dar esse clima meio favela que tinha tudo a ver com o boneco utilizado na capa do disco Instinto Coletivo (Warner-2001). Mesclei-o ao fundo deixando as sombras em destaque. Mantive a "porta" da imagem original pq ela se une ao fundo dando impressão de que ele é um castelo na favela e o cavaleiro trajando de elmo uma camiseta na cabeça é o rei no apogeu da sua glória, hehe!

Pra anunciar o show coloquei um retângulo branco deslocado em cima de um retângulo preto também torto. Depois fiz uns desenhos pontudos meio tribais como se estivessem vazando do quadrado de cima e escrevi o nome da banda colando a borda de baixo no retângulo preto pra tbm dar essa impressão de vazamento. De diferente só a palavra "especial" em vermelho.

As informações do show foram colocadas de forma diferente, seguindo a linha torta do título em destaque. Fiz as letras tortas e escapando dos limites em vermelho e preto. Também inverti a posição onde ficam deixando no lado esquerdo de quem lê (geralmente prefiro colocar no direito ou meio pra facilitar a visualização).

Carimbinho escamoso no canto e mais um pra conta! Até mês que vem estarei completando a primeira centena de cartazes desde que comecei a rabiscar sem querer. Legal, né? Eu tentei fugir de mim, mas pra onde eu ia, eu tava...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

DE 10 ATÉ 100 MIL.

Sempre fui um grande admirador do Pato Fu. Tenho os discos, já fui a uma porrada de shows, gosto da maneira como se portam, etc... por isso adorei quando a Miriam Sampaio me falou que ia fazer um especial com músicas da banda e precisava de um cartaz.

Musicalmente e visualmente a banda sempre me passou uma visão de caos: Vão de uma sublime delicadeza até a tosquice mais desgraçada dos infernos. Como sou um defensor da utilização do Paint nos meus trabalhos, não tive pudores em fazer parte da arte ali mesmo! Peguei as três carinhas desenhadas na contracapa do "Rotomusic de Liquidificapum" (Cogumelo - 1993) qdos os patos ainda eram um trio e desenhei no mesmo esquema os dois integrantes q entraram depois.

Ainda no campo das citações, deixei uma bola vermelha de fundo (posteriormente zoada) pra lembrar a logo original da banda que fazia uma alusão à bandeira do Japão. Mas dei meu toque no nome da banda e acabei repetindo o processo nas informações sobre o show.

Pra fazer o fundo (já brincando no photoshop), misturei duas texturas muito loucas e ainda um quadro do Jackson Pollock (1912 - 1956) que também é um grande expoente em colocar ordem no caos, chapei num amarelildo e virou essa ode ao omelete que você pode visualizar. Ainda lasquei uma moldura e zoei com ela do mesmo jeito que fiz o círculo japonês.

Detalhezinhos: a logo do bar num cartão postal e os desenhos utilizados na capa do já citado "Rotomusic de Liquidificapum" (a parte debaixo culmina no meu carimbo, hehe!).

Ah! E um ponto que não curti foi colocar a escalação da banda no cartaz. A não ser q o baixista e o baterista sejam o Paul McCartney e o João Barone respectivamente (ehehe!), essa é uma informação desnecessária e que periga deixar a arte com cara de bula de remédio. Lembrem-se sempre, crianças, que menos é mais.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CONCEITO OCTAGENÁRIO

Cartaz mega simples pro Pacman 80, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) complicado é ser simples e ser simples é complicado. Pra chegar em determinado resultado é necessário o tal do conceito. E como criar conceitos? Buenas, no meu caso utilizo a informação colhida nas três décadas de vida. Toda ela! Claro, que sempre curti ficha técnica de discografias e biografias de músicos/bandas das mais variadas espécies. Isso dá um caldo para que a criação possa ser espontânea sem perder a cara do negócio (e diminuindo o risco de eu perder o amor/paixão/tesão/pauduressência também).

A curiosidade é que esse foi feito 100% no Corel (atualmente tô fazendo 50% ali e 50% no photoshop na grande maioria dos trabalhos). Deixei uma margem branca e simplesmente dividi o fundo em quadrados. É aí que entra o lance da referência: pesquise os anos oitenta e você vai dar de cara com um zilhão de misturas de cores gritantes e neons da vida. Colori aleatoriamente como se fosse um fundo de palco do Chacrinha ou do Sérgio Mallandro. Como NÃO ESTAMOS mais naquela década, o branco foi a base de tudo, deixei as cores num tom mais pastelzinho e ainda fiz um degradê onde a parte de cima bem mais clara que a de baixo. Essa foi uma opção pra dar um ar mais clean pra arte.

Centralizei uma grande logo do da banda com um sombreado verde pra destacar do fundo e, nas informações do show, fui direto numa fonte vazada que só o nome já explica o motivo da escolha: "NEON LIGTHS", hehe! Deixei uma de de cada cor e tava feita a oitentice!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

BECAUSE THE SKY IS BLUE

Buenas, parece que os Beatles for Sale gostaram do primeiro cartaz que fiz (post ALL YOU NEED IS) e resolveram pedir mais um, ueba! Ou, quem sabe, resolveram me dar outra chance pra ver se, dessa vez, eu acertaria a mão, hehe!

Preciso explicar de novo que tenho uma grande motivação pra fazer uma arte referente ao Fab Four? Não, né? Então comparei com o outro e pensei q, apesar do arco-íris de centro, o geral poderia ter mais cor. Então mãos à obra!

Repeti o arco-íris. Dessa vez ele não seria o centro da arte, e sim, um divisor de dimensão, circunstância, situação. Separaria a textura de papel velho utilizada no primeiro cartaz com um céu azul cheio de nuvens fofas (se alguém pensou em "Because" acertou o ângulo!).

Feito isso, coloquei a logo da Apple no centro de tudo com o nome da banda na frente dela. Atrás de tudo uma explosão de cores pra dar um arzinho psicodelicioso que tanto me agrada. Na minha cabeça isso era um "filtro de vida", o que tocasse ali, conheceria a mensagem beatle.

Então uma espécie de arrastão espérmico mutante rosada saí do papel rústico em direção a esse óvulo de maçã e, depois de atravessá-lo, sofre uma linda metamorfose e todos viram corações cheio de amor pra dar. Essa histórinha bonitinha é, definitivamente, a maluquice que mais gosto nessa arte.

De quebra, destruí uma foto dos Beatles e coloquei lá embaixo na forma de um malvado desenho azul. Reparem q o Ringo avista o arrastão espérmico mutante, o John conta pro Paul q faz uma cara de bobo e o George, pelo visto, já sabia.

Pra finalizar, infos em letras minúsculas e sem espaço entre elas. O que separa são cores e tamanhos de fonte.

Errr... eu já falei que gosto de Beatles, né?

sábado, 21 de agosto de 2010

QUEM ESPERA...

Apesar de ser o primeiro cartaz pro especial Barão Vermelho que apresento aqui no blog, na verdade, esse foi o segundo que saiu na vida real. Então pq catso não postei o de estréia? Simplesmente pela causa, motivo, razão e circunstância de que esta arte q vc vê agora foi desenvolvida UM ANO antes da primeira.

Explico: qdo nasceu o projeto, o Marcelo (batera da DetSet) comentou comigo de, quem sabe, fazer o poster. Me adiantei e fiz no dia seguinte. Acabou não rolando, mas deixei salvo no submundo dos arquivos escamosos.

Quando pensamos em Barão Vermelho qual é a primeira imagem q surge na cabeça? A banda? Ah, só se for pra vc, meu pequeno girino! Eu viajo diretamente pros tempos da Primeira Guerra Mundial e vislumbro uma de suas grandes estrelas: Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen (1892-1918), às da aviação, vencedor de uns 80 combates aéreos e, por isso, o próprio Barão Vermelho.

Fui diretamente destruir uma imagem do triplano modelo Fokker DR1 utilizado pelo piloto, e deixei as informações do evento acompanhando sua inclinação. Fundo vermelho chapado (como não poderia deixar de ser) e ainda reproduzi o brasão alemão que estampa o avião na parte superior juntamente com guitarras (vermelhas, claro!) pra dar um tcham a mais.

Optei por não dar muito destaque pro nome da banda pelo fato do importante ser o tema do show (no caso Barão Vermelho). A banda DetSet faz shows com repertório variado e acredito ser mais adequado linkar o nome com essa situação.

Enfim, após doze meses, a banda pediu uma arte escamosa e falei q ela já estava pronta há tempos. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) na época, tinha dado um mega bug no meu pc e acabei fazendo outro cartaz enquanto não recuperava esse primeiro (q acabou virando segundo), ficou bacana também, mas essa é uma outra história pra um outro post. Até lá!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

NO LIMITE

Às vezes, trabalhar com a limitação pode gerar idéias interessantes. Nesse caso do Maracutaia do Samba, por exemplo, não poderia utilizar cores pra baratear o custo da impressão (fator que geralmente não me deixa tão contente ao receber o pedido).

Além disso, o Rosa (vocalista da banda) gostou dos cartazes anteriores que fazem uso de instrumentos referentes ao samba ou ao hip hop na arte. O pedido era que continuasse nessa linha.

Além disso (hehe!), o prazo era mega apertado.

E, claro, não poderiamos deixar de falar da maior de todas as limitações: o meu amor pelo minimalismo. No meio do fim das contas é sempre ele que me salva justamente nos momentos que penso estar mais amarrado. Dizem que gato acuado vira leão, né? Acho que é por aí mesmo.

Resolvi ir no inverso da fase de texturas que estava passando e apelei pro meu velho paint way of life. Peguei a foto de um pandeiro e desenhei por cima. Quando apaguei a foto sobrou a ilustração. Rabisquei o que me pareceu um caule e clonei mais alguns, criando assim, a primeira plantação de pandeiros da história.

Segui a linha do manual em todo o resto da arte. Desde o nome da banda até na minha própria logo. Olhando agora, não me agradou a disposição das informações (local, data, etc...). Hoje resolveria de forma diferente, deixando quase sem destaque.

Na época um pessoalzinho até elogiou e tals. Acho legal quando rola esse retorno porque eu mesmo não curto muito meus desenhos (apesar de ter um carinho especial dessas mais puxadas pro paint... deve ser minha alma tosca), então é bom saber quando agrada. Afinal, quem planta colhe!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

RECICLOU, TÁ NOVO!

Nem tem muito o que explicar na idéia dessa arte porque ela é totalmente baseado na capa do EP que fiz pro Base 2 (post ROTEIRO DE FILME B). Até porque esse seria o show onde a banda mais teria acrescentado suas próprias canções em meio ao repertório de covers, ou seja, estaria mais com a cara deles mesmo. Tive que adaptar as figuras pro formato A3.

Como salvo os trabalhos no formato pds (onde os layers ficam separados), posso mexer em cada uma das figuras de forma exclusiva. No caso, reutilizei o papel amassado do fundo, os números binários e o projeto da base nele impressos (apesar de formar uma única imagem, cada elemento é tratado separadamente). Além desses, tem o envelope do topo, a logo da banda e o papel branco manchado.

Como grande novidade, adicionei a presença de um mapa antigo devidamente destruido pela ação do tempo e do meu talento para desfigurar coisas bonitas. Cheguei num tom amarelo/dourado que me agradou muito.

As informações do show foram todas jogadas no papel branco. Diagramei de forma que acompanhassem (pelo menos um pouquinho) a disposição torta e basicamente utilizei dois tons de vermelho para separar palavras. Já falei que acho mais bacana separar assim do que utilizar espaços, né? Então é isso aí!

Ah, fui nesse show e a pegada dos caras tá demais. Parabéns pra banda!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ALL YOU NEED IS.

Na qualidade de beatlemaníaco, me amargurava a alma nunca ter feito um cartazinho sequer relacionado aos quatro de Liverpool. Ficava aqui sonhando que o conceito evito-usar-photos-a-qualquer-custo-em-nome-da-ilustração-original-da-imoralidade-e-especialmente-dos-maus-costumes se encaixaria bem na viagem da banda. Pois muito bem! Senhores, senhoras (e senhoritas!), eis que chega o dia.

Acho que os garotos da Beatles For Sale (excelente banda cover de Londrina-PR) viram algum cartaz meu pro Base 2 e pediram o contato. Quando o fizeram, fiquei muito feliz mesmo e rapidamente comecei a produzir a peça que apresento hoje. Foi até fácil porque muita das idéias já faziam parte dos meus sonhos, o que tornou a criação do cartaz num lindo dreamstorming.

Costumo criar identidades visuais pras bandas, mas nesse caso, a imagem dos Beatles me é tão forte que simplesmente deixei vir pra fora meus sentimentos em relação a banda. E, via de regra, sempre lembro de alegria, amor, loucura e psicodelia (não necessariamente nessa ordem) qdo penso nos caras.

Pra começar o fundo: utilizei uma textura de papel meio rústica e a fundi com uma espécie de "explosão solar". De quebra, misturei a ilustração que indica quem é quem no encarte do "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (Parlophone - 1967) deixando bem claro que o psicodelismo iria rolar solto na bricadeira.

Como minha idéia era não usar photo da banda (conceito novo pros Beatles For Sale que, se não me engano, sempre utilizaram imagens dos ingleses nos cartazes), redesenhei a famosa silhueta dos quatro pulando clicada por Dezo Hoffman em 1963 e que basicamente virou uma logo maravilhosa.

Feito isso, o próximo passo era aproximar com o clima dos filmes/trilhas "Magical Mystery Tour" (Parlophone - 1967) e "Yellow Submarine" (Apple - 1969), então dá-lhe arco-íris, estrelas saltando e nuvenzinhas malucas. Ainda rolou espaço pra sair uma medalhinha condecorativa do bumbo do "Sgt.Peppers", hehe!

Depois foi só colocar as infos de maneira centralizada e correr pro abraço! Ah, e detalhe pra apple ali no meu carimbo,hohoho! Adorei fazer. Gosto de desenhar todas as bandas que trampo, mas putz... Beatles é Beatles, né rapaziada?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

ORA BOLAS!

Opa,opa! Eu sei que parece arte temática de Copa do Mundo, mas AINDA não é (nesse momento estou fazendo uma sobre a competição pra outro cliente que, provavelmente, pintará por aqui no futuro...). Essa brasilidade toda vem do fato da banda ter pedido que fosse evidenciado o repertório inteiramente nacional. Então, meus queridos, dá-lhe verde&amarelo, ora bolas!

E por falar em bolas (hehe!), segui a linha do cartaz da estréia (post NAFTALINA OITENTISTA) e lotei de bolinhas no fundo. Dessa vez com uma aparência quase tridimensional.Uma hereseia pra um fã de 2D do meu naipe.Mas achei que ficou mais descolado (new-wavemente falando, claro!).

Com a diagramação resolvida (não tão simples pelo acréscimo das promoções do bar que despertaram o alerta de possível poluição), o que complicou um pouco foi destacar as logos do bar, da banda e ainda as ofertas do fundo, mas utilizei recursos de sombreamento e funcionou.

Ah, da série os-microdetalhes-que-só-el-escama-enxerga-na-bagaça: Quando estava pra dar o papo como encerrado, me bateu a idéia de trocar as bolinhas amarelas por PacMans, hehe! Ficou simpático! A única que mantive como bolinha foi a que levou meu carimbo.

Buenas, tamos ae! Brasil-sil-sil!
Adicionar imagem

segunda-feira, 3 de maio de 2010

FILOSOFIA FAST FOOD

Arte bem simples (afinal de contas esse aqui é o projeto simples, né?) pro Maracutaia do Samba. Seguindo o conceito dos primeiros cartazes de evidenciar instrumentos ligados ao samba e mantendo a onda preto e branco por questões financeiras.

Tentando dar um ar psicodélico sem cor, destrui uma foto de um cavaquinho no photoshop e colei ela duas vezes meio apagada quase em cima da imagem de origem.

A parte do samba estava ok, mas e a citação ao hip hop e suas modernidades como é que fica? Buenas, peguei a foto de um circuito e fiz o mesmo processo de destruição apagada pro fundo.

Achei interessante que a grossura do circuito impresso ficou quase igual ao das cordas do cavaco, gerando uma quase unidade dos elementos tão diferentes. Acabou dando um ar de profundidade pra idéia (provavelmente daquelas que só eu, romântico pra essas coisas, consigo enxergar, hehe!) pois acabei relacionando isso com a fusão do rap com o samba que a banda faz.

Achou viagem demais pra pouco elemento? Poizé, Zé! Como disse, há muito tempo atrás, um grande amigo que nem faz idéia do impacto que essa frase teve na minha vida (depois de digerida): "A complexidade está na simplicidade". É assim que toco meu norte.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

PERO LA GARANTIA...

Se você, querido e curioso leitor deste humilde blog, procurar nas postagens anteriores, vai encontrar mais cartazes do "especial O Rappa" que os garotos do Base 2 promovem. A peculiaridade desse é o fato do pedido da própria banda para que seu nome estivesse em menor destaque do que o tema do show. Nem perguntei, mas acredito que isso ocorreu por dois motivos: a proximidade de um show que fariam no mesmo local dali a poucos dias com seu repertório rock'n'roll e músicas autorias, além de querer desvincular o seu nome do famoso grupo carioca (uma vez que falta pouco pro lançamento do próprio disco da Base 2).

Por conta disso, pensei em dar um outro caminho em relação ao que faço costumeiramente com a identidade visual da banda. Mas acabei mantendo elementos (sou um fraco e não resisto às minhas velhas manias), mexendo apenas em algumas sutilezas. Mesmo assim a própria banda chocou-se um pouco com a diferença do resultado final.

A primeira e principal mudança foi o fato da logo do Base 2 ter sido limada dessa arte. Destaquei o nome d'O Rappa e coloquei os responsáveis pelo show bem pequenininhos logo abaixo. E pra consolidar que o destaque fosse a banda tema do show, acabei deixando de lado a logo do Vitrola Bar também.

No fundo uitilizei imagens sobrepostas. Descolori uma textura de tábuas e colei por cima uma foto de satélite de um cânion com uma coloração psicodélica soturna. E lá embaixo uma espécie de grafite com o boneco de lata do Rappa Mundi (Warner - 1996), pintando só o contorno da arte original.

Além das informações tradicionais (horário, data, valor), tive que adicionar as promoções da noite que, apesar de serem um chamariz de público, sacrificam a limpeza do cartaz, hehe! Acho que consegui deixar de uma maneira discreta, gostei do joguinho que fiz com os horários de limite, deixando um em cada canto e chamei a atenção pra eles com as mãos retiradas do disco Sete Vezes (Warner - 2008) apontando pra elas.

As diferenças acabaram ficando mais na falta das logos especialmente e na coloração. De resto mantive padrões parecidos com os que já vinha utilizando anteriormente. Acabei dando conta da proposta inicial pero sin perder la ternura (como diria o comuna que mais estampa cartazes e camisetas no mundo, hehe!) No show seguinte do Base 2, com o repertório autoral, voltei a seguir o caminho "tradicional". Logo posto ele por aqui. Até lá!

sábado, 3 de abril de 2010

ESPECTRUM BY TECHINICOLOR

Primeiro show do Pedrera no Estação Café Brasil, casa mais intimista onde a banda teria uma maior proximidade com o público que, via de regra, vem aparecendo num excelente número em todas as apresentações.

Achei bacana essa idéia de proximidade e resolvi que, dentro do que chamo de padrão pro Pedrera (com a logo mega destacada), sinalizaria algo assim colocando a galera no cartaz. Para isso, recortei, zoei e colei o público presente na capa do primeiro disco ao vivo dos Engenheiros do Hawaii (Alívio Imediato, BMG - 1989).

A parte da logo sempre me deixa afins de mudar um pouco. Como deixei a galera preta e o fuindo seria o branco chapado, achei que um colorido de tons mais pastéis não faria mal a ninguém. Além disso, a banda tocaria com um imagens sendo projetadas no palco, dando uma imprerssão meio ectoplasmática. Então, nada mais justo do que dar um toque fantasmagórico pra leitura do nome. Misturei cores e espalhei com o meu amado efeito do dedinho no photoshop. Até que deu um toque clean, né?

Deixei as informações brancas vazando o público com alguns detalhezinhos que gosto (data sem espaço entre as letras, mas com tamanhos de fonte diferentes, permitindo a leitura) e fim de papo. Mais um cliente satisfeito (eu acho...). Próximo!

quarta-feira, 24 de março de 2010

NAFTALINA OITENTISTA

Cartaz de estréia da banda Pacman 80. Obviamente os caras só tocariam músicas da década onde ombreiras eram legais, fazer um permanente no cabelo era bonito e, sabe-se lá como, o rock'n'roll invadiu de maneira mais agressiva os meios de comunicação brasileiros.

Começando pelo nome da banda, é bom situar pros jovens nascidos numa era pós internet que Pac Man é o nome de um dos jogos mais populares do videogame da infância de quem viveu aquela década: o Atari. Era um simpático personagem redondo e amarelo, com um olho e uma boca que comia umas pastilhas e fugia de fantasmas dentro de um labirinto. Baseado no formato do homenageado e nas cores do seu game, desenhei o nome da banda.

Coloquei essa logo dentro de uma televisão. Escolhi um modelo típico da década, daquelas que não tinham controle remoto e que, pra mudar de canal, girava-se um botão mega barulhento (CLEC CLEC CLEC...) que se encontrava no aparelho.

No fundo verde apelei pras bolinhas com uma coloração um pouco mais fraca coma finalidade de dar um certo ar new wave. Pras infos utilizei a fontes estilo do Atari mesmo e pronto. Sem maiores complicações.

quinta-feira, 18 de março de 2010

QUATRO CANTOS

Mais uma arte pro Maracutaia do Samba. Cartaz bem simples. Eu que torço o nariz pra utilização de fotos (prefiro desenhar!), preferi evidenciar o conceito da banda aqui e, assim como na outra arte, mostrei os instrumentos da proposta musical.

Dessa vez fui atrás de fotos mais caprichadas pra estragar elas no photoshop. Distribui um pandeiro, cavaquinho, fone de ouvido e uma agulha mandando ver num disco de vinil nos quatro cantos (numa disposição que invadisse um pouquinho o meio onde estaria o nome da atração) e usei um efeito que as deixava meio "rabiscadas".

Diferentemente da outra arte (post LA RE-VUELTA!), o repertório desse show seria mais abrangente, por isso coloquei junto ao nome da banda, uma loguinho dizendo "Samba raiz & Hip hop". Sabicumé, os meninos estão ainda decolando e nem todo mundo sabe exatamente o que a banda toca, então facilitar um tantinho (desde que não polua) é saudável.

Acabei dando uma cara mais cinza pra vizualização geral, usando uma das minhas queridas texturas de papel velho pro fundo. Na hora até achei bacana, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) olhando agora já não me agrada tanto. Provavelmente se tivesse passado pelo "teste do dia seguinte", eu teria limado o fundo e teria dado um ar mais clean. Buenas, é bão pra eu saber que não é sempre que a papelada old fica bacana e, querido cliente ou até mesmo você leitor habitual do blog, taí um bom motivo pra se pedir um trampo com antecedência pro cara que cuida da tua identidade visual, hehe!

quinta-feira, 11 de março de 2010

CONTRÁRIO DO CONTRÁRIO

Não lembro exatamente a situação do pedido desse cartaz do Base 2 fazendo o seu já tradicional especial com as músicas d'O Rappa, o que me leva a crer que tive certo tempo pra fazer sem pressão (evitando causos bizarros!).

Pensei em fazer algo diferente da "delicadeza" proposta pelo última arte (post DELICADA FORMA DE CALOR) mas fazendo uma auto-referência utilizando o mesmo dragão do disco "O silêncio q precede o esporro" (2003). Queria algo mais rústico/agressivo.

Começando pelo fundo, ele certamente não seria branco. Fui atrás de alguma textura pra zoar (minha grande mania atualmente) mas achei pouco. Então misturei três maluquices diferentes e colei de forma aleatória uma em cima da outra, deixei tudo meio marrom e virou essa imagem sombria que aparece aí.

Joguei um filtro no dragão onde ele absorve a textura de fundo, mas não ficava contente com o posicionamento dele. Então resolvi duplica-lo! Um de frente pro outro pra dar um tom de simetria (no segundo não utilizei o filtro absorvente).

Logo da banda gigante lá em cima de tudo e nome do especial escrita num "Sex Pistols Way of Life" pra manter o clima agressive, mas faltava algo pra dar aquele grauzinho de sujeira, em especial no pé do cartaz. Peguei uma foto da lua nascendo numa região árida e simplesmente destruí ela com um zilhão de effectos. Parece que os dragões estão abraçando o nosso querido satélite, hehe! Pra completar ainda zoei uma linha de rabiscos e deixei atravessada no meio da arte. Agoooora eu gostei!

Por causa das texturas acredito que ando correndo o risco de poluir mais q necessário os trabalhos. Então todo o cuidado é pouco nesses casos. O fato de ter pouca informação ajudou nesse sentido e deixei ela razoavelmente pequena, então acho que consegui ser agressivo sem necessariamente agredir o desenho.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

LA RE-VUELTA!

Opa, banda nova no pedaço! Maracutaia do Samba, que mistura a batida e pegada do hip hop ao ritmo abençoado por Cartola, Nélson Cavaquinho, Clara Nunes, Bezerra da Silva e tantos outros bambas que eu adoro.

Claro que, pra variar, o pedido foi feito pra ser entregue "dali meia hora", o que é sempre uma grande faca de dois gumes. Por mais que eu tenha certa agilidade, essa pressão do tempo esgotando nunca te deixa dar a devida atenção aos detalhes tão pequenos de nós dois. E sabemos que eles são coisas muito grandes pra esquecer.

Obviamente não fiz em meia hora (exijo 40 minutos, pô!), hehe! Mas facilitou saber que seria um especial tocando apenas o repertório do Marcelo D2. Lembrei a onda mais clean da capa do disco "A procura da batida perfeita" (2003) e pensei em deixar basicamente branco com uns tons pastéis nas gravuras. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), questões financeiras me impediram a utilização de cores.

Ainda na viagem da capa do disco, quis colocar elementos do samba e do hip hop. Comecei então uma busca por imagens pra, mais tarde, destruí-las no photoshop. Encontrei um pandeiro, uma picape de DJ e o mais legal (quem acompanha o blog sabe que isso me atrai estéticamente...) UM PROJETO DE CAVAQUINHO, mostrando as partes do instrumento. Levei tudo pro photoshop e transformei em desenhos pra estampa bem clarinhos, mas a digramação dos elementos no espaço não me agradava. Então, eureka!, separei o cavaquinho e deixei uma metade pra cada canto do cartaz. Agora eu tinha um fundo.

O resto foi jogar no simples: nome da banda lá em cima, redesenhei a logo do D2 colocando-a gigante ali no meio, e o restante das informações logo abaixo. Tudo num preto 100%, dando bastante contraste pois a arte seria xerocada e nesse caso não é bom inventar muito por causa da qualidade da impressão.

Buenas, a banda gostou bastante do cartaz, o show foi bacana, a garotada agradou e voltou ao bar com um repertório mais diversificado que incluia suas próprias composições (também fiz os cartazes desses shows, em breve eles darão a cara no blog) e logo foram convidados a repetir o especial D2 numa outra casa de shows da cidade. Legal! Só que dessa vez o cartaz NÃO SERIA xerocado. Com a impressão numa qualidade melhor poderíamos bricar com as cores e resolvemos dar umanova chance praquela maltratada primeira arte. Eu sou super contra repetir arte, mas nesse caso até concordei que era justiça divina, hehe!

Utilizei o mesmo fundo com a inclusão de uma textura de tecido e um punhado de efectos especiais do photoshop. Pintei manualmente de qualquer jeito (mas friamente calculado) utilizando um pincel mais roots que o programa oferece. Ainda apaguei as bordas do desenho, como se estivesse rasgado nos cantos. E zéfini! Acho que consegui passar uma impressão de gastura (afinal, a arte estava sendo reaproveitada!).

O que acabou dando mais trabalho nesse novo/velho cartaz foi encaixar a grande quantidade de informações. Resolvi deixar tudo lado a lado com blocos coloridos de amarelo e laranja separando-as. Note que os blocos estão com efeito de transparência.

Dificilmente vou fazer isso de "repetir" arte, mas aqui não resisti. A chance de compensar os maus tratos e injustiças que um "filhinho" recebeu no passado foi mais forte pro papai aqui. Pequei, confesso! Mas esse tem perdão.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

VINDE A MIM...

Aqui uma arte de 1/2 página de jornal que fiz pra Prefeitura Municipal de Parauapebas-PA. O objetivo era aproveitar o dia das crianças pra divulgar as ações realizadas pela atual administração pro público infantil. A redação ficou por conta da Mariana Salles.

Além do texto, a logo da prefeitura seria item obrigatório e o restante seria eu e minha circunstância. O prazo também era curto (apenas um dia pra entregar), então não dava pra ficar me decidindo por qual caminho seguir. Acabei indo por onde não tenho dúvidas: a estrada da simplicidade.

Então desenhei (com aquele meu amado pincel do photoshop que parece giz de cera) meninos e meninas brincando num gramado com um céu azul sem nuvens, aquele típico Sol e o arco-íris mais clichê que poderia existir. Para isso, fiz uso de toda a minha técnica e saiu um retrato igualzinho de quando eu frequentava o jardim da infância (acho q não evoluí muito desde lá...). Sempre achei os meus desenhos um tanto quanto infantis, portanto, nada mais óbvio do que ser eu mesmo nessa missão.

Redesenhei a logo da prefeitura do mesmo jeitinho adoravelmente tosco e fim de papo. Além de sair no jornal, essa arte também teve uma versão pra outdoor. A diferença (além do tamanho, claro!) é que não rolou o texto na versão gigante. Chegamos a pensar em me fotografar ao lado de uma das placas (sim! Eu estive no Pará!), mas pra sorte de suas retinas, esquecemos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ROTEIRO DE FILME B

Essa é a arte de mais uma prévia daquilo que virá a ser o disco do Base 2. A banda decidiu distribuir/divulgar uma espécie de EP com as quatro primeiras canções que já estão finalizadas e coube a este que vos escreve conceber a capa que seria naquele envelope de couchê fosco, ou seja, lance simples, sem encarte com letras e etc. Apenas capa e contracapa.

Tive carta branca pra essa arte e desenvolvi a idéia de forma relativamente rápida. Já tinha feito uma capa nesses moldes pra banda (post ET. HOME. TELEPHONE.) e resolvi cita-la de leve (yes, eu curto uma auto-referência!). Enquanto baseei a primeira numa photo de satélite da Área 51, nessa nova quis destruir a imagem ainda mais. As manchas no papel preto amassado são a própria! A partir dessa primeira imagem pronta desencadeou-se a idéia toda.

Vendo os trabalhos anteriores fica evidente que adoro utilizar como fundo essas texturas de papel velho/manchado/amassado. Estava seguindo nesse caminho quando pensei "e se os papéis velhos fossem os protagonistas do filme dessa vez?". Eureka! O coadjuvante estava sendo promovido. Imaginei toda uma saga cinematográfica onde, por mexerem com a base militar mais secreta do mundo, os meliantes da banda estariam sendo espionados pelas autoridades poderosas e engravatadas do misterioso mundo encantado das conspirações. Então a capa seria uma visão da bagunçada mesa onde os arquivos confidenciais estariam devidamente espalhados após uma sigilosa pesquisa realizada por agentes dotados de intenções pouco amigáveis.

Por cima do papel preto joguei, logo de cara, uma folha branca pra contrastar. Nele sobrepus dois elementos:
1- o projeto de uma base militar arruinado pelos meus talentos destrutivos no photoshop;
2- duas séries de números binários (preta e vermelha).

Depois achei a foto de uma velha pasta de arquivo (de onde mais poderiam ter saído todas as informações espalhadas?) e cravei a logo da banda com um efeito que dá uma certa impressão de auto-relevo. Levei em consideração as dobras da embalagem ao aplicar o nome e cortei uma pequena parte da logo (vendo q a foto está toda torta, podemos supor que ela foi tirada às pressas por um agente duplo infiltrado com a intenção de alertar os garotos sobre o perigo que corriam...).


A contracapa é a continuação da foto, ou seja, a arte aberta mostra a imagem total da cena. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), como a lógica e a ordem dos fatores pedem que o receptor da mensagem comece olhando a capa e só depois vá pra contracapa, deixei as mais importantes informações pra esse pedaço (afinal de contas, revelações bombásticas só tem graça fornecidas no desfecho da película). Saindo debaixo da folha branca, vem uma tira rasgada com o nome das canções (ou seriam mensagens subliminares?) e, mais ao canto, a ficha que entrega toda a parada, claro! Contendo a especialidade de cada um dos quatro elementos, seus contatos e ainda revelando as mentes subversivas por trás de toda essa produção. Ah, o detalhe que, modéstia a parte, achei golpe de mestre é a marquinha do copo de café manchando a papelada (como se alguém tivesse passado uma noite toda debruçado sobre as informações).

Na bolacha, peguei o papel preto e joguei as imagens da folha branca. Depois escureci um pouco mais o geral e coloquei o nome da banda bem grande (tanto que fica cortato) na parte superior. Parece simples, né? Curiosamente esse foi o momento que mais quebrei a cabeça no processo todo, ficando algum tempo resolvendo cores e tamanho da logo com os próprios integrantes da banda.

Percebam que não existe citação nenhuma que faça referência a minha pessoa, livrando assim a minha cara de toda essa invasão de privacidade e garantindo a continuidade desse blog que continuará na sua singela missão de escancarar esses fatos absurdos, doa a quem doer! Como acaba essa stória? Buenas, talvez as revelações finais estejam no encerramento da trilogia, anunciada pro derradeiro projeto gráfico do disco Base 2. To be continued...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

RRRROOOOOOCK

Num belo dia topei on line com o Gabriel Thomaz, guitarrista e vocal do Autoramas. Acompanho a banda desde o primeiro disco Stress, depressão & síndrome do pânico (2000) e passei o link desse blog pro cara. Na resposta ele elogiou e, talvez por educação (hehe!), perguntou se eu não estava afim de fazer um cartaz pro Autoramas. Topei, claro!

Interessante pegar uma pra fazer a arte de uma banda que conheço bem. Geralmente eu tento descobrir os conceitos visuais enquanto vou sendo apresentado ao cliente, mas nesse caso trabalho com uma que já tem uma imagem bem definida na minha cabeça. Então o desafio aqui passa a ser não desonrar muito essa imagem e tentar acrescentar um toque meu.

Usei a textura de uma chapa de metal (isso se passou antes do lançamento do disco desplugado, senão poderia ter pensado em madeira, hehe!) na parte superior e inferior da arte. Deixei um espaço negro no meio, como se fosse um buraco.

Na chapa inferior estampei uma foto do trio bem simples. Na superior, coloquei a logo da banda e preenchi o seu globo com uma esfera metálica de verdade, tentando dar uma uma impressão tridimensional.

No "buraco negro" coloquei a minha pitada de esquisitice: letras brancas aleatórias preenchendo a totalidade do espaço e pintadas de vermelho as que formam o grito de guerra da banda "Rooooock". Esse espaço poderia ser usado também pra colocar as informações de um show específico.

Buenas, simples de tudo com um toque escamoso. Não sei se o Gabriel vai utilizar pra essa arte pra alguma coisa, mas mesmo que não seja divulgada, gostei muito de fazer.