terça-feira, 6 de outubro de 2009

ALÔ ALÔ RETORNO!

Salve, salve rapaziada! Todo mundo sabe que do Leme ao Pontal não há nada igual o grande Tim Maia! Quando o Max decidiu fazer um show apenas com canções do síndico do Brasil no repertório, fiquei super feliz com a oportunidade de fazer essa arte.


Estava super empolgado, pois tinha acabado de ler o livro do Nelson Motta VALE TUDO - O SOM E A FÚRIA DE TIM MAIA (Ed. Objetiva - 2007) e estava praticamente um PhD sobre o assunto. Então o que vai ser legal nesse carttaz não é nem tanto a arte em si, mas justamente os detalhes.

A base do cartaz é bem simples. Redesenhei o rosto do cantor baseada na capa do disco de 1971 e deixei tudo vermelho. Apliquei a logo da banda no canto superior e mandei o tema do show "Chama o síndico!" um pouco acima do nome do cantor (em letras grandes) e as infos do evento.

O fundo deveria ser branco, mas assim como já fiz em outro cartaz (post MISSISSIPI DELTA) utilizei um recorte ampliado da capa do vinil do Tim Maia Racional (Seroma-1974) que, suja pelos dedos de quem manuseou dá uma coloração desbotada pro cartaz e deixa ele envelhecido.

E aquilo que parece serem patrocinadores, na verdade são referências sobre o cantor. Com o título de "Eu recomendo:" aparecem o distintivo do América Futebol Clube (time do cantor), o lendário livro Universo em Desencanto que ele tanto nos manda ler na fase racional, ainda um Big Ben com exigindo "Pontualidade inglesa" (pra ninguém dar uma de Tim Maia e chegar atradsado ou furar) e, por último, redesenhei a logo da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri). E o que esse esporte tem a ver com o Tim??? Ah, não vou mandar spoiler... leia o livro!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

QDO OS MUNDOS COLIDEM!

Mais um cartaz do Base 2. Pedido de arte clean (pero no mutcho...) e destaque pro repertório rock que a banda apresentaria na noite. Mãos à obra!

Comecei escolhendo o fundo de papel amassado e manchado. Só isso já daria o toque poluente que gosto de aplicar pra linguagem visual específica desse cliente. Além disso, utilizando o pincel do photoshop, rabisquei de forma caótica e agressiva boa parte da extremidade inferior da página. Pra não falar que não tem um padrão (ordem no caos, hehe!), fiz mais ou menos de forma que apontasse o centro do papel.

Enquanto isso, no Corel, desenhava bolas e mais bolas. Algo na minha mente gritava desvairadamente "Qdo os mundos colidem! Qdo os mundos colidem!" (NotaNerd: esse é o nome de um crossover entre a DC e a Milestone Comics publicado na HQ do Superboy em 1995) e eu obedecia sem questionar o momento de surto. Eis que penso "Ok, ok... tá tudo muito legal mas onde vou colcar a logo da banda?" e a solução só podia ser vazar os círculos colados! Ao fazer isso me ocorreu de vazar o resto (mas não todas!) de forma diferente. Repeti a ação só que, dessa vez, vazando de fora a fora as bolas com traços vermelhos. Aglomerei todas de uma forma totalmente dadaísta e mandei tudo pro photoshop onde apliquei alguns efeitos de luz nas bolas não-vermelhas, o que resultou num grande contraste entre elas.

As informações e os nomes das bandas tocadas no repertório deixei de forma bem discreta, de um jeito que já tinha utilizado antes e gostado: sem espaço entre as palavras e separando elas apenas por cor.

Cada vez mais venho desenhando no Corel e finalizando no Photoshop. Antes desenhava 100% em um ou em outro. Agora podemos dizer que está 50-50. Realmente os mundos andam colidindo bastante por aqui...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SÓ AS OGIVAS: UH! UH!

O subtítulo desse post bem que poderia ser o bom e velho slogan do Monty Phyton: "E agora algo completamente diferente!" já que trata-se de um cartaz de baile funk. Nada contra o evento nem o estilo musical (ao contrário de muitos, eu considero o funk algo muito interessante), mas nunca me imaginei fazendo arte pra um evento desses. Provavelmente por pré-conceito em relação a linguagem visual que me vem em mente sobre o assunto e, portanto, certo receio de como eu funcionaria tentando aplicar meus conceitos dentro desse mundo.

Além do medo da novidade (sim, como qualquer ser da espécie humana, eu também sofro com isso!), o número de informações para se colocar no cartaz era razoavelmente grande e corria o risco de poluir a arte.

Com o nome da festa definida (Explosão Funk) pensei no óbvio de colocar um famoso cogumelo de fumaça gerado por uma bomba atômica. Achei uma foto decente que foi devidamente estragada no photoshop e ali coloquei as atrações da noite, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) durante a pesquisa me deparei com algo que chamou a minha atenção: um desenho tosco pra caramba, quase um amálgama entre uma caixa de som e um ser composto por duas células. Curioso, fui dar uma olhada e descobri que aquilo era uma representação de uma bomba H! Logo, os desenhos que parecem caixas de som saídas de algum episódio dos Simpsons, são duas bombas. Imagino que se algum físico nuclear (ou algo similar) foi na festa deve ter falado "Uau, esse cara viajou bonito!", hehe! A moldura deixei toda distorcida como se tivesse sido abalada pelo calor gerado pela explosão.

Além disso, teria que comunicar o concurso da "Garota popozão" (hehe!) que iria rolar ali. O cliente pediu pra colocar a foto de uma gostosona, mas achei desnecessário e, além disso, prejudicaria a arte. Simplesmente deixei em letras grandes e nas mesmas cores do anúncio da festa. Destacou-se sem precisar apelar.

Buenas, muito legal mexer com linguagens diferentes do que estou acostumado. Sempre dá medo, mas no fim é um medo legal! E mais legal ainda é passar por cima dessas coisas. Acho que no fim das contas, consegui fazer um diálogo entre a linguagem funk e a minha própria. Vivendo e aprendendo!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

CYMK HIERÓGLIFO

Idéias surgem de qualquer lugar. De uma palavra que escutamos ou de uma besteira que cruza o nosso campo de visão. Estava na casa de uma amiga, a camiseta que ela usava por baixo da blusa tinha a separação das cores que a gente usa na impressão (Cian, Magenta, Yellow & Black = CMYK). O Max estava do meu lado e falei "vou usar essa idéia no teu próximo cartaz!". Pra variar, o maluco abraçou a causa.

A idéia das logos se misturando já estava bem definida, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) inicialmente eu pensava num fundo totalmente branco. Fiz e achei limpinho demais. Desculpa aê, mas gosto de uma interferência, uma sujeira na coisa toda. Pintei um fundo colorido de forma aleatória e misturei com a foto de uma parede de pirâmide cheia de hieróglifos (uma antiga tara nerd minha), virando uma textura meio maluca mas não agressiva.

Na parte das informações do show, deixei tudo junto, separando apenas por cor. Gostei de fazer assim. Vou utilizar mais esse recurso.

A parte principal da arte (logos se misturando) demosntra exatamente o processo de impressão. Com as três cores se misturando e formando outras até que a união delas forme o preto. Exatamente como são os shows da banda que, misturando as influências, estilos e músicas diferentes, acabam dando novas cores pras canções. Assim como a união das cores forma o preto, a união dos fatores deixam o show com a cara do negão (Max). Se acharam q viajei demais no conceito do cartaz, eu concordo, hehe!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

TÁ LIGADO?

Quando entreguei esse cartaz do Base 2 pro Davi (vocalista), ele falou que não acreditava que eu superaria o último de show da banda (post PAREÇO MODERNO) e que mesmo assim eu tinha conseguido. Vira e mexe o Max me diz a mesma coisa.

No caso desse show, continuei com o que vinha fazendo nos anteriores: misturei uma estética clean com pitadas de poluição visual minimalistas.

Comecei com três formas quadradas que basicamente explicariam do que se tratava. Primeiro a logo do local do show, no segundo destruí uma foto de cabos com plugs e dupliquei a imagem deixando meio desfocada a sua visualização, por último a logo da banda (único elemento do cartaz numa cor quente, no caso, vermelho) e as informações de data e horário.

De fundo uma textura de papel que deixei num tom verde. . Também estraguei uma imagem de uma grande cidade e seus prédios. Utilizei ela nas duas pontas do cartaz como se fossem estalactites e estalagmites made in Matrix. Notem que deixei uma moldura branca que serve pra limitar a arte, mas pra variar, acabei violando na parte inferior do cartaz, com uns rabiscos circulares tribais e um pouco acima no nome das bandas que fariam parte do repertório do show.

Conforme o tempo passa e a gente vai fazendo uma mesma tarefa, vamos melhorando na missão de executa-la. É o tal do know-how. Mas o legal dessa stória é que venho percebendo o quanto andam se separando as caracteristicas dos cartazes dessas bandas que mais me procuram (Base 2, Max & MP3 e Pedrera). Cada um deles tem uma linguagem e características específicas. E a tendência é que fiquem cada vez mais diferentes porque, além de ir conhecendo melhor a essência de cada artista, vou acrescentando elementos novos nas ilustrações. Alguém aí já ouviu falar de identidade visual? É isso que eu faço.

Depois de passar uma vida inteira colecionando discos e devorando suas fichas técnicas (além de ter uma razoável bibliografia biográfica de diversos músicos), enfim junto esses amores nerds com a publicidade. Viu só mãe? Eu disse que aquelas pilhas de discos, livros e HQs ainda iam me servir pra alguma coisa de útil!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ESSA DEU ATÉ FOME!


A stória é a seguinte: o Max fechou os 4 sábados do mês de Julho no Estação Café Brasil. Até aí normal, eu faria uma arte pra cada show. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) o cara decidiu linkar os shows com a proposta maluca de não repetir nenhuma música nas apresentações.

Como a galera iria se empanturrar de músicas, decidi levar isso pro lado literal e fazer uma analogia dos shows com um rodízio de pizzas. Cada semana teria um sabor diferente. E a comunicação seria feita através de uma campanha dividida em 6 partes começando a ser divulgada apenas através do orkut com essa arte aí de cima. Apenas uma chamada pra criar mistério com uma bandeja vazia em p&b com os dizeres "Fome sonora? Aguarde Julho". Coloquei a logo do local do evento e nem me preocupei em falar q seria show do Max e MP3 pra dar esse ar de curiosidade mesmo (se bem q, como o próprio Max enviava a arte, era só ligar os pontos).

Poucos dias depois explicamos do que se tratava. A mesma arte da bandeja agora desvendando o tema "Max & MP3 no rodízio" com as 4 datas e deixando claro que o não se repetiriam músicas. Além da comunicação on line, foi impresso um cartaz gigante no formato A0 (84,1 x 118,9 cm). Legal! Mas e daí? E daí q se pensarmos que o A0 é o tamanho de 4 folhas de A2 coladas, a gente tem um cartaz pra cada um dos shows!

A idéia era justamente essa: a cada semana colar por cima do cartaz gigante, 1/4 dele com o "cardápio" que seria servido. Cada um desses cartazes seria colorido, com uma toalha de mesa e um sabor de pizza diferente. Ao final da série de apresentações teríamos um único quadro gigantesco e totalmente colorido. Claro q, separados, cada cartaz deveria ser como se fosse único, pois seria divulgado fora do bar.

Ao invés de tocar músicas aleatórias, o Max teve a boa idéia de fazer um tema pra cada dia, o que se encaixou perfeitamente com a proposta visual.

Colamos então o primeiro quarto da pizza com o tema Sabores do norte, onde só seriam apresentadas músicas de autores do norte e nordeste do país. Coloquei uma toalha xadrez de fundo, uma pizza de pimentão e comunicamos os "sabores" que seriam oferecidos naquele dia.

As informações de data e horário seguiram o caminho da bandeja e estava pronto o primeiro quarto da campanha.
No segundo show só rolaram canções dos anos 80 com o tema A pizza é pop. Outro sabor do alimento favorito das Tartarugas Ninjas (pra não sair das oitentices, hehe!) e uma toalha de mesa de bolinhas pra diferenciar do primeiro cardápio. Além disso as informações ficaram ao contrário da outra arte (por questões logicamente estéticas de encaixe no cartaz gigante).

Outro detalhe bacana foi que, por causa dessa arte, alteramos um pouco um pedaço marcante dos shows do Max que, sempre no final da última música, despluga seu violão e vai embora do bar cantando com aquele vozeirão de negão enquanto a banda continua mandando brasa. Dessa vez, antes de ir, ele colou o cartaz do próximo show. Isso é uma forma mais direta de conseguir aquilo q sempre falo de interação da comunicação com o público. Foi um pouco além do que simplesmente uma foto ou desenho colado numa parede. Fez parte da apresentação e esse detalhe é responsável por toda uma diferença na hora de atiçar a curiosidade do receptor da mensagem. Tanto que, assim que colou o cartaz, um dos expectadores não se conteve e foi falar com o cantor sobre a arte. Com o cara ainda tendo q se retirar do bar pra encerrar, ele só me apontou e falou pro cara conversar comigo, haha! Muito legal essa reação.

Se no segundo cardápio a pizza veio meio mofada pelo flashback, no terceiro a banda atualizou os circuitos do tempo e mandou ver com músicas mais recentes. Dessa vez uma toalha de crochê uma pizza de pepperoni deram as caras na arte pra diferencia-la das anteriores.

O tema Tudo o que ela gosta de escutar me complicou um pouquinho pq era grande demais pro espaço destinado a ele. Acabei por diminuir a palavra "gosta" e coloca-la num coração, encontrando uma solução bem simpática pro pequeno problema.

Novamente fui testemunha ocular desse show e, no momento em que estava adesivando o quarto cartaz pra finalmente fechar a série, um pessoal se aproximou curioso sobre qual seria o sabor dessa vez e comentando sobre o desfecho da campanha. Nem sabiam que eu fazia a arte e elogiaram. Fiquei todo orgulhoso, haha!

Enfim, fechando toda essa stória, o quarto e último cartaz pro show que encerraria a série e aconteceria exatamente durante a semana do Festival de Música de Londrina. Aproveitando a rotatividade de músicos que estariam na cidade, os seres dessa espécie não pagaram ingresso e receberam um "cardápio" com TODAS as músicas que a banda sabia tocar. Pois o tema da semana era Max equemencaraoquê, ou seja, o palco estaria aberto para jam sessions.

Outro sabor diferente e uma toalha de mesa violeta completam a pizza tornando, propositalmente, o big cartaz num carnaval de um conceito só.

Abaixo de tudo fica um step by step de como rolou a colagem no bar e a satisfação pessoal de ter tido essa liberdade pra transformar o que seria um anúncio de show numa campanha publicitária com estratégias e ações de marketing de guerrilha. Cada vez fico mais contente com esse trabalho e só posso agradecer quem me dá oportunidade de realiza-lo. Se antigamente eu acordava me amaldiçoando por ter que enfrentar mais um dia de trabalho, hoje posso dizer que acordo feliz todo santo dia!


segunda-feira, 27 de julho de 2009

1, 2, 3... BIEN DORMIDO!


Quando o Ed Ben me pediu pra fazer a capa da até então demo de três músicas, a idéia era usar fotos dele e da banda. Segui o projeto, dei meu toque pq borrei as imagens, mas não estava nada feliz. Nada mesmo. Entreguei a arte sem "aquela" satisfação que os outros trabalhos estavam me dando até então.

Satisfação é uma palavra maluca nesse trampo. Eu teria que me preocupar em agradar o cliente. Mas não consigo. A minha necessidade é sentir-me dissecando o artista pra saber quem ele é. Dessa forma eu posso chegar ao que chamo de identidade visual. E quando finalmente me agrado nesse ponto, aí fico satisfeito.



Buenas, uma reviravolta acontece na gravação e o que era pra ser demo torna-se um disco cheio e bem trabalhado. Rolou o pedido de eu preencher a arte com o nome das músicas restantes. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), assim que ouvi o disco com os arranjos definitivos, já falei que aquela roupa estava apertada demais pro som que se apresentava então. Teríamos um novo projeto gráfico. E, dessa vez, eu não me contentaria em apenas entregar o trampo!

Canções folk com um tratamento cru. Eu gosto disso. Bastante! Me dei a missão de tentar passar isso na arte. Ainda quebrava a cabeça qdo me foi apresentado o nome do disco: "Hypnosis". Legal! Mas o título me fazia mais referência ao psicodelismo e suas viagens multicoloridas. Como fazer um desenho que misturasse as duas ondas?

Peguei uma textura de grafiato e pintei por cima (bem mal pintado com falhas) uma espiral. Descartei o recurso de utilizar cores e coloquei as informações com a mesma (falta de) qualidade. O toque final foi o envelhecimento da imagem no geral. Acabou não tendo nada de psicodélico, só a citação mesmo. Em compensação achei bem crua a arte.

O cliente aprovou. Dessa vez com o acréscimo da minha satisfação pessoal. Fica a promessa q, nesse campo, nunca mais entrego algo que não me faça feliz. Egoísmo? Pode apostar que sim!

Confiram o som do Ed Ben no myspace do cara! O link tá aí do lado na sessão EU OVO, TU OVES!

sábado, 11 de julho de 2009

YO TRUTA!

Uepa! Voltemos a falar de cartazes por aqui, né? É legal diversificar, mas a minha paixonite são eles.

O cliente me deu liberdade pra fazer a arte, mas deixou claro que a impressão seria através de xerox. Isso já corta a tal liberdade pelo simples fato de não poder viajar nas cores. Portanto, já estava certo que, pra prejudicar o mínimo possível, a arte seria p&b.

O número grande de atrações também criava um problema de espaço. Sem falar que seriam estilos variados. Apesar do evento ser da galera do Hip Hop, um grupo de pagode e mais uma discotecagem de funk deveriam ser anunciados.

Solução simples: estilizei uma mesa de DJ e desenhei dois discos de vinil. Ali estariam as 6 atrações responsáveis pelo rap. As de outros estilos, estariam logo abaixo em quadrados brancos contrastando com o resto do espaço.

Sobre o modo de colocar as informações (local, data, horário e valor), estou gostando desse lance de não usar espaço, mas apenas variar o tamanho das fontes. Já estou utilizando o recurso em novos trabalhos.

Simples de tudo. Preto e branco. Muita informação sem poluição. Gostei!

Ah, na sessão EU OVO, TU OVES tem o link pro myspace do IML, ótimo grupo de rap ao qual pertence boa parte do time que soltou o verbo na Rap Fest e que está com um discão na marca do penalti pra ser lançado. Confiram porque realmente vale a pena!

terça-feira, 7 de julho de 2009

ET. HOME. TELEPHONE.

Essa foi a arte de um single do Base 2, apresentando as duas primeiras músicas que estarão no seu primeiro álbum. Embalagem de papelão, então nada muito elaborado pra projeto gráfico como, por exemplo, encarte com as letras das canções. Só a capa e contracapa (ilustração abaixo) mesmo!

A idéia foi bem simples. Queria uma foto de satélite de alguma base militar. Fui na mais lendária de todas: a Área 51, localizada no deserto de Nevada (EUA), é um dos locais de testes áreos mais sigilosos do mundo e onde, supostamente, estão os destroços do disco voador que caiu na década de 1940 em Roswell (Novo México, EUA), assim como os corpos de seus ocupantes.

Com a foto na mão, levei pro photoshop e simplesmente zoei até parecer uma pintura abstrata. Na frente só a logo da banda com uma leve sombra vermelha e atrás o nome das canções, contatos, logo do Playrecpause (estúdio de Londrina-PR onde a bolacha está sendo produzida com todo o amor do mundo) e o carimbo escamoso.

Acima, a arte da capa aberta pra se ter uma noção do quadro geral da arte. Pra ouvir o conteúdo musical do single, é só visitar o myspace do Base 2, que está linkado aqui do lado na sessão EU OVO, TU OVES!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

ENQUANTO ISSO...

Poizé! Convite de festa infantil by el escama. Quem diria, heim? Primeiro a mamãe do João (Mariana) teve que me convencer que eu seria capaz de enfrentar tamanho desafio, depois acabei me divertindo bem mais do que o esperado.

Como o tema da festa seria super-heróis, me escolher até fazia certo sentido pelo meu histórico de nerd devorador de HQs. Como a proposta era das crianças se fantasiarem de heróis na festa, já imaginei uma reunião da Liga da Justiça. Mas com personagens de outras histórias além dos clássicos do desenho.

Dessa vez, tive que deixar de lado a birra que tenho em copiar e colar imagens na minha arte pelo simples fato que eu não desenharia tão legal os personagens e o público-alvo (crianças) não me perdoaria por cometer tamanha heresia. Portanto, o crossover mais bizarro de todo o sempre foi reunido para a missão de salvar o mundo durante a festa do João: Superman, Batman, Sr. Incrível, Goku, Homem de Ferro, Ed 10, Wolverine, Homem Aranha, As Meninas Superpoderosas, Bartman arremessando o escudo do Capitão América e até a USS Interprise dão as caras por ali. Ao fundo, o Palácio da Justiça.

Tava todo empolgado quando me chega a notícia de que o tema não seria mais Super-Heróis, e sim, The Backyardigans. Novamente minha confiança tremeu um pouco na base, dessa vez pelo fato de eu não ser um expert nos personagens. Mas lembrei que o desenho é bem politicamente correto e infantil. então resolvi fazer algo simples e colorido. Ainda achei uma foto muito louca do João no Orkut da mamãe orgulhosa e colei na arte final.

Nessa arte o que deu um pouquinho de trabalho foi escrever "Níver do João" com a fonte da logo do desenho. Não encontrei a dita cuja, então recortei a original reutilizando as letras que repetem e montando outras a partir das originais. A letra "V", por exemplo, é o "A" sem o tracinho do meio e de cabeça pra baixo. Dá-lhe improvisação, hehe!

No fim das contas achei que ambos ficaram decentes. Eu pego trabalhos fora do tema musical pra fazer, claro, mas não os coloco aqui porque acabo não aplicando o meu dedo tosco neles. Esse caso foi bem bacana por me colocar num "ambiente" inédito (nunca tinha feito nada pra criança antes) e porque não fugi da raia, deixando a minha assinatura. Gostei!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

CIRCO ARMADO

Mais uma arte pro Base 2 (não é que os caras continuaram a solicitar os meus serviços mesmo?). Mais um especial d'O Rappa.

Comecei esse cartaz pelo fundo. Esse tipo é meio manjado, lembra raios de sol com variações da mesma cor e sempre me passa uma impressão alegre. Acabei amenizando isso com o marrom. A textura de papel velho, amassado e manchado também ajudaram a deixar mais sóbrio nesse sentido.

Utilizei fotografias que estão em alguns discos d'O Rappa também. O boneco de lata do Rappa Mundi (1996) e aquele com o rosto coberto por uma camieta que está no Instinto Coletivo (2001). Claro que destruí ambos! Transformei-os em rabiscos, deixando com uma cor bem fraca. Depois sobrepus o mesmo desenho, mas não exatamente em cima, numa cor mais forte. Tem que ter muita boa vontade pra enxerga-los, mas estão ali e, sem eles, a arte perde muito da sua graça. Incrível como pequenos detalhes enriquecem na hora de somar com o todo.

Nessa hora, não sei bem porque, começou a me passar um ar de antigos cartazes de circo. O que desencadeou a idéia do modo circular de como as informações estão presentes. Usei uma fonte mais retrô e utilizei o mesmo efeito que fiz nos desenhos (sobrepondo a mesma imagem forte por cima de uma fraca), colocando uma terceira camada branca pra destacar o nome d'O Rappa. Feito!

Ah! Os apoios eu reciclei do outro cartaz que fiz pra banda (post PAREÇO MODERNO), hehe! Deixei mal recortado e até que ficou bacana.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

SÔ EUMES!

Essa maluquice que você vê aí vai estar nas páginas da publicação mariliense Theo Carvalho em Revista.

Todo mês a revista publica o portfolio de um designer. O legal é que a arte da página fica por conta do próprio escolhido.

Acredite ou não, o convocado da edição de Julho é este que escreve aqui com tanto amor e carinho. Fiquei todo vaidoso, mas ao mesmo tempo pensei "hmmm... vou fazer um negócio bem chick pra agradar o público que costumo assustar com esse meu jeitinho tosco".

Tiro no pé! Eu sempre encho a boca pra falar que "forno aberto não assa pão" (ok, ok... roubei essa citação da vó do Humberto Gessinger!), e cometi o erro de querer agradar terceiros na minha criação. Em poucas palavras: maculei a sua pureza.

Pensei, pensei, pensei, espremi e nada. Nem uma ideiazinha ruim que fosse. Depois de muito tempo nessa tortura resolvi ser eu mesmo e o resultado saiu em 15 minutos.

Basicamente fiz as mãos da Capela Sistina (depois de serem expostas pela radiação Gama) espremendo a minha cabeça que, psicodeliciosamente, se abre numa festa reunindo meus trabalhos. Os corações, estrelas e notas musicais podem parecer frescura, mas quem acompanha os posts aqui sabe que tem seus motivos pra estarem lá.

Há ainda uma legenda que me apresenta. Vou ampliar aqui pro texto ser lido de forma decente:


Alguns dos trabalhos que aparecem nessa explosão não estão descritos aqui no blog. Isso porque ainda não foram lançados oficialmente. Assim que sairem, darão o ar de sua graça. Já as logomarcas é porque eu não acho que tenha tanta coisa pra se falar mesmo.

Novamente tenho que me admitir que essa tosquice sou eu mesmo. Querer fugir dela é algo impossível. Mas é isso aí mesmo: CAMINHO ÚNICO. E, francamente, é uma delícia abraçar isso.

Fiquei um tempão sem atualizar por pura e completa preguiça, hehe! Desculpas pra quem acompanha e voltaremos a nossa programação normal.

terça-feira, 9 de junho de 2009

SOU QUADRADO

Esse não sairia sem o incentivo do cliente. O Max vem me dando bastante liberdade pra criar e está acompanhado os mergulhos no aprofundamento da teoria que sempre falo aqui da arte ter mais destaque do que a própria atração ou informações. Esse exemplo se aproxima bastante do que considero ideal. No pedido do cartaz, ele já mandou a frase que queria ouvir: "Esse show não tem tema, então pode pirar na arte!".

Parece muito legal ter liberdade total pra fazer o que estiver afins, né? Há controvérsias.

Explico: Aqui, mais do que em outros casos, o risco de viajar na maionese é enorme. A princípio, quando sentei na frente do computador podendo fazer qualquer coisa, não veio nada na cabeça, hehe! Justamente por causa dessa pira de que não ter limites pode ser mais prejudicial do que benéfico.

Mas passou logo essa sensação. Eu tenho um limite interno que se chama simplicidade. Desenhei um quadrado no Corel e, após ele, mais três em ordem crescente de tamanho. Comecei a colar um ao lado do outro de forma descontrolada e assim surgiu a base dessa espécie de planta e/ou ponto de interrogação que você vê aqui. Nesse momento veio a idéia mesmo! Subi aquilo que podemos chamar de caule e, no topo, montei a logo da banda no mesmo esquema. A arte estava pronta!

Faltava ainda as informações. Coloquei do jeitinho que sempre quis: pequeninas embaixo de tudo. Usei apenas dois tons de marrom pra respeitar o "limite" minimalista que o cartaz tinha adquirido.

Levei o desenho pro Photoshop onde inseri dois efeitos de textura. O primeiro deu as bordas pros quadrados que, originalmente no Corel, não tinham. Gostei mais com as bordas até porque melhoraram a leitora da logo.

Simples. Talvez até o mais simples de todos os do projeto. E um dos que mais gostei de fazer. Fruto maduro da plantação conceitual escamosa. Estamos quase lá!

sábado, 6 de junho de 2009

PAREÇO MODERNO

Quando o Base 2 me pediu um novo cartaz, fiquei relativamente surpreso. Sei lá porque (na verdade sei...) pensei que não fariam outro comigo. Buenas, a maioria do pessoal que fez cartaz comigo não ficou só no primeiro. Então ou estou no caminho certo ou todo mundo desenvolveu mau gosto...

A primeira coisa que o Pedro Mello (guitarra) falou sobre esse show foi que ele teria um repertório diferente, novas canções de novas bandas. Perguntei se era necessário divulgar isso e a resposta foi positiva. Também colocar o nome das bandas que iriam tocar. Imediatamente comecei a fazer uma arte mais retrô com uma chamada grande estilo propaganda da extinta revista Cruzeiro dizendo "Novo show! Novo repertório!" e mandei pra banda. Gostaram, mas me disseram que queriam algo mais moderno.

Hmmmm... e será que eu sabo ser muuuderno? Coloquei-me diante da tela branca e comecei a pensar o que poderia passar essa sensação. Coisas cleans costumam me passar isso. Ok... isso já estava certo que seria, pois estava limitado a usar duas cores (a banda costuma imprimir uma centena de cartazes e, por isso, pesa o preço na gráfica se eu abusar do colorido). Decidido que o fundo seria branco, rabisquei com um pincel very crazy do Photoshop uns borrões pretos e colei a logo da banda por cima. Depois mandei o mesmo pincel vermelho meio como se fosse aquele desenho feito pelo aparalho de monitoração dos batimentos cardíacos (grosseiramente toscos, claro!) e o resultado me agradou.

Ah, mas eu queria ser mudernão mermo, sabisqualé? Aí lembrei de como gosto de uma poluiçãozinha organizada. Comecei a pegar vários desenhos de projetos, plantas, raio-x e circuitos, destrui todos usando defeitos especiais do Photoshop e comecei a colar uns em cima dos outros. Como curiosidade (e pra alegria dos nerds de plantão) vale a pena dar um close e citar o que tem por ali:


- projeto da USS Enterprise;
- patente de uma guitarra de 1960;
- raio-x do cérebro do Albert Einstein;
- patente do gramophone;
- circuito de um robo;
- projeto de uma câmara pressurizada da NASA;
- 2 circuitos desenhados manualmente;
- projeto de um piano.

Deixei as informações beirando a heresia de um amontoamento, destaquei-as em vermelho e o preço dos ingressos 100% preto (o resto das ilustrações está mais em tom de cinza). Gostei muito do jeito que ficou. Já a logo do Vitrola Bar, estava discutindo isso há alguns dias, por não ser quadrada fica difícil de encaixar na arte. Por isso sempre pensei na utilização dela escondidinha no cantinho do cartaz, mas isso desvaloriza um pouco o local. Dessa vez, resolvi jogar lá em cima de tudo, centralizada e deu certo também.

Então o desenho já estava clean, poucas cores, com uma poluição bonitinha e cheio de referências nerds. Prontinho? Ainda não, Bastião! Preenchi o seu lado esquerdo comuma cascata de rabiscos e, aí sim, me dei por satisfeito! Agora sou moderninho.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

QUASE NO PONTO

Aqui uma série de idéias pra um projeto que não rolou de se fazer um especial pra Bjork em Londrina. Eu assisti alguns ensaios da banda e achei muito bom. A ponto de nem esperar pedirem arte e já ir me adiantando na brincadeira. Infelizmente não rolou o show, mas pelo menos mostro o que fiz.

Na época eu estava ainda desenvolvendo o objetivo de um conceito pro meu estilo de arte. Confesso que até hoje não cheguei no objetivo final, mas já ia tentar dar uma amostragem das teorias malucas publicitárias escamosas nesse cartaz.

"Mas afinal de contas? Qualé o teu objetivo, el escama???". Buenas, a idéia é fazer a arte em si chamar a atenção. Não a atração, não o local e tampouco o preço promocional de um ingresso. Chegará o dia em que farei desenhos tão malucos que deixarei essas informações (incluindo o nome da atração) bem pequeninos num cantinho do cartaz.

"Opa! Opa! Opa! Espééééra ae escamoso! Tu não está sendo arrogante demais querendo que tua arte seja maior do que a atração??? ". Hmmm... sim e não. Sim porque realmente acredito nessa teoria. Cartazes internacionais são assim (ou tu acha que não pesquiso?). Dentro da minha tosquice, me aproximo mais do que é feito lá fora do que aqui no Brasil. E não, não é arrogância porque (já falei sobre isso no blog) se a comunicação chama a atenção a ponto do receptor se aproximar dela para ler a mensagem, conseguimos a tal da interação e ela terá executado a sua missão na Terra.

A intenção pra esse cartazes era captar um pouco da maluquice chique da Bjork. Uma mescla de simplicidade, arrojo, agressividade e doçura. Peguei várias fotos da cantora e mandei ver nos efeitos by Photoshop. Todos viraram desenhos, mas acredito que está evidente de quem se trata. Afinal de contas, o objetivo é se comunicar com o público da Bjork, que já conhece bem as esquisitices de sua musa.

As informações deixei bem pequenas e escritas a mão no mouse mesmo. Fazendo contraste com as imagens (ainda pensando na sensação que a música da cantora islandesa passa). Em cada um dos cartazes escrevi o nome da atração de um jeito diferente. O que mais se aproxima com o lance que falei acima é o colorido, onde deixei "Bjork" pequeno juntamente com o restante das informações. Nos outros dois, caminhei mais pro lado que as próprias imagens me pediram. No primeiro (do olho) usei uma fonte que raramente usaria e deixei ela toda bagunçada. Nesse último, logo acima, coloquei uma mais arrojada porque o resultado final me lembrou mangá (quadrinho japonês).

As três propostas de artes ficaram limpas. Em especial as p&b (preto&branco). Imaginei como se estivesse fazendo um cartaz pra Bjork mesmo. Não o do mega show no Brasil, mas o que ela faz numa cidade da Europa no meio da turnê. Sabe que gostei de fazer um trabalho pra um artista internacional, hehe? Talvez eu comece a desenhar uma série de artes fictícias pra postar por aqui. Vou me divertir bastante!

sábado, 30 de maio de 2009

O QUE LHE FOR PROPORCIONAL

Mais um daqueles casos em que eu estava viajando, coloco o pé em Londrina e "Cara... tava esperando você chegar! Faz um cartaz URGENTE!!!". As pessoas devem achar que eu não tenho e-mail mesmo. Pô, gente! É só me mandar uma mensagem com o pedido da arte que eu faço de onde estiver e envio rapidão.

Buenas, mais um show do Max & MP3 no Estação Café Brasil. A diferença desse pros outros é que o repertório estaria mais focado em canções do Lulu Santos. Não seria um tributo, mas teria muitas canções do papa do pop brasileiro no repertório. Então a missão era fazer uma certa citação a isso, mas sem dar impressão de especial do cantor.

Eu precisava de um plano rápido. Ou um plano longíquo do horizonte... hehe! É isso aí mesmo. Flertei com a letra de Tudo Igual (álbum ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE, 1994, BMG Ariola) e zoei com uma foto de um horizonte deveras longíquo: o de Mercúrio! Poizé... a foto de fundo é da superfície do nosso vizinho. Coloquei uma moldura preta bem simples e a primeira parte da arte estava feita.

Ainda empolgado com o pincel que parece um giz de cera, pintei em volta da moldura com um vermelho escuro. A logo da banda também se apresentaria dessa maneira no meio do cartaz, mas queria juntar ela com o fundo e, por isso não respeitei a moldura preta. Gostei do resultado. Fica uma impressão que a a moldura está envolta pelo vermelho, pois o fundo está atrás dela e a logo passando pela frente. Bacana!

Pra finalizar ainda citei a letra da canção que me inspirou com "Então vamos deixar combinado: aqui é a vida real", separando a frase com a logo. Como se estivesse marcando um encontro com o público (então vamos deixar combinado), mostrando com quem, pra não ser um desagradável encontro às cegas (Max & MP3) e mostrando que seria algo grandioso (aqui é a vida real).

A divulgação desse show foi interessante também. Imprimiu-se um cartaz gigante numa folha tamanho A0 (A zero: 84,1 x 118,9 cm) pra colar na parede do Café Brasil. O Max falou que iria colar durante a tarde, mas aconselhei ele a fazer isso de noite, pois estaria lotado de gente na hora assistindo um outro show que estava rolando. Dito e feito! A casa parou pra ver o maluco colando aquele poster enorme, hehe! Começou a despertar a curiosidade do pessoal ali mesmo de forma instantânea. Se não me engano, até combinou-se de ter um desses por show e aquele espaço da parede ficar reservado exclusivamente pro Max. Até porque acredito que, a partir de agora, vão aparecer vários desses cartazes grandões, hehe! É a velha stória de deixar o ovo em pé: depois que Colombo descobriu a América, todo mundo foi pra lá fácil, fácil, né?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

MEUS PARACHOQUES

Pô... já faz um ano do primeiro show do Pedrera? Como o tempo passa rápido! Nem parece que faz tudo isso.

Pra falar a verdade, eu tinha feito um desenho no paint pra esse show. Antes mesmo do cartaz do Paulo Mopho (post SOPRO SÓBRIO), já tinha tido a idéia e feito um belo e feliz desenho pro Pedrera, mas com o lance do aniversário, guardei a idéia pra uma próxima e resolvi trabalhar nesse tema.

Comecei querendo passar algo feliz. Cores quentes. Saca anúncio do McDonalds? Por aí mesmo! Esse tipo de fundo com variações da mesma cor sempre me passou essa impressão. Por isso decidi utiliza-lo.

Mantive a logo grandona como mandava a tradição dos outros cartazes, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) eu não me sinto muito bem com repetições. Queria também passar uma outra imagem relacionada ao aniversário. Os frutos quer a banda colheu nesse tempo e tals. Opa, opa, opa! Eu falei frutos? Eureka! Coloquei o número um enorme no meio e fiz a logo meio q nascer dele. Talvez só eu veja isso, mas ficou parecendo uma árvore, hehehe!

Por trás da árvore, inseri os frutos. Um amálgama entre retrospectiva e caracteristicas da banda. Cartazes antigos, alto falante, um bolinho e o braço da guitarra (que álias deu um trabalho do cão pra achar uma parecida com a do Ângelo) saem de trás do número de forma desordenada mas sem poluir agressivamente a arte. As informações coloquei de forma bem discreta, justamente pelo risco de poluição que corria perigo de acontecer.

Parabéns pro pessoal da banda (Júlio, Sara, Ângelo e Luciano) , muito obrigado pela confiança e pela amizade! Essa data é importante pra mim também pelo simples motivo de, paralelamente ao aniversário Pedreristico, fazer um ano que comecei a me arriscar com essa história de ilustrar. Aquele jornal que a gente "publicou" (post EXTRA! EXTRA!) me fez andar por um caminho que só me deu alegrias além de bons frutos profissionais e principalmente pessoais. Nesse caso aqui o "tamô junto!" nunca soou tão verdadeiro.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

NOSTRADAMUS, ET'S & CHÁ DE CIPÓ

Opa! Quanto tempo, heim? Fiquei uma semana correndo atrás de uns trabalhos e não deu pra postar nada aqui. Vamos tentar voltar ao normal essa semana.

Esse é um dos trampos que fiz nesse tempo de stand by. Show da banda Intranse Cover com abertura da Verafisher. O Paulo Mopho é cantor em ambas (na primeira toca bateria e na segunda descasca a guitarra) e a grande dúvida é se vai ou não falecer no palco do Berlin depois de se esgoelar por tanto tempo seguido, hehe! Cheguei a pensar em usar essa questão como tema pro cartaz. Algo como "Será que o Paulão vai aguentar???", mas acabei desenvolvendo outras idéias.

Já que a comunicação seria só pro orkut, resolvi me basear no visual online do último cartaz do Pedrera (post HEIM? VI-TRO-LA!), e faria a arte meio que se misturando como fundo da página de scraps do site (pra postar aqui, adaptei pro fundo do blog, claro!).

Baseado no nome da banda, queria uma certa referência a um "transe". Imaginei hipnose, zumbis, sonâmbulos, rituais pagões da idade média, etc... mas acabei lembrando do seriado Lost (afinal, como bom nerd, fico em transe assistindo meus programas favoritos!) e pensei em fazer um fundo com a fumaça preta que assusta todo mundo que adentra no meio do mato daquela ilha dos infernos. Feito isso, coloquei as informações e pronto. Até que ficou interessante, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) não passou pelo teste do dia seguinte.

Pensei então em outro lance que tem a ver com transe e com roteiros de ficção: a boa e velha ABDUÇÃO! Ela que sempre é usada quando ninguém consegue explicar mais nada num enredo mal trabalhado, foi minha inspiração no momento onde decidi recomeçar do zero.

Zoei uma foto de um OVNI no Photoshop pra ficar como se fosse uma estampa e, pra contrastar, coloquei-a num fundo de papel já estragado pelo tempo. O ápice da tecnologia alienígena impressa num papiro velho que seria colado na internet! Deixei tudo meio borrado, como se estivesse sendo dissolvido pela ação dos anos mesmo.

A idéia me agradava, mas ainda faltava alguma coisa pra separar as informações do show e a banda de abertura. Tentei deixar apenas um traço simples entre elas, depois uma espécie de feixe de nêutrons disparado por algum laser do Império Ming, mas então tive a visão do sistema solar. Os planetas, cada um com seu tamanho, dariam um ar de irregularidade, teriam tudo a ver com o tema proposto e, ainda por cima, contrastavam também justamente por já contar com os planetinhas descobertos recentemente (como se fosse um cartaz desenhado por Nostradamus prevendo os novos astros após fazer um gargarejo com chá de Santo Daime e atingir o estado Alpha).

Voltando a falar do teste do dia seguinte, esse é o lado bom de não precisar entregar a arte "pra ontem!": dá pra digerir o trabalho de uma forma mais tranqüila e saudável. Muitas vezes a empolgação da criação te deixa meio cego, surdo e mudo pro teu próprio senso crítico. Por isso, às vezes é bom parar pra dar uma respirada e deixar passar o orgasmo do parto da idéia. Orgasmo, sim! Porque esse lance de mexer com criação, pra quem gosta mesmo, é prazeroso e, sei lá, as toxinas que o cérebro libera pra dar esse prazer são viciantes e nos tranformam numa espécie de junkies sempre querendo mais. O único problema é que, no momento em que estamos em transe (não resisto, hehe!) tudo é muito bom e tudo é muito lindo. Gosto da possibilidade de usar a idéia bruta, como já falei em posts anteriores, mas nesse caso a pausa pra uma reavaliação valeu muito a pena!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

CAFÉ SEM BÚSSOLA

Não falei que gostei do estilo do giz de cera da arte anterior? Poizé, Zé! Acabei utilizando no seguinte do Max & MP3.

A idéia inicial era um desenho meio abstrato e dadaísta que eu estava fazendo no Corel. Pensei em utilizar uma textura de fundo e como o show é no Estação Café Brasil, procurei o saco do café pra testar como ficaria. Não ficou bom, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) acabei gostando mais da história do saco mesmo e resolvi abandonar o caminho original.

Buenas, com um saco de fundo, coloquei a logo da banda bem grande e centralizada, mas precisava de uma cor que destacasse. Como a imagem tinha elementos claros e escuros, nenhuma cor conseguiu um resultado satisfatório.

Resolvi então transformar a foto de fundo num desenho. Feito isso, ainda dei uma clareada na imagem para que ela ficasse como uma espécie de marca d'água (claro que com muito mais destaque do que uma normal). Mas o dilema das cores ainda não estava resolvido.

Mesmo com o clareamento do fundo, nada me agradava. Comecei a pintar usando o recurso do giz pra deixar mais "bruta" a arte, mas não estava gostando. Até que pintei apenas o contorno da logo. Fiz de um jeito bem tosco mesmo, com pouco capricho, justamente pra combinar com a textura rústica do fundo. E gostei!

Deixei as informações bem pequeninas pintadas com o mesmo pincel logo abaixo e utilizei o recurso também no carimbo escamoso. Depois joguei a logo do bar lá em cima, mas refiz ela inteira com o pincel do giz de cera pra entrar no conceito do resto da arte.

O que começou como uma idéia pro Corel, terminou 100% no Photoshop. Sempre é maravilhoso esse lance que a criação te dá de desviar totalmente seu rumo por causa de um pequeno detalhe que te desperta um zilhão de novas idéias. Nesse mar nervoso da imaginação, a coisa menos recomendada é ter um mapa que te guie pro caminho das Índias. Navegar sem bússola pode te dar o prazer de descobrir novos continentes...

sábado, 9 de maio de 2009

MISSISSIPI DELTA

Ainda na loucura de desenhar no Paint e fazer traços infantis, uma das opções que mandei pro Paulo Mopho (post abaixo) era um desenho dele voando montado no seu violão (não mais) encantado, feito no Photoshop com uma opção de pincel que parece um giz de cera. Acabou não sendo utilizada, mas estava plantada a idéia de um novo tipo de recurso para utilizar num próximo cartaz.

Eis que o Max pede uma nova arte. Desta vez não para sua banda, mas sim pra apresentação voz e violão que ele faz nos bares da cidade (nesse caso a Usina Londres). Ah, um negão sozinho com seu violão? Pô! Imediatamente lembrei das margens do Mississipi, do Yazoo e dos heróis que inventaram o blues lá no sul dos EUA naqueles tempos em que ser músico e negro era garantia de um generoso convite pra um dos famosos churrascos da Clu Clux Clã...

Outro lance que deu o start pra idéia foi o fato do Max ter falado algo como "acústico e nervoso". Achei demais pra um título! E se encaixava perfeitamente com a história das tristes fogueiras racistas e com o estilo de desenho que eu estava afim de fazer, utilizando o pincel já citado que me lembra coisa antiga (mais precisamente os antigos cartazes russos e das primeiras copas do mundo).

Comecei rabiscando o um cara tocando violão no Photoshop. Gostei do desenho, mas faltava alguma coisa pra combinar com o "nervoso". Tentei fazer mais de uma mão direita pra dar a impressão de movimento, mas não ficou legal. Até que veio o link com o fogo. Eureka! Incendiei o violão e o nome do artista, além de pintar as informações no mesmo estilo do resto. Legal, mas ainda faltava alguma coisa...

Não estava gostando do fundo. Tentei várias cores, textura de madeira... mas nada me agradava. O branco destacava a arte, mas faltava a sujeira! Então utilizei o pedaço da capa de um antigo disco de vinil (pra ser mais preciso, Tim Maia Racional Vol. 1 -1975). Recortei um pedaço branco todo sujo de marcas de dedos e colei atrás do desenho. Não é que deu impressão de fumaça? Poizé, zé! Eu não tinha mais o que acrescentar ali porque ele estava pronto. E fim de papo!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

SOPRO SÓBRIO

Lembra quando falei que meu auge seria o dia que eu fizesse um cartaz no Paint? Então... chegou o grande dia!

O meu parceiro musical e da vida, Paulo Mopho, pediu a arte (pra ser divulgada só na net) de um show voz e violão. Ele anunciou como "Paulo Mopho e seu violão encantado". Poizé, Zé... assim como eu, o rapaz gosta desses temas malucos. A decoração do Tulha Seca também é bem peculiar, com reboques aparecendo, e sacos de estopa para sentar. Achei que combinaria uma arte mais "inacabada", com um Q de psicodelia. Então decidi me arriscar no bom e velho Paint mesmo!

Nunca fui um desenhista de mão cheia. Não mesmo! Claro que,quando moleque, passava horas desenhando, mas jamais consegui dar detalhes pra um desenho e fazer um traço reto. Pensando bem, não faço isso até hoje com o meu trabalho, hehe! Até que assisti o documentário "Oscar Niemeyer - A vida é um sopro" (2007) e percebi que o traço daquele monstro sagrado é bem simples. E nem por isso deixava de ser lindo! Me encorajou bastante na volta pros rabiscos.

Meu traço sempre foi rabiscado, sujo, tremido. Desde criança! Hoje gosto dessas características. Desenhei o Paulão sentado num banquinho, sentando a mão na viola e escrevi todas as informações (inclusive meu carimbo) da mesma forma. Achei que o nome do bar e do músico não estavam se destacando, então desenhei de forma mais grosseira e pintei com o baldinho de tinta.

Originalmente escrevi "e seu violão encantado" e pintei só o retrato do Paulo com aquela mistura de cores psicodélica que eu adoro usar. Mas quando ele viu, pediu pra eu tirar o violão encantado porque não queria passar essa impressão (meu amigo está ficando com a imagem de uma espécie de super herói do rock em Marília), mas a de uma coisa mais sóbria e folk. Sugeri então que, além disso, as cores fossem limadas também, deixando tudo em p&b. Aprovado!

Legal que antes de escrever esse post eu nem tinha consciência de como o documentário do Niemeyer tinha batido forte em mim. Acho que foi na mesma época que comecei a assumir de verdade o conceito de diferença através da simplicidade pra fazer esse tipo de trabalho que faço hoje. Caminho único! Pode não ser a coisa mais linda do mundo, mas só eu faço assim. Por mais que o traço seja "poluído", deu uma delicadeza quase infantil pra arte. Gostei! Aguarde novos cartazes no Paint!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

BREGA & CHICK

Essa idéia nasceu antes do pedido. Quando fomos na gráfica imprimir o cartaz do Tiradentes (post LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN), ficamos esperando pelo atendimento e fui pegar uma revista pra ler. Eis que pego um exemplar do Superboy da extinta editora Ebal. Primeiro fiquei surpreso por ter uma raridade daquelas pra ler numa sala de espera (até agora não sei como não surrupiei tal preciosidade arqueológica...) e, segundo, fiquei encantado com a impressão reticulada (ou meio tom) daquele tempo. Cheio de pontinhos pra colorir e tals. Mostrei pro Max que também achou legal e no mesmo instante brotou o pensamento "preciso fazer um cartaz nesses moldes ou não desfrutarei de satisfação nessa vida!".

Pouco tempo depois, o Max me fala sobre utilizar uma foto pra próxima arte. Fiquei com os dois pés atrás. Eu evito ao máximo utilizar fotos das bandas. Não tem absolutamente nada a ver com a minha proposta de conceito e, além disso, acho que dá um tom de banda de baile mesmo pro heavy metal mais from hell do mundo, ou seja, brega. Claro que essa é uma visão extremamente pessoal, mas é o que sinto. Por isso evito de verdade. Brega por brega, prefiro uma arte 100% original minha. É mais difícil do que simplesmente copiar e colar uma foto, mas dá mais alegria ver que meu DNA está ali.

Expliquei isso tudo pro Max, que não só entendeu como compartilha dessa idéia comigo, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), a foto em questão não era da banda, e sim, do sobrinho dele. Justamente na primeira vez que o moleque sentou num piano! Como o show se tratava da volta do Max ao palco do Valentino depois de tantos anos e, por isso mesmo, o tema seria "Como se fosse a primeira vez", ia de encontro com a imagem sugerida. Aprovada na hora!

Ainda assim, a idéia de simplesmente colar a foto não me descia suavemente. Então lembrei do Superboy! Coloquei o efeito de retícula na imagem e deixei só em tons de verde e branco. Aí sim, o negócio começou a ficar bem interessante...

O Max ficou desconfiado quando avisei que iria mexer na foto, mas curtiu a idéia quando viu e na hora se ligou de onde vinha. Pediu pra seguir essa linha e foi o que eu fiz. Coloquei uma borda grossa e arrendondada pra dar essa sensação de quadrinho ou figurinha e mandei ver em cores que se destacassem no verde. Amarelo pro nome do bar e vermelho pra logo da banda. Seguindo a onda dos cartazes anteriores montei o fundo pras informações com várias logos do Max & MP3 (assim como a própria logo), o que continuou dando o ar de retícula pro todo.

Pra quem corre da simples possibilidade de utilizar fotos, gostei muito do resultado final. Muita gente pergunta se a foto é do próprio Max quando moleque, pois o efeito utilizado e a combinação de cores passou um ar retrô. Bacana! Como eu disse lá em cima, brega por brega... prefiro ser pelos meus próprios méritos, né? Assim posso desfrutar da tal satisfação, hehe!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

HEIM? VI-TRO-LA!


Novo show do Pedrera em uma nova casa londrinense. A Sara (baixista) falou sobre relacionar a arte com o nome do bar (Vitrola) e fazer o desenho de um disco ou coisa parecida. Então uma velha idéia voltou a martelar minha cabeça: a de fazer o cartaz num disco de vinil.

Preciso exaltar minhas qualidades como um ser humanista e solidário, hehehe! Explico: na verdade, eu estava guardando essa idéia pra possível estréia de uma banda autoral minha. Quando ouvi a sugestão, resolvi abrir mão do egoísmo pelos caras! Sim, senhores e senhoras! Eu sou um cara de bom coração.

Aqui não tem nem muito o que explicar já que a idéia (pra variar) é extremamente simples. Comprei discos de vinil riscados a preço de banana num sebo e escrevi com uma cola plástica prateada apenas o necessário mesmo, ou seja, data e local. Por apostar que a arte ia chamar atenção por ter um formato diferente, decidi ser bem seco nesse sentido.




Desenhei um rótulo, seguindo a linha dos cartazes com a logo da banda bem grandona, imprimi e colei no bolachão e pronto! Tudo por um custo extremamente barato. Gastamos menos na produção de cada unidade do que se fosse uma impressão em gráfica. Legal, né?

Pra divulgação no orkut, simplesmente tirei uma photo de um dos cartazes, copiei a cor de fundo dos scraps e colei o disco (assim como copiei o fundo do blog pra colar aqui). Ficou parecendo que estava colado na mensagem. Gostei do efeito que deu. Inicialmente a foto do disco não motrava o rótulo legal, então colei o desenho dele na imagem pra versão online. A parte preta q envolve o rótulo também é desenhada.

A arte acabou dando o tema pro cenário do show. Colocam uma enorme cópia do disco no palco que ficava girando durante as músicas. Genial!

Buenas, esse recebeu e ainda está recebendo elogios (como o show foi ontem espero receber mais, né? Haha!). Nunca fui muito "artesanal", mas confesso que adorei ter feito esse trabalho. Se fico batendo tanto nessa tecla de diferença e caminho pessoal, nada melhor do que mudar o formato padrão. Provavelmente esse foi o primeiro de uma série de cartazes que saem da mídia impressa. Vamos ver o que o futuro vai trazer pra essa cabecinha que vos escreve!

Ah, e preciso confessar! Não fui tão amigão assim ao dar a arte que seria pra minha estréia pros caras. Tenho um plano B de que gosto muito, hehe! Então, quem sabe um dia, ela entre por aqui também.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

DEFEITOS ESPECIAIS

Enfim estamos chegando nos cartazes de shows que ainda estão por vir! Tô me segurando e escrevendo um post por dia, senão acabam os trampos e eu fico sem atualizar. Como cada um tem uma histórinha, é muito viciante ficar escrevendo. Espero que esteja sendo tão legal pra quem lê quanto está sendo pra mim.

Preciso dizer qual foi a primeira coisa que o cliente falou quando pediu o cartaz? Um doce de figo para quem chutou em É PRA ONTEM! A minha resposta agora é que esse prazo está se tornando minha especialidade, hehe!

A banda Base 2 está gravando seu disco autoral e tem, como muitas das bandas de Londrina, dois shows com repertórios diferentes na manga. O seu próprio e um tributo pra uma banda famosa. Nesse caso, a banda consagrada é O Rappa.

Ao ver as comunicações anteriores da banda, achei um pouco poluídas. Nada que estragasse, mas um pouco além dos padrões escamosos. Portanto, só pude pensar numa coisa (mais um doce de batata pra quem adivinhar!): FAZER DIFERENTE!

Já estava decidido que seria uma arte clean quando recebi a logo da banda no Corel e não abriu nada aqui (o bom e velho Corel Pau!). Como tinha que resolver em pouco tempo, acabei pegando uma versão jpg mesmo e usando o rastreador do Corel (que transforma imagens em curvas) para poder manipular com mais facilidade. Claro que ficou um pouco prejudicada em relação a original, mas eu tinha segundas intenções para esse cartaz mesmo, então isso veio bem a calhar...

Na onda da logo falhada, procurei a do próprio Rappa nas mesmas condições, fiz o mesmo processo e ficou mais estourada nos pixels ainda. Já falei que gosto da imperfeição? Acho muito mais real, verdadeira e possível do que a idealização da perfeição. Isso reflete diretamente no meu trabalho, afinal de contas, ele é bem pessoal. Nada mais justo do que ser um reflexo de quem eu sou.

Pra não ficar tudo no p&B, acrescentei um pequeno detalhe vermelho: o "X" da capa do último disco do Rappa. A diferença é que esse eu mesmo desenhei no Corel, o que é bem simples, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) foi a parte que mais deu trabalho porque tive que desenhar as falhas e pixels estourados dessa imagem. Cada quadradinho que está ali foi este ser abençoado que vos escreve quem , pacientemente, colocou um por um. Pra piorar mais a qualidade, simulei falhas na impressão. Até a moldura fiz toda nesse esquema.

Pra contrastar com tudo isso, a fonte das informações (LittleLordFontleroy) tem cara de coisa chique e conseguiu dar um ar de respeito pra toda essa sujeira.

Como não utilizei todo o espaço disponível, o resultado final me passa uma sensação boa. Dia desses uma amiga falou que lê os textos aqui e parece que eu sou cliente, hehe! Na verdade sou mesmo. Se não me passar boa impressão a arte, não rola. E, se eu mesmo não gostar do que faço, como é que vou convencer outra pessoa? Não tenho tanta cara de pau assim...

terça-feira, 28 de abril de 2009

ESTILO ROOTS.


Aqui um pedido de arte só pra ser divulgada via web. Nesses casos dá pra brincar um pouco mais com os formatos. Deixei quadrado porque ocupa menos espaço e não precisa rolar a barra pra baixo pra visualizar a comunicação inteira.

Pra variar, pedido "pra ontem!", então nem me deixei levar por possibilidades muito malucas. Nesses casos, prefiro apostar na minha simplicidade mesmo até pra evitar que o cliente estranhe a arte e peça pra mudar gerando atrasos.

Infelizmente não rolou tããããoooo rápido. Inicialmente fiz uma idéia com a lua logo do MamaQuilla, cortada por uma onda que dividia o fundo em duas cores quentes (vermelho e amarelo) e com luzes brilhantes explodindo neles. O Tiago (vocalista) gostou, mas pediu alterações, inclusive uma da qual gostei muito, que era retirar o nome da banda da comunicação. Já que a própria banda ia divulgar via e-mail e orkut pros seus próprios fãs cadastrados, eles já saberiam do que se tratava. Achei ousado, mas com as alterações, nem ele nem eu gostamos. Então decidi recomeçar do zero.

Dessa vez quis deixar bem mais simples mesmo. Utilizei uma cor fria (verde) e pintei os cantos com um dos pincéis artísticos do Corel. Depois levei pro Photoshop e mandei ver num filtro de textura. Ficou parecendo uma parede pintada. Adorei o resultado final dos detalhes brancos nos cantos! Parece que alguém passou o dedo sujo de tinta ali. Cara de pintura rupestre total!

Estava fazendo essa arte seguindo a linha de pensamento sem o nome da banda, mas acabei sentindo falta. Encaixei ele encabeçando tudo e gostei. O cliente até pediu pra ver sem também, mas acabou preferindo com o nome. Ainda bem! Porque ficou melhor mesmo.

Arte rápida, simples e direta. A textura combinou com os elementos tribais da logo que, por sua vez, tem a cara do MamaQuilla mesmo: uma ótima banda que nos surpreende com o peso de sua poesia e arranjos. Deu samba, ou melhor, deu reggae!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN.


Então tu vê a data do cartaz do último post e depois a desse aqui e pensa: "Mas esse el escama parou do postar em ordem cronológica ou então não sabe mais contar!". A verdade é que depois da primeira arte criada e impressa, o Max foi colar o poster no local do show e o dono o convidou pra tocar alguns dias antes, na véspera do feriado de Tiradentes. Logo, esse foi mais um da série de pedidos " é pra ontem!!!"...

Primeiro trabalho que fiz na horizontal. A idéia era dar a mão pro tema do feriado e mandar ver na bandeira mineira. Seguindo os passos do primeiro cartaz, formei o triângulo vermelho a partir da junção de vários quadrados da logo da banda, além de uma bem grandona branca centralizada no meio.

No lugar da frase "LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN" coloquei as informações do show, acrescentando o fato de ser véspera de feriado. O toque final foram as esfinges do Tiradentes q coloquei nos dois lados da pirâmide. Peguei de uma photo e resesenhei utilizando o Corel Trace e depois acertando detalhes manualmente. Adoro fazer esse tipo de coisa!

Uma conversa que rolou durante a rápida finalização desse trabalho, foi sobre a banda pedir pra colocar o nome dos integrantes no cartaz. A não ser que seja uma banda formada por nomes como Paul McCartney no baixo, João Barone na bateria e Lulu Santos na guitarra (porque esses atrairiam mais público pro show), acho desnecessário além de poluição visual pra um meio de comunicação onde a pessoa bate o olho e tem que ler só o que interessa.

Rolou até um certo desconforto com um dos integrantes que quis se justificar argumentando "coloca meu nome pequeno mesmo que ninguém precisa ver", hehe! Então se ninguém precisa ver, não precisa estar lá, né? Só alimentação de ego mesmo. Até numa segunda versão impressa coloquei bem pequenininho o nome dos músicos abaixo do "Matéria Power Trio" meio que zoando "tá feliz agora?", mas não faço isso mais, não! Eu não coloco o bedelho no jeito que a banda toca, então que confiem no profissional da comunicação enquanto ele desenvolve a sua parte, né?

sábado, 25 de abril de 2009

AS VOLTAS DO MUNDO...

Uma honra trampar com o Max! Anos atrás eu visitava Londrina e via ele tocando no finado Vila Pirata Bar com um repertório muito diferente do que rolava na mesmice da época. O baque na minha cabeça de adolescente foi assim: "Ahhh então quer dizer que pode tocar essas que ninguém conhece também...". Influenciou diretamente na escolha do set list da banda que formei em Marília na mesma época.

Deixando as lembranças de lado, o cara voltou a fazer um som com o novo projeto, o Matéria Power Trio, ou simplesmente, MAX & MP3. Chegou pedindo um cartaz e saiu com uma logo, ou seja, dois trampos pelo preço de um, hehe! Bagatela total!

MAX = 3 letras.
MP3 = 3 letras.

Nem precisei pensar muito pra criar a logo. Escrevi e aproximei um pouco as letras. Virou um quadradão! Só dei uma cortada no desenho com o "&" entre as palavras. Simples e direto do jeito que gosto!

Apesar do Max ser muito conhecido aqui na cidade, essa é uma banda nova. Então o lance era fixar o nome mesmo. Me aproveitei do formato quadrado da logo e apenas preenchi o fundo com várias delas em miniatura e num degradê. Gostei de utilizar os tons de azul fora de uma arte relacionada com Roberto Carlos (hehe!) e acho q tem tudo a ver com o músico e sua atual fase.

Rolou a sugestão da gente manter essa arte e ir só trocando as cores pros próximos shows. É uma possibilidade, mas tenho muito o pé atrás com isso porque corre o risco de passar aquela impressão de banda de baile que só usa a mesma arte. Sabe aquele lance de, tentando economizar com gráfica e ilustrador, imprimir milhares de cópias do mesmo cartaz deixando espaço em branco pra preencher depois conforme for fechando datas e locais? Parece uma idéia boa, né? Mas devemos nos lembrar que estamos lidando com uma peça de comunicação que passa a informação de forma muito rápida, portanto, se o receptor já a avistou uma vez, não vai parar pra ver de novo. Usar a mesma arte pra anunciar outro show é pedir pra que a pessoa que veja de relance pense "Esse eu já vi!" e não lhe dê a devida atenção. Um verdadeiro tiro no pé!

O negócio é arte nova pra cada apresentação. Além de mostrar sempre uma renovação na imagem do músico, se os cartazes forem legais, o público comenta e fica esperando pelo próximo imaginando o que virá a seguir. E estar no pensamento da galera mesmo fora do ambiente de show é sempre bom.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

SAUDOSA PIRATARIA!


O MamaQuilla é uma banda muito bacana! Conseguiu, com som autoral, criar um circuito de reggae em Londrina, gravou um disco (Efeito Sintonia, 2005) no Playrecpause Audio Works de forma 100% independente e vendeu todas as unidades da bolacha (acho que foram duas ou três prensagens de mil cópias). Até que, um belo dia, rolou um convite pra tocar num festival bacana ao ar livre com entrada franca no principal parque da cidade e não tinham mais discos pra vender. A solução mais rápida e prática foi se autopiratear com direito a caixinha produzida por este humilde servo do minimalismo que vos escreve!

Decidido que a embalagem seria algo bem simples (até pra baratear o custo final do produto), comecei a pensar na ilustração da capa. Redesenhei a lua estilizada que é a logo da banda e coloquei duas espadas cruzadas logo abaixo como se fosse uma bandeira pirata. Pra contracapa, num toque pessoal escamoso, desenhei um Pula-Pirata, antigo brinquedo dos anos 80 onde o boneco de um piratinha ficava dentro de um barril. O objetivo do jogo era ficar colocando espadas no barril até que uma acionasse o mecanismo que fazia o pequeno tubarão dos mares saltar. Boa lembrança! O desenho ficou como um carimbinho logo acima do nome das faixas.

Para o CD, compramos uma midia branca printável e mandamos fazer um carimbo com a logo da lua. Queimamos as cópias no próprio studio, no computador que continha a master do disco, ou seja, por sair direto da origem, a versão pirata perigava ter uma melhor qualidade do que o original, hehe!

Após impresso, me lembro de ter passado um dia inteiro recortando e montando as caixinhas. Adoro fazer esse tipo de serviço! Me lembra os tempos do estágio que fiz na época da faculdade numa agência interna de uma rede de varejo. Eu fiz de tudo por lá! Pesquisa, atendimento, planejamento, mídia, criação, arte-final... e também coloquei a mão na massa cortando adesivos e montando vitrines pras lojas. Chegava antes das lojas abrirem pra colar cartazes e adesivar vitrines. Foi uma época de que me recordo com carinho, então sempre que rola a oportunidade de fazer esse tipo de serviço manual (recorte, dobra, colagem, etc...) que o pessoal costuma achar chato, prefiro até fazer sozinho. Nem vejo o tempo passar!

A capinha ficou muito simpática e deve ter vendido todas as cópias porque não sobrou nenhuma pra mim. Tudo bem que eu tenho o disco original, mas esse é item de colecionador, né? Buenas, talvez esse trabalho tenha me dado alguns créditos necessários para, tempos depois, ser contratado pra fazer o projeto gráfico do próximo disco da banda que já está pra sair, mas isso é história pra um futuro post...

O link pro myspace do MamaQuilla está aí do lado na sessão EU OVO, TU OVES!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

AI SE SESSÊ!

Mais uma parceria com o Grind Control. No pedido já mandaram "aquele lance: estrelona vermelha que a galera já reconhece na hora!". Eu não sou lá muito fã de repetição,mas depois pensei bem e vi que só tinha usado esse recurso no primeiro cartaz (post DOIS EM UM). No segundo eu deixei ela bem discreta (post ORDEM NO CAOS), então sem problemas! Igual, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), naquela singela filosofia Monty Phyton de ser: uma coisa completamente diferente, hehehe!

Ainda na fissura por texturas e filtros (esse é o último da pequena série), peguei a foto de um tronco de árvore e colei uma estrela nele. Passei por um filtro que deixou ela como se fosse aquela árvore petrificada que quebrou o bico do Pica-Pau! Aproximei a imagem e o fundo ficou parecendo uns rabiscos de pedra com uma grande estrela preta no meio.

Mas queriam estrela vermelha, certo? Despertei o pequeno comunista que deve hibernar em algum canto do meu inconsciente, peguei o pincel do próprio Photoshot e, como se fosse el serelepe pré-adolescente escamoso brincando no Paint, pintei por cima da estrela preta uma grossa camada de rabiscos avermelhados. Estava aí: igual mas diferente!

A fonte utilizada para escrever o nome do Rage Against The Machine é uma utilizada pela própria banda. Deixei a parte das letras vazada para ela se confundir com o fundo. Achei o resultado interessante. Curioso que, dessa vez, nem precisei divulgar o nome do Grind Control. O pessoal aqui já sabe que são eles que fazem esse especial, então só colei o endereço do myspace da banda.

Ah, ia rolar uma abertura com a banda Dig Dig Dig Hempa fazendo, é óbvio, um especial pro Planet Hemp! Até a idéia inicial do cartaz, inspirado nos "defeitos" especiais que aparecem nas entrevistas que o Marcelo D2 dá pro CQC (sempre colocam uma fumaça verde saindo da boca dele, hehehe!) era deixar a fumacinha por trás do nome e invadindo o resto do cartaz. Até tentei, mas o verde não combinou então deixei uma sombra vermelha mesmo pra referência (que, em nome de Inri! Só eu e Andy Kaufman entendemos essa piada...).

Agora a parte triste da história: a banda quis economizar no custo dos cartazes e imprimiu em p&b. A estrela vermelha (lembra da única exigência?) virou um massaroco cinza e simplesmente desapareceu! O que era destaque se confundiu com o fundo e matou o cartaz. Confesso ter um pouco de culpa nessa jogada, pois mesmo sem ter me avisado que existia a possibilidade de soltarem a arte nos tons de cinza, eu deveria ter mandado uma versão alternativa em p&b. Era só deixar a estrela 100% branca que ela voltaria a ter destaque. Fica a lição pros ilustradores novatos (dos quais eu faço parte...) sempre mandarem duas versões de seus desenhos: a colorida e a p&b. Para que assim sua obra não seja maculada com o desgosto pessoal de ver seu cartaz numa parede e, ao mesmo tempo, não ver nada. Uma pena! Ai se sessê colorido ia ficar tããããooo lindo...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

FONTES NOBRES

Ainda na série dos que utilizo filtros e texturas, temos o cartaz d'Os Generais fazendo um show só com repertório do Pearl Jam.

Teria que colocar obrigatoriamente na arte a logo da banda (Os Generais), o bonequinho do Pearl Jam e a informação de que os primeiros que comprassem o ingresso ganhariam um disco. Isso sem falar da logo da produtora, local, data, preço, horário...

Num fundo verde claro, já matei 3 das obrigações: a logo da produtora apresentando o show bem pequenina encabeçando tudo, a boa logo d'Os Generais e o boneco do homenageado. Metade do espaço já estava ocupado, faltava ocupar a outra!

Tentei escrever "Pearl Jam" com várias fontes, inclusive algumas que a própria banda utiliza nos seus discos, mas achei que não combinava com o clima que queria pra arte. Então usei uma fonte a qual nunca pensei que iria recorrer: Lettres ombrees ornees, um daqueles tipos de letras que a gente utiliza só como primeira de uma primeira palavra numa história pra dar aquele ar de nobreza, sabe? Bem tipo "Era uma vez...". Escrevi o nome todo da banda nessas letras garrafais, mas ainda assim não estava lá muito contente com o resultado, pois ela era muito vazada.

Distribui o restante das informações com a You are loved, uma fonte bagunçada pero bonitinha que muito me agrada com uma disposição irregular tanto no tamanho de cada uma das informações como na centralização delas e novamente joguei o "ar de nobreza" pra destacar local do evento.

Primeira fase completa! Mas, como disse lá em cima, ainda faltava alguma coisa. Tomado pela empolgação com os recentes experimentos com filtros, levei a arte toda pro Photoshop. Adicionei ao fundo verde uma textura de papel velho que, vira e mexe, utilizo e ainda joguei um filtro que escurecia o desenho. Bingo! O fundo ficou com uma cara bem suja e as letras se destacaram. Em especial a do Pearl Jam que não estava me agradando tanto. Os detalhes dela escureceram e valorizaram a fonte, somando ao ar de nobreza um toque bem classudo.

O pessoal falou bem desse cartaz também. Eu sempre gosto, mas nunca sei o que esperar da galera. Acho que o estilo escamoso,aos pouquinhos, vai agradando. Que bom!

terça-feira, 21 de abril de 2009

BRUTAL EXPRESS

A partir do último cartaz do Pedrera, começo a mexer muito com filtros e texturas do photoshop. Esse é o segundo de uma pequena série...

Eu tinha passado um mês fora da cidade e, quando retornei, tinha uma galera desesperada me procurando pra fazer uns trabalhos (pô... é só me mandar e-mail que eu faço de onde estiver!) e esse, em especial, estava na situação "Peloamordedeus faz logo a arte que preciso pra daqui a pouco!!". Apesar do desespero, confiança no ilustrador e carta branca pra arte.

Plaid Shirt: Banda com repertório indie rock, não precisava soar heróica a imagem. O que combina com a tal da simplicidade visual que tanto defendo. Desenhei no Corel várias bolas de tamanhos e desenhos ligeiramente diferentes (meio baseados no escudo do Capitão América, hehe!), distribui a bagunça numa tonalidade vermelha, levei pro Photoshop onde apliquei um filtro de mosaíco e voilà! Um fundo bem relax! De longe, ficou parecendo um tipo de tapete. Gostei!

De volta ao Corel, o nome da banda fica com um vermelho vivo e deixei o contorno pra destacar do fundo de mesmo tom. A fonte (Titania) me passa uma impressão feliz, pop! Somando isso com a disposição inclinada e o fundo, a arte ficou com cara de anúncio de, digamos, refrigerante ou chiclete, ehehe! Achei bacana colocar parte das informações na diagonal. É um recurso que eu deveria utilizar mais, pois visualmente fica interessante e otimiza o espaço da peça sem agredir a ilustração. Devo estar fazendo mais dessas coisas daqui pra frente...

Buenas, mais um cartaz que saiu do forno rapidamente! Vou falar algo que talvez me arrependa mais adiante, mas gosto de trabalhar com esses prazos apertados. Tudo bem que é sempre bom ter tranquilidade pra ficar voltando e olhar pra arte novamente, ver onde pode melhorar e tals. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!), às vezes, é legal não ter esse tempo de ficar inventando muita coisa, o que acaba resultando num desenho mais bruto e instintivo, menos lapidado. Lances assim me atraem! Gosto de ser mais emocional nesse ponto. O coração sempre agradece!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

RABISCOS DE BORRACHA

Terceiro show do Pedrera, terceiro cartaz escamoso! Dessa vez o show não tinha um tema ainda definido e, de novo, carta branca pra criação. Pensei então em dar uma fixada na logo da banda que fez sucesso no último cartaz (veja post BOLA DENTRO!) com uma arte inspirada nele, porém diferente.

Curiosamente não utilizei o Corel para nada nessa arte. Só Photoshop mesmo (meu auge será um cartaz feito no Paint, hehe!). Lembro de ter um amigo na sala quando comecei a rabiscar uma tela vazia. O cara deve ter pensado que eu sou maluco! Na verdade, era o fundo que você vê aí. Depois, com o auxilio do velho e bom dedinho do photoshop, distorci a logo da banda.

As informações eu mesmo escrevi com o mouse. Usei a letra de mão que fazia lá pela terceira série. Acho bacana fazer assim. Quando falei de fazer uma futura arte no Paint, não estava brincando. Ainda vou fazer um cartaz com um desenho qualquer e as informações (incluindo o nome da banda) bem pequeninas pra não atrapalhar a arte. Isso segue aquela linha de pensamento comentada em um outro post, de fazer o receptor se aproximar pra ler do que se trata.

Dois filtros foram utilizados depois: um que deu as cores laranja e roxa e, finalizando, o de plastificação que deixou essa textura emborrachada com iluminação central.

Gostei desse porque ficou simples (complicado é ser simples!), no fim das contas, a banda montou o palco com uns fios parecidos com os rabiscos do fundo. Nem perguntei se foi inspirado na arte, mas ficou legal! Mais uma vez link direto entre arte e show. Ótimo!

domingo, 19 de abril de 2009

TRAÇO FINO


Taí a capa do EP que o Grind Control lançou ano passado. Os caras me deram carta branca pra criar e eu, em troca, pedi as músicas pra ouvir. É o mínimo, né? O ilustrador tem que descobrir a essência do artista. Por me considerar mais um pesquisador musical do que qualquer outra coisa, acredito que sou razoavelmente bom nesse setor.

Fiz vários desenhos no photoshop. Todos daquele jeitinho que gosto: manualmente com o mouse! A banda mistura hardcore e rap, então fiz um traço tremido que deixava as ilustrações mais "nervosas". Utilizei a ferramente pincel com o traço grosso mesmo, mas fiz os desenhos bem grandes. Depois diminuia bastante o tamanho deles e o traço afinava, dando impressão que desenhei com uma caneta mesmo.

Seguindo a idéia do traço tremido, criei uma moldura no mesmo estilo. O desenho da capa é bem simples. Apenas uma cabeça de perfil (se reparar dá pra ver um rosto de cada lado) com um rabiscão representando o cérebro. Para o nome da banda, continuei com a fonte que já vinha usando nos cartazes dos shows, Barbies Jalous Sisters, levemente modificada (sobrepus algumas vez um nome sobre o outro).

Segue a contracapa:


Aqui usei a mesma moltura, mas com uma espécie de teia separando as informações (nome das músicas, ficha técnica e contatos). Os personagens representando a banda, no ínicio, era apenas um desenho de um carinha andando com um casaco, de boné virado e seu fine de ouvido (é o último da fila), mas quando o Rosa (vocal) viu, gostou e pediu pra eu fazer mais três que caracterizassem o pessoal do grupo. Modifiquei os elementos da cabeça, cada um com seu estilo de chapéu e, o Rosa, com seu caracteristico dread. Além disso desenhei os instrumentos deles.

Ah, uma curiosidade! O desenho era de fundo preto com os traços brancos. A pedido do Sidão (baixo), inverti as cores e o resultado nos agradou bem mais. Mas mantive o fundo preto na bolachinha, como você pode ver a seguir.



No miolo, informações básicas como nome, e-mail e myspace da banda. Os caras fizeram questão de colocar a origem deles (Londrina-PR) e inseri três lâmpadas seguindo o traço de todo o projeto gráfico. Na impressão do CD mesmo os desenhos não ficaram brancos, e sim, vazados. Portanto ficou prateado (como é o disco antes de silka-lo).

Pra conferir o som pesado e cheio de atitude do Grind Control, é só clicar aqui e acessar o myspace dos caras.

sábado, 18 de abril de 2009

ORDEM NO CAOS.

Esse era pra ter sido utilizado antes, pro show anterior da banda. Mas era aquele das duas noites com dois repertórios (veja post DOIS EM UM). Achei que estragaria a arte aquela overdose de informação e resolvi guarda-la para quando o Grind Control fosse fazer apenas um show.

Até então a banda vinha fazendo seus cartazes por conta própria e, em todos, utilizaram capas dos discos do Rage Against the Machine. Quase sempre com fundo preto dando aquela impressão de rock band from hell. Certo! De uma coisa eu tinha certeza: a minha arte seria branca!

Seguindo a linha da utilização das capas do Rage Against, redesenhei no Corel o homem pichado no disco The battle of Los Angeles (1999). Novamente teria que me virar com um tanto razoável de informes (nomes da banda, do homenageado e do show, myspace, data, horário, preço, local e endereço), o que me deixou um pouco grilado.

Comecei encaixando o desenho na borda irregular que criei. Uma borda serve pra limitar até onde seu desenho poder ir, certo? Errado! Como a arte era basicamente p&b, qualquer detalhe de outra cor se destacaria. Utilizei então o vermelho e, tudo o que estivesse dessa cor, teria a "liberdade" de ir além das fronteiras impostas. É preciso tomar cuidado pra não exagerar na quantidade de "privilegiados" senão eles deixam de ser detalhes. Destaquei então apenas o nome da banda, a palavra "TRIBUTO" e a onipresente estrela vermelha (desta vez desenhada manualmente no mouse por este que vos escreve... adoro fazer essas coisas!).

Como a capa do disco é bem conhecida pelo público, apostei que ela falaria por si só e o nome da banda homenageada não precisaria aparecer em grande destaque para que ligassem uma coisa a outra (até porque, vamos concordar, Rage Against the Machine é um nome bem comprido!). Então destaquei só a palavra "RAGE" e o resto coloquei pequenininho, como se fosse uma tira de papel colada po cima da palavra. A fonte utilizada foi a Got heroin?.

Ainda inspirado na sujeira da fonte, construi uma espécie de divisória torta pras informações da festa e sujei o cartaz inteiro, simulando falhas na impressão. Me agradou bastante a utilização desse recurso!

Uma coisa que fiz nesse desenho e que não costumo nem recomendo que façam foi a utilização de QUATRO fontes diferentes. Geralmente isso deixa tudo bagunçado, mas como o conceito dessa arte tinha esse lance de caos, sujeira, pichação, acredito que não agrediu a comunicação.

Me lembro de ter recebido alguns elogios por esse trabalho. Gostei de ter conseguido dar uma cara rock sem precisar de trevas e escuridão. Adoro a combinação de preto, vermelho e branco. O difícil é saber se gosto porque realmente combinam ou porque são as cores do meu time de coração, São Paulo Futebol Clube, hehe!

VAMOS COLORIR?

Mais um da série "esse foi um dos que mais gostei de fazer", porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) se livrou da maldição de não ver a luz do dia, hehe! Foi impresso pra valer!

É importante começar dizendo que estou fazendo o projeto gráfico do disco do Gabriel Feijó & Colher de Chá, portanto, o cartaz tem elementos que estarão presentes no encarte da bolacha. No caso é o desenho da colher com asas e a fonte escrita à mão no mouse.

Além de cantar e escrever canções muito legais, o Gabriel também é professor de educação física na APAE. Quando me pediu o cartaz, comentou que seria legal poder imprimir várias cópias do mesmo em folha A4 e dar para os alunos da escola pintarem. Deixando um espacinho pro nome do mesmo e da professora.

Achei a idéia sensacional! Decidi que o elemento a ser pintado seria a própria colher de chá e inclui um pequeno lápis preenchidocom a frase "PARA COLORIR". No fundo, colei uma página inteira do mestre Will Eisneir e fiz uma grande bagunça com vários quadrinhos antigos: Flash Gordon, Capitão América, Mandrake, Dick Trace, Peanuts, Asterix, Pererê, Tintim e Corto Maltese dão as caras por ali. Meu carimbo também se infiltra entre os personagens.

Como grande fã de HQs, não posso negar que foi emocionante trabalhar nessa arte. Além disso, o resultado me deixou muito satisfeito mesmo! O Gabriel me repassou elogios das professoras que me deixaram extremamente feliz também! Infelizmente não cheguei a ver nenhum dos cartazes coloridos pelas crianças. Seria muito legal...

Quanto ao disco, postarei o projeto gráfico por aqui assim que for lançado!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

COMO DOIS E DOIS SÃO CINCO.

Antes que o leitor do blog pergunte: "Mas será que esse el escama tem fixação pelo Roberto Carlos?!?", quero lembrar que na história narrada no último post, eu falo que rolou uma proposta para utilizar aquela arte do RC666 num outro especial com bandas tocando clássicos do Rei. Então esse é o cartaz que fiz pra essa parada, hehe!

O culpado pelo evento era o finado programa da Rádio Univerdade do qual tive a honra de participar da produção por alguns meses, o Trem das Onze. De tempos em tempos, organizavam uma festa temática sobre algum músico ou grupo e convidava as bandas para mostrarem suas interpretações sobre a obra do homenageado.

Por se tratar do Roberto Carlos, não dá pra fugir muito do azul e branco. Desenhei a esfinge dele me baseando na capa do disco de 1972 e inseri o nome das bandas participantes debaixo dos caracóis do seu cabelo (pãtz! Eu sei que essa foi péssima,mas não resisti. Sorry!).

Utilizei uma fonte que me remete muito a anos 7o pra chamada do "ESPECIAL ROBERTO CARLOS" e foi só isso mesmo! Simples de tudo. Se as capas dos discos do Rei, entra ano e sai ano, são todas iguais, quem sou eu pra cometer a heresia de acabar com a tradição?

OBS: Acabei não gostando do local onde ficou o meu carimbo. Deveria ter pensado numa solução melhor.

RC666

Esse é outro dos que mais gosto de ter feito e, pra variar, também acabou não rolando...

O projeto RC666 era uma banda de releituras das canções do Roberto Carlos que eu armei com alguns amigos. Chegamos a ensaiar algumas vezes, mas um motivo de força maior nos fez abandona-lo. Cheguei a divulgar essa ilustração na época que os ensaios começaram mesmo, mas só no meu orkut, sem muito auê.

A idéia pra um cartaz impresso seria exatamente a mesma, mas no lugar do "AGORA VAI!" teria a data do show e o "AGUARDEM." seria substituido pelo local.

E a intenção era mostrar só isso mesmo! Nenhuma outra informação sobre do que se tratava seria adicionada. Se a pessoa não batesse o olho e linkasse o desenho imediatamente com o Rei Roberto, ela automaticamente não mereceria assistir a apresentação.

Afinal de contas, fundo azul clarinho, cabelo comprido com franjinha, pedestal inclinado, camisa azul e blazer branco... DO QUE MAIS PODERIA SE TRATAR??? Ainda coloquei um coração coroado com as iniciais "RC" lá embaixo. Essa tava bico de descobrir!

Na época até rolou um contra-argumento dos amigos de que poderiam pensar se tratar de um show do verdadeiro Roberto Carlos, mas como a apresentação seria num bar de médio porte da cidade onde tradicionalmente são executados shows-tributos, esse risco anulou-se.

Espero um dia poder utilizar essa arte. Até rolou uma proposta de eu ceder ela pra um especial com várias bandas tocando Roberto, mas preferi guardar pro caso de uma possível volta aos ensaios da RC666.

DOIS EM UM.


O Grind Control é uma banda com duas facetas: toca suas próprias composições e também tem na manga um show só com covers do Rage Against The Machine. O pepino que me deram foi o seguinte: iriam tocar dois dias seguidos no mesmo local, mas utilizando um dos repertórios a cada noite. Eu precisava divulgar ambos no mesmo anúncio.

Fui pesquisar máscaras de teatro grego. Aquelas divididas simétricamente onde uma metade sorri e outra chora. Queria vender "as duas faces do Grind Control". Desenhei uma e a coloquei num fundo preto. Como a máscara era P&B (preto e branco) também, ela se mesclava ao fundo resultando numa arte interesante.

Mostrei pro Rosa (vocal) e ele gostou, mas levantou a questão de deixar mais evidente a separação das duas noites, principalmente pelo fato de que, na primeira, o 220skabar estaria abrindo o show. E mais: o tributo ao Rage Against deveria ter mais destaque que o autoral, o que me criou um problema já que o espaço de anúncio para DUAS atrações (e que teria mais a informação do título da festa) seria menor do que o destinado para apenas uma. O pepino se transformava em abacaxi...

Decidi começar uma nova arte do zero mesmo. Separei a página em "metades" branca e preta para diferenciar as noites. A separação foi em formato diagonal e ainda zoei a divisão como se fosse tinta esparramada ou ainda o simbionte-parasita-alien negro que foi uniforme do Homem-Aranha por um tempo e depois virou o Venon (adoro usar aquele efeito do dedinho do photoshop, hehe!).

Feito o fundo, comecei o desenho na "parte fácil" que era a mais espaçosa. O Rage Against tem como símbolo a estrela vermelha. Então coloquei uma bem grandona pra se destacar num fundo p&b e escrevi o nome da banda em letras garrafais. Pronto! Estava dado o maior destaque pra uma das noites!

No espaço menor, destaquei a "noite do ska e hardcore" com o mesmo vermelho da estrela e acrescentei um All Star surradão meio que surgindo da tinta preta. Pra fazer o All Star utilizei outro recurso que adoro: peguei a photo do tênis e fiz o rastreamento por bitmap (q transforma imagens em desenhos com curvas pro CorelDraw). Coloquei a informação toda na diagonal pra diferenciar do "outro cartaz" que era a noite seguinte, e assim, terminei de montar o quebra-cabeça.

Gostei do resultado porque eu tinha medo de cair naquele lance do cartaz rock'n'roll que tanto fujo. Acabei fazendo um com minha cara simples: uma espécie de poluição limpa ou agressão educadinha, hehe! A utilização de apenas 3 cores ajudou nesse sentido. Afinal, rock não é carnaval, né?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

VINTAGE CIBERNÉTICO

Esse foi só pra anunciar no orkut mesmo. A nova banda do Paulo Mopho estava estreando e fui requisitado pra missão. De cara, pensei em fazer apenas uma moita em homenagem à Verafisher. Mas depois resolvi que uma estréia merecia um entregador de jornal gritando "extra!" e fui procurar imagens de um paperboy na net. Então encontrei algo que acendeu aquela memória lááá do fundo do baú neural escamoso: imagens do Paperboy, um game em que el pequeno e serelepe escama era viciado e passava os dias jogando no seu 286, tela amarela e preta do tempo em que fazer curso de MS-DOS era moda!

O enredo do jogo era de um entregador com sua bicicleta pelas ruas da cidade atirando jornais, e assim, saciando a fome das pessoas por informações matutinas. Era necessário possuir boa mira e jogar na porta da casa ou na caixa do correio. Acertar e quebrar as janelas da vizinhança valia também, mas tirava pontos...

Como sei que o Paulo também é nostálgico (mesmo que não tenha conhecido o jogo), imaginei que ele acharia bacana a imagem toda explodida em pixels enormes e arrisquei. Deu certo!

Tentei várias cores diferentes para a palavra "estréia" e a letra "&". Nenhuma me agradou (nem ao Kreo Fidélis, amigo pra quem eu estava mostrando as opções na hora) até q me resolvi num amarelo quase branco de tão apagado.

No fim das contas, combinou o clima nostalgia mesmo. Até porque eu compareci no evento e as duas bandas exumaram muitos clássicos de épocas remotas da história do rock'n'roll. Oh, yeah!

IS WE IN THE TAPE!

A frase "O escama é rápido e resolve!" começou a se espalhar pela cidade. Com esse slogan ficaram comuns pedidos do tipo "estou indo pra gráfica daqui meia hora!". Esse foi um caso assim. O cliente chegou com a idéia meio formada e até com o modelo da fita K7 num CD. Já queria levar a arte dali cinco minutos.

Buenas, fiz o cara esperar pelo menos meia hora. Tem que valorizar o trampo, né? Senão vão pensar que é fácil demais e não vão pagar o valor pedido, hehe! Não utilizei o desenho que ele me trouxe. Eu mesmo desenhei a fitinha vermelha e preta que se destacava no fundo de tons amarelo simétricos. Fiz esse chapadão simples me baseando em anos 80 (por causa dos K7s).

Na parte informativa usei os símbolos do masculino e feminino pra destacar a diferença do valor dos ingressos e otimizar o espaço que era pequeno. Pena que não rolaram mais festas com essa diferença de valores. Gostei de separar assim!

Como fiz o serviço rápido (pra variar!), o slogan se fez valer e o cliente voltou pra fazer cartazes de suas outras festas.

Sobre esse lance de agilidade com os prazos, eu trabalhei por anos como ilustrador numa editora onde todos os prazos eram "pra ontem" e adquiri uma certa velocidade pra desenhar. Soma-se o fato de que meus cartazes são todos muito simples, sem grandes técnicas revolucionárias de ilustração e blábláblá. Então acabo sendo tão rápido quanto um atendente de McDonalds mesmo, hehe! Quando me perguntam em quanto tempo entrego o desenho, já respondo que se o cara aceitar a primeira proposta que eu mandar é no mesmo dia. Conforme ele for pedindo alterações (sempre rola um pitaquinho ou outro do cliente) vai demorando mais.

JAI GURU DEVA. OM.


Passei o fim de semana em Marília-SP e, no momento em que voltei pra Londrina, recebo um scrap do Paulo Mopho, meu amigão e parceiro musical da vida, falando que gostaria que eu fosse testemunhar o show solo dele lá por aquelas bandas na mesma semana. Eu não poderia comparecer, porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) resolvi mandar um cartaz de presente pro rapaz fazer sua divulgação via orkut.

Por ser uma comunicação virtual, optei por um formato quadrado. Como o repertório do show era formado basicamente de músicas dos Beatles, apenas desenhei a silhueta dos quatro mestres atravessando a rua na clássica capa do Abbey Road (1969) e acrescentei um quinto elemento entre eles. Como o Paulo não anda fazendo muito cooper e treina mais a arte do levantamento de copo, acabou desenvolvendo uma charmosa forma arredondada (mas o cara faz sucesso com a mulherada, hehe!) e me aproveitei disso para caracteriza-lo na arte.

Detalhe de referência: a inspiração da mão levantada com o clássico sinal do hang loose veio do filme Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000) na cena onde um roqueirão cabeludo vai na loja de discos e convida o personagem interpretado por Jack Black pra ensaiar com sua banda. Ao final da conversa, o cara saí da loja e apenas levanta o braço com o sinal. Hilário!

Arte simples, rápida e limpa. O Paulo deve ter curtido porque me pediu uma versão pra impressão e depois me disse que rolaram uns elogios. Também gostei!

Ah, tem o myspace do Paulo na sessão "Eu ovo,tu oves!" aí no lado. Confira porque vale a pena!

BOLA FORA!

De todos os cartazes que fiz, esse é o que mais gosto. Infelizmente, ele tem uma história triste e não chegou a ser divulgado.

O pedido chegou meio que em cima da hora por e-mail. O bom e velho "É PRA ONTEM!!!". Pra piorar a situação, seriam dois shows, portanto, a arte seria dividida entre as duas atrações.

Mãos à obra! O primeiro start que me deu foi pelo fato das duas bandas terem animais nos seus nomes (Astronauta PINGÜIM + MACACO Bong). Acredito que fui procurado pela moral recém adquirida com o cartaz do Pedrera (veja post logo abaixo), ou seja, o cliente teria me escolhido pelo conceito que estava tentando passar com minhas artes até então. E qual era esse conceito? Fazer cartazes sem aquela mesmice heróica e agressiva que a gente fica tentado a usar quando se trata de rock. Resolvi então apelar para a fofura e delicadeza dos bichinhos de pelúcia!

Tenho uma teoria de que, se a arte do cartaz for bonita ou curiosa, você pode colocar a informação até em letras pequeninas porque vai cutucar a curiosidade do receptor que se aproximará para ler o que está escrito. E, no momento em que alguém se desloca do seu lugar pra ver a comunicação, ela já conseguiu INTERAGIR com o público. Esse é o pulo do gato! Por isso procuro fazer diferente.

Quando mandei a arte fofurinha, o cliente pediu pra eu tirar os bichinhos e inserir as fotos das bandas. Fiquei arrasado e ofendido! Era minha obra de arte máxima sendo rejeitada! Tentei argumentar, mas não rolou. Então fiz algo de que me arrependo: com má vontade, fiz um cartaz como outro qualquer, com uma combinação de cores feia, com as fotos das bandas e enviei. Tinha esperança de que a luz divina da comparação fizesse o cliente voltar atrás e admitir que o outro trabalho era melhor. Não aconteceu. Ele usou a arte feia (a qual não vou publicar nesse blog, hehe!) e eu queimei meu filme logo após ter feito um pouco de nome pelo trabalho anterior.

Ficou uma lição disso tudo: Se as pessoas me procuram pelas artes que apresento é porque tenho um estilo diferente. Não posso abandona-lo pra agradar o contratante ou pra não perder o trabalho. E não falo isso em tom utópico idealista! Falo porque quando tentei fazer a coisa fora do meu estilo, ficou feia, queimou meu nome porque assinei e, principalmente, não me deu prazer. Trabalhar com arte é trabalhar sorrindo. Se isso não rolar, é melhor deixar o trabalho pra quem possa se alegrar com ele...

BOLA DENTRO!

Segundo show do Pedrera. Apesar dos bons comentários em relação ao primeiro cartaz, achei que eles fossem fazer o do próximo show com outro camarada. Por isso me surpreendi quando o Júlio (vocal) me deu carta branca para fazer a nova arte.

Com o pedido encomendado, o pensamento inicial que me veio na cabeça foi fazer exatamente o contrário do primeiro cartaz-jornal que continha muita informação. Dessa vez seria o nome da banda, local e data. Minimalismo total! Ares da pop art me inspiraram no modo como o nome da banda se encaixaria meio que não cabendo no espaço. Apertei o Pedrera que já tinha escrito no bumbo da bateria do outro cartaz. E, mais uma vez, por acidente, acabei criando a logo que a banda adotou e utiliza até hoje.

Ah, dei sorte de estar presente numa reunião onde os integrantes estavam decidindo quais seriam o figurino e cenário da apresentação e acabei ouvindo que se vestiriam de branco com bolinhas pretas. Eureka!

Ainda com o toque angelical de Mr. Andy, o papa pop, comecei o desenho com a idéia do fundo branco com as bolas pretas e a logo formada por bolas brancas. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) o meio do caminho (quando a logo ainda estava pretona) se mostrou muito mais funcional e interessante. O Julião veio espiar o andamento do trampo no exato momento em que eu estava admirando e analisando se realmente ficaria mais bacana e soltou o profético "Pode parar! Já está pronto o cartaz!". Era o que eu precisava ouvir.

Acabei acrescentando alguns detalhes charmosos:
1) a bolinha vermelha separando a data do show;
2) a minha logo se infiltando entre as bolas pretas.

Também é muito legal o efeito visual de que, quanto mais a pessoa se afastar do cartaz, os pontos pretos se unem com o branco formando um fundo cinza e destacando ainda mais o nome da banda. Ou seja, quanto mais longe, melhor o receptor da mensagem recebe a informação.

O resultado final ficou bem bacana, a banda gostou e ouvimos vários comentários elogiosos! Acredito que, a partir desse trabalho, pontuei de vez meu nome entre os ilustradores musicais da cidade.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

CLIP ART RUPESTRE

Quando o Leandro Joílson (idealizador do projeto) entrou em contato comigo, era pra fazer só a logo da sua banda de soul-samba rock.
Segundo o dicionário, Criologia é o "conjunto de disciplinas científicas e técnicas relacionadas com as baixas temperaturas". Saca criogenia? Então segue a viagem por aí mesmo!

Decidi usar uma fonte bonitona e classuda pelo lance científico da coisa. Ao mesmo tempo tem esse lado da soul e black music e o link com a palavra crioulo. Utilizei a fonte Coventry Garden e alterei com pequenos "detalhes tribais" na letra "i" e na letra "o" tentando deixa-la parecida com os olhos de um tigre. Lá em cima de tudo, acrescentei uns músicos em forma de pinturas-rupestres-made-in-clip-art (mas deixo claro que fui eu mesmo que os desenhei, viu?)

A logo foi aprovada e, em seguida, veio o pedido pro cartaz do show de estréia. Como o local do show também estava iniciando atividades, me exigiram destaque pro fato do local de ter 3 ambientes e pro seu endereço. Achei justo, mas com tanta informação, decidi não poluir no visual. Acabei montando uma espécie de palco com os músicos de clip art rupestre da própria logo e usei como marca d'água no fundo. Bem simples mesmo!

EXTRA! EXTRA!

Grande show de retorno da banda Madera (agora com a alcunha de PEDRERA). Como a banda tinha feito história na região de Londrina-PR nada mais justo do que a manchete de um tablóide.

Esperei a banda me enviar photos por mais de um mês. Até que chegou o dia de apresentar o cartaz e ainda estava sem as imagens. Em cinco minutos fiz um desenho dos integrantes só pra ter o que ilustrar na apresentação da idéia e não é que os caras gostaram? Ficou o desenho mesmo!

Escrevi o texto das duas "reportagens" comentando o retorno da banda, falando sobre sua importância histórica pra cidade e ainda instigando a curiosidade sobre o novo show. Rola ainda uma participação especial do Padre Quevedo nessa arte, hehehe! Abaixo seguem os textos das matérias completos:


Idade da pedra
Banda apresenta novo show no Valentino dia 08/06

Era uma vez uma banda que fez história na cidade...
Com três quartos da sociedade de longa data e reforçados por um toque feminino, o palco do Valentino (onde se apresentaram tantas vezes no passado) receberá novamente, porém pela primeira vez, toda a energia do Pedrera. Julio Anizelli (voz), Angelo Galbiati (guitarra), Sara Delallo (baixo) e Luciano Galbiati (bateria) prometem incendiar o público que, porventura, resolver prestigiá-los no domingo e garantem que agora voltaram pra ficar mesmo. “Nossa casinha de palha foi levada pelo vento. A de madeira caiu. Nós construímos essa de pedra que é mais forte e resistente.”, diz o vocalista que nos revelou também um inusitado plano B: “Se ainda assim não der certo, nos restará uma chance de fazer uma de ferro e virar a banda Ferrera ...”
E as novidades, com certeza, não ficam por aí.
Quando indagados se o tempo parado não os enferrujou, respondem que só os fez melhorar. Inclusive como amigos. Certo! Antigos companheiros, do trio masculino podemos esperar por isso mesmo. Mas como fica a nova integrante do sexo oposto que assumiu (com todo trocadilho do mundo) a verdadeira pedreira do contra-baixo? Certamente a tranqüilidade de uma excelente instrumentista com experiência de sobra no palco. Sendo assim, sobra a expectativa do público em relação ao cenário e figurino, uma vez que o visual costumava ser um atrativo à parte e diferencial do quarteto. “Pode ter certeza que vamos inventar algo, mas será surpresa.” Só nos resta esperar pra conferir. Pra quem nunca viu a banda, finalmente a chance de testemunhar algo que, provavelmente, já cansaram de ouvir falar. Pra quem já conhece, chegou o momento de matar a saudade. O dia 8 de junho promete muito. Até lá!


Músicos confirmam repertório e participações virtuais

Quem pensa que vai assistir um repeteco do show que a antiga formação costumava fazer, terá uma grata surpresa no Valentino. Conhecidos pelos repertórios sempre criativos e ecléticos que misturavam Classic Rock com MPB, peso de guitarras com suavidade, além de interpretações agressivas com uma doce pitada psicodélica, os músicos do Pedrera atualizaram o set list e apresentarão para o público londrinense novidades como releituras para canções de Itamar Assumpção, Karnak, Frank Zappa, Zeca Baleiro e Pato Fu. Mas e quanto aos antigos admiradores? Não vão ouvir absolutamente nada para relembrar os velhos tempos? “Claro que não deixaremos esse pessoal na mão! Vamos tocar alguns clássicos dos Mutantes, Beatles, Secos & Molhados, Jethro Tull, Alceu Valença e até Patife Band que nós sempre gostamos”, explica Luciano. “Só não queremos fazer exatamente o mesmo show de anos atrás pra não cair na mesmice. A gente evoluiu de lá pra cá.” Além das novas músicas, existe um mistério sobre as possíveis participações especiais que o show “Idade da Pedra” pode trazer para dividir o palco com a banda. Tudo indica que as serão manifestações ectoplasmáticas, ou seja, os convidados estarão e, ao mesmo tempo, não estarão ali. Complicado de imaginar? Pois é! Quem viver, verá. Ou não.

+ SIMPLES DO QUE FAZER MIOJO.

Bem-vindo(a) ao meu mundo de teorias absurdas!

Meu nome é Victor Emmanuel, publicitário, moro em Londrina-PR e este é meu novo blog.

Assino os trabalhos como el escama, o primeiro nickname que utilizei numa era pré MSN, quando a internet não era tão popular e os blogs nem sonhavam em existir.

Aqui vou comentar sobre meus trabalhos. Engraçado que quando me mudei pra Londrina (pouco mais de um ano atrás) estava correndo da publicidade, ilustrações e todos os seus eteceteras. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) acabei encontrando um nicho que juntou a minha paixão por música com meus trampos e me redescobri como aquilo que sempre fui. Como diria o meu astrólogo de plantão:

"eu tentei correr de mim
mas pra onde eu ia
eu tava
quanto mais eu corria
mais pra perto eu chegava"


Num mundo onde todo mundo tenta fazer uma arte heróica e agressiva (falando principalmente em relação a capas de discos e cartazes de shows) eu resolvi bater na tecla da simplicidade. Não sou um ilustrador nato, mas procuro me destacar pela diferença. Beiro a tosquice e até gosto dela. Menos é mais e a complexidade está na simplicidade mesmo!

Estou postando os trabalhos em ordem cronológica, então talvez demore um pouquinho até chegar nos atuais. Vamô que vamô!